quinta-feira, 8 de setembro de 2011

sobre a necessidade do Coringa

hoje é dia 11.9.2011.(hoje é 5-10-2011, mas escrevi no dia 11-9, ok?)
Olha só: segue meu raciocínio.. 11 mais 9 igual a 20. 2011. 20 menos onze igual a 9. 9 mais um , mais um igual a 11!!. ok. 20 - 11=??? 9!!! setembro!!! tudo conectado !!! entendeu???não?!como não?!!
teorias da conspiração são coisas tipo essa minha matemática. totalmente non-sense com fundo de ciência exata. zeit geist e essas teorias mirabolísticas sobre 11 de setembro poderiam até ser verdade pq o mundo é mucho loco. mas não. verdade mesmo é os americanos são movidos a cinema, dinheiro e medo. explico: eu morava em NY logo depois de 11 de setembro de 2001. eu não sabia porque, mas sabia que eu sentia MEDO. o tempo todo era nível vermelho de segurança.isso mesmo,eles tem corezinhas pra dizer o nível de perigo de ataque terrorista, sendo vermelho o top perigolástico. tb teve o serial killer sniper, que de dentro de uma van branca(90% dos carros do queens são vans brancas) atirava com um rifle em vítimas totalmente aleatórias nos arredores de NY e Nova Jersey. talvez aqui no brasil vcs nem tenham tido notícias. eu tive...e como tive. uma noite, mesmo consciente da total segurança e tranquilidade da cidade onde eu morava, eu me peguei correndo desesperadinho e boladaço pq tinha uma van branca " me perseguindo". outro dia ri pra cacete da minha atitude, mas joguei fora correspondência que achei suspeita de conter anthrax. me toquei como a economia lá era movida a medo. medo vendo. medo apoia guerras que não tem razão de ser. medo cria burros. medo.
os americanos precisam de um vilão pra eles terem medo, eles necessitam uma divisão bem clara entre bem e mal, e depois do 11 de setembro eles conseguiram a desculpa perfeita pro maniqueísmo que justifica sempre uma guerrinha ou uma bombinha atômica. americanos precisam de um inimigo. meu amigo, o batman sem o coringa é quem? um milhonário vestido de preto e chifrudo que fica inventado fantasias pra gastar dinheiro.


talvez logo depois ou até antes de vc ler esse meu texto o ornitorrinco saia do ar. já faz tempo que não tem uma nova guerra e o osama bin laden morreu. franco fanti pode ser declarado o novo inimigo número 1 dos americanos .

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Lubrificante socialis

"É bom me iludir e pensar que sou assim tão rico... Tudo pareceu tão barato hoje, me senti tão generoso e de bolso cheio de repente. Outro fato curioso é que fiquei muito mais bonito do que minha mãe me disse que eu era... E muito mais inteligente também. E o interessante deste fenômeno é que sinto o mesmo sobre a XXXXX também, tão mais interessante! Tava linda hoje! Nem sei muito bem como cheguei aqui em casa, mas sei bem como cheguei aqui: Eu enchi a cara, e quando eu bebo, por um longo tempo a vida parece perfeita... Nada melhor que esse olhar turvo de bêbado sobre a vida. Ainda bem que meu estilo de bebum é o feliz, não é o chorão,ou o depressivo, ou o que ama todo mundo, ou o porrador. A felicidade brota de uma fonte inesgotável das profundezas de algum lugar profundo meu que eu sei inventar muito bem. É... Quando eu bebo eu me sinto muito bem, e me sentir muito bem é uma ótima razão pra justificar esse meu alcoolismo de quinta a domingo. Tudo bem. Ok. Admito. Quarta a domingo."
Essas lindas e poéticas palavras alcoolizadas são retrato do outro Franco, o demoníaco, o capeta em forma de guri, o Franco Solteiro.

Cachaça é um magnífico lubrificante social pra mim, eu fico MUITO legal e sociável quando bebo. Se você já me ama assim agora precisa me ver bêbado. Carisma puuuurooo! E quando eu estou na esbórnia fanfarrona de ser solteiro no Rio eu preciso ser muito carismático, entende? Se eu fosse lindarástico, ou se eu fosse filho do Eike Batista, como disse o poeta Camões, talvez eu tivesse R$6000 por noite pra alcool, engov e as interesseiras que vem com eles... Mas não é o caso. O caso é: vomitar dá muito trabalho e arde a garganta, ressaca dói e é chato, ser solteiro dá muito trabalho é desgastante, descapitalizante e não tem meu amor. Cansei, casei. Adeus, lubrificante socialis,parei de beber...













Não, Adeus é muito forte,não gosto de adeus. Até logo.

sábado, 6 de agosto de 2011

sabedoria

                                          Glósóli

saber é escolha. saber não tem hierarquia. saber sobre nietszche não vale mais que saber sobre jurisprudência. saber reconhecer um vermeer não vale mais que saber reconhecer uma flor. falando em saber, ainda não sei porque tanta gente acha que seu saber vale mais do que o do outro. não sei. não sei muito. nem acho que sei pouco. saber não tem medida, ou se sabe, ou não se sabe. o joão me explicou que é inteligente. eu perguntei porque. ele me disse que é porque ele estuda. assim o joão concluiu, logicamente, que um mendigo nunca poderia ser inteligente, só se um dia ele estudasse. e a mãe do joão sim sabe muito, porque ela se chama patrícia e já é adulta, e logicamente, como ele me explicou, ela sabe mais do que ele porque já estudou muito mais. escolhi saber muitas coisas, mas tantas outras nem me deram escolha, me educaram, e eu nem sabia porque eu sabia. nessa época eu era sábio. eu era igual ao joão, que é tão sábio que nem sabia quanta sabedoria há em ser criança.


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Tudo o que eu faço



Já mudei de carreira 456,590046 vezes.(mentira, é só um exagero irônico)
estudei pra ser militar do IME e pra ser embaixador. seguir os planos do meu pai não estava nos meus planos. troquei.
fiz ciência da computação. tirei 96 em cálculo 1, mas tinha 0 ideia do que queria ser. casei.
fui morar em ny com ela. fui panfleteiro de rua, ajudante de garçom, bartender, cozinheiro, trabalhei em hotel. comprei tudo o que eu desejava. juntei dinheiro. até que percebi que descobrir o que eu queria ser não tinha preço. voltei.
fui garçom. servi meus amigos na boate da moda de petrópolis. serviu pra eu aprender que fugir no meio do expediente pra dormir no banheiro não é natural quando se gosta do que se faz. cansei.
fui estudar hotelaria, estudar línguas. fui recepcionista. me rebelei contra a escravidão proposta pelo meu chefe. propus cair na porrada com ele no dia que ele me falou por telefone que se estivesse no hotel me "meteria a mão na cara". ele não aceitou. me formei em hotelaria e ele me ligou pedindo pra eu ser gerente geral da pousada. eu não aceitei. mudei.
rio(não do verbo rir, a cidade maravilhosa). dei aula de português pra alemãs, dei aula de espanhol pra suíços e dou aulas de inglês pra brasileiros. divertido. mais nada.
mas nada, nada, absolutamente nada me deu esse prazer de terminar um roteiro. nada tão bom como terminar uma história. não sei se um dia vão me pagar quanto eu acho que eu mereço,porque eu mereço MUITO. mas já me deixa contente o fato de receber.
escrevo pra record. menosprezam o programa que eu escrevo. grande parte despeito e inveja, parte porque o programa é ruim mesmo(exceto nosso quadro). tô cagando. me basta rir sozinho e receber em dia por isso.(me basta receber em dia não por rir sozinho e cagar,mas por escrever)
depois de tanta andança e tanta mudança, entendi o valor da perseverança(só pra rimar, mas é verdade). aprendi algumas coisas também: odeio burocracia e formalidades, odeio escritórios, odeio ter horário e local de trabalho... quero ganhar cada vez mais e trabalhar cada vez menos. sempre que digo isso escuto os despeitadinhossemforçadevontadeauto-estimabaixa dizerem:
"ah! e quem não quer?"
ok. e o que você está fazendo pra conseguir isso?
eu sei o que já fiz. eu sei o que faço.
só que o que eu faço não é o que eu sou. o que eu tenho não é quem eu sou.
vá lá, escrever é um trabalho que me satisfaz. muito.
poderia ser lixeiro, advogado, hippie ou ator pornô. estivesse eu satisfeito com uma dessas escolhas, daria tudo na mesma no meu universo particular idiossincraticamente meu. mas, porém, contudo, no entanto, entretanto e todavia, escolhi outra coisa. escolhi escrever e terminar essa história. (esta história deste texto e esta história de troca de carreira, entendeu?bom trocadilho né?hein?hein?)
escrever: é só o que eu faço.("só" no sentido de é a única coisa e também no sentido de somente, simplesmente. bem bolado né?)
 the end...less work. 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Nietzche e a Segunda-feira

Hoje eu acordei atrasado. Acordei 5:30 da manhã e acordei atrasado. Acordar 5:30 e estar ATRASADO? Já seria ruim na quarta-feira, mas segunda-feira faz isso parecer ainda pior.


Pra não te impregnar com o espírito segunda-feira de ser te aviso: já tá achando que isso aqui tem tudo pra ser chato? Tá com preguiça? Não m escute. Leia só o último parágrafo, ou pare aqui mesmo. Não vou ficar chateado com você.


Ontém eu tava relendo Nietzsche, conclusão: hoje é segunda-feira.


Você vai me dizer que segunda é só um dia e que esse negócio de tempo é uma invenção humana, demasiado humana. Eu acredito plenamente nisso tudo exceto quando estou vivendo a segunda-feira. Assim falou Zaratustra: Segunda-feira é um estado de espírito, é um verbo, é um djetivo, é um modo de vida dos fracos, é um jeito de ser que tem tudo a ver com a moral que nos ensinaram. Segunda-feira é aquele dia que eu jamais vou conseguir chegar a vislumbrar ser o Ubermensch.


"Com a moral o individuo só pode dar valor a si mesmo como função do rebanho." Nas segundas-feiras me sinto mais rebanho do que nunca e me questiono se o que faço é tão só pra mim mesmo.


A segunda-feira é babaca, é estraga prazer. Hitler nasceu na segunda-feira, O Anticristo. Nietzche morreu numa segunda-feira. E você vem me dizer que segunda-feira é só um dia...


Você vem sempre daquele fim de semana e vem ela, balde de água fria: O Eterno Retorno.


Segunda-feira é o dia que você tem sua primeira crise com sua namorada. Hoje, não por acaso numa segunda-feira, eu tive. Muito porque a mulher é "essencialmente intranquila"... "...a mulher é o mais perigoso brinquedo", sem dúvidas, Fried.


Não leia Nietzsche num domingo chuvoso seguido de uma segunda-feira. Melhor, não leia Nietzsche nunca. Ele não ia ficar chateado com você por isso, na verdade iria até gostar. Ok, é mentira. Leia Nietzsche. Mas se você acordar com o espírito meio segunda-feira, não bote a culpa no Fried como eu.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A Culpa é do Fidel

Hoje dei bom dia pro motorista do ônibus.Sempre dou bom dia pro motorista.Ele não respondeu nada.Eu ri. Se no mundo de carne e osso bom senso e educação já são raros, imagina no mundo virtual. Fato: tá tudo muito mais virtual. Culpa do facebook.
Ainda não consegui entender o que é bom senso no facebook. Escrever coisas do tipo: "Bom dia, dia!" ou "Que friozinho gostosinho!", "Comendo um risotinho supimpa da mamãe.." ou "Dps do almoço uma preguiça que não tem tamanhooooo...nossaaaaa!!!!","Dor de cabeça"??(todas frases originais) etc, etc et cetera!! Qual a necessidade intrínsecamente interna das profundezas do ser que leva alguém a relatar cada movimento de dedo mindinho instantanemente via BlackBerry e Iphone? Sem falar nos galerosos que curtem esses comentários.... Curtiu o que, eu amigo? Curtiu que o seu amigo disse que está com dor de cabeça, porque ele é um otário e te dá prazer saber que ele sofre? Ou vc curte a dor de cabeça? Masoquista ou sadomasoquista? Tudo bem. Dou uma folga pros fanfarrões virtuais porque é o facebook que pergunta:" No que vc está pensando agora?" . Logo, as pessoas respondem. Outras curtem.De qualquer forma:Culpa do facebook.
Outra coisa que parece natural no mundo facebookiático é a falta de educação. Convites e mensagens individuais são totalmente iguinoradas várias vezes. O bombardeio de informação é tão grande que imagino que muita gente acha natural não responder nada pra sua mensagem convidando ela pra sua festa de aniversário. Considero a possibilidade de ter amigos sem educação também. De qualquer forma o mundo era melhor quando a gente tinha que entregar convite em mãos, ou por correio. Agora só recebo conta e propaganda de pizzaria pelo correio. Não curto isso. Culpa do facebook.
Falando em curtir,as feras que traduziram o facebook pro português escolheram uma palavra beeeeem violenta pra substituir "like": Curtir. Violento:Gíria criada por mim que significa que algo é tão escroto e ridículo que é quase uma violÊncia, uma agressão contra vc.Ex:Lady Gaga se veste de forma violenta. Thor Batista é todo violento. Curtição é uma palavra meio do tempo do onça, do guarana com rolha e da carochinha, todas essas expressões violentas sabe? Porque eles escolheram curtir??! Não sei porque escolheram ,mas fato é que nesse mundo moderno facebookiano outro dia escolhi fazer uma cosita violenta só de curtição mesmo.
Postei o seguinte:

Boa Noite, noite!
Faz frio no rio.
Fazendo cocô.
O shape saiu bem legal.
há 0,0034 segundos via WAP.

Eu curti. Ninguém entendeu. Muita gente veio perguntar se eu estava bem.
Fato:acho o facebook muito autoritário, porém carismático. Tipo o Fidel.Não te dá opções do tipo: "Não curti". Ou "Sua vida é postar isso?", ou "Muito violento esse seu post!"
Então, se você achou uma merda meu texto e queria apertar o botãzinho:
"Que merda esse seu texto, Franco!"
Não posso fazer nada.




Culpa do facebook.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sobre minha essência

Sobre minha essência eu sei pouco porque já não sei mais o que é essencial para mim. Antes era comer e jogar video game, agora é descobrir o é essencial e o porque. Sinto um prazer íntimo em ser visto como inteligente e culto, o que fala 5 línguas, sinto meu ego inflar a cada pessoa que me elogia, cada pessoa que usa aquele adjetivo que eu gostaria que me chamassem e sinto muito de me sentir assim, porque o elogio alheio ou a crítica alheia não deveriam ter sobre mim. Sei muito bem o tanto de coisa que eu penso, mas não faço. Minha vergonha de ficar pelado no palco, mascára meu medo de ver e ser visto na minha essência. eu até tiraria essa roupa que eu acho legal, o iPhone 4 que eu gostaria de ter e o bmw x5 que faria ela abrir as pernas pra mim agora...mas se eu tirasse só sobraria minha essência, e ela não tá afim de essência...se for francesa talvez sim.
Um pouco da minha essência é essa necessidade de ser amado, tipo cidadão Kane, em especial porque sou burro, não aprendo com meus erros, e quando me dou conta me pego esperando a aprovação dos outros pra eu conseguir me aprovar, aprovar que não sou tudo isso que mascara minha essência.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ode ao Sim.

No.Nope.Niet.Nein.Iie.Non.
não.nãO.nÃO.NÃO.NÃo.Não.não.
NÃO!Ninguém quer dizer, ninguém quer ouvir. Poucos são os que não tem medo do não. Dizer NÃO é duro, é seco, é direto, é claro...É claro que a gente não quer ser claro, não é não?
Quase dizer não é bem mais fácil!É ou não é?
Pode ser uma não resposta, um silêncio, um vamos ver, um vou pensar, um te ligo pra confirmar, um a gente se fala, um a gente se vê, um a gente inventa um trilhão setecentas bilhões e quarenta ponto duas vírgula sete mil formas covardes de não conseguir ser direto pra dizer:Não.
Fato: quando eu tomo um NÃO na fuça eu quase sempre fico abatido.
Eu e todos vocês! Não?
Receber um não parece uma demonstração de poder dos outros sobre nós: poder de negar nosso pedido, sugestão, nossa oferta, poder de abater nossa auto-estima... Ou não?
Não, penso que não. Mesmo que seja um não pessoal contra mim, isso não deve ser razão pra eu negar o poder que há em receber um não... E ser sábio o suficiente para dizer sim para ele. Dizer sim é aceitar. Sim é estar aberto ao que vier... Ou não vier.
Já cansado de ver tanto não você se pergunta pra mim:
Pois não senhor, então será que posso ajudá-lo?
Talvez não.
Por favor, talvez: não! Talvez não é difícil de dizer, mas por favor, talvez, não! Talvez é omisso, é o comodismo de quem tem medo de definir. Talvez é muitas vezes a nossa covardia pra dar aquele não que... Não. Certamente não gostaríamos de receber. Talvez tem a falta de personalidade do que é, mas não é, tem a fraqueza de não ser “sim” e não ser “não”.Solenemente me ignorar e não dizer nada é também uma forma de dizer talvez, ok?
Não sei não... Mas parece que não entendi a moral disso tudo não.
Muito simples.
Peço: Tá na dúvida? Não sabe se tá afim?
Me diga não.
Prefiro ter que dizer sim a clareza do seu não, do que ter que lidar com a indefinição do seu talvez.


PS: 59,72 "nãos" formam utilizados na confecção deste texto. Nenhum dos "nãos" ou nenhum dos envolvidos sofreu nenhum mal trato físico ou psicológico na construção deste mesmo.

Não gostava de aniversário em 2008

Vinte e seis anos se passaram, e se o ano não tivesse sido inventado com 365 dias hoje teria sido mais um dia que eu vivi, mais um dia passado em branco. Mas hoje é “O” dia. Todo dia deveria ser o dia, mas insistem em me dizer que hoje é o dia. Hoje vão dizer que é o meu dia, mas não sinto que o dia é meu. Meus são todos os dias que vivi, que não podem ser mudados, e fazem parte da minha história. Hoje dou uma festa em minha homenagem, mas a festa é muito mais para os outros que para mim. Sinto que por muitas razões devo comemorar, mas não sinto que haja uma razão para tal comemoração ser só hoje. Não sei definir o que sinto hoje... Sei que sinto muito por muita coisa, sei que sinto muita coisa ruim que não deveria sentir, e apesar disto, sinto que tenho evoluído.
Sonhos se apagam, a determinação enfraquece, a coragem se acovarda, porque te dizem que hoje é o dia, e hoje é só uma vez... Em 365... Apenas um dia... Enquanto os outros dias passam.
Quando meu passado era mais curto, os dias passavam sem que eu percebesse. Muito tempo se passou e os dias não passam mais como antes, agora passo meus dias percebendo cada dia que passou. Passo ainda muito tempo a pensar no futuro e no passado. No presente, acabo pensando muito sem fazer, passo muito tempo perdendo meu tempo... Mas passo a passo tenho aprendido a compreender, a me conhecer.
Hoje é apenas mais um dia, mas hoje já sou adulto. Adulto e não compreendo porque às vezes não passo de um adolescente querendo passar por alguém diferente de mim mesmo para não passar despercebido. Adulto, mas tentando compreender porque tantas vezes sou tão infantil. Hoje é o dia, o dia que passei destas fases, porque hoje eu decidi crescer, escrever... Já havia deitado, mas decidi escrever. Não queria deixar a folha em branco justo no dia que percebi que hoje é sim o meu dia.
Hoje... E todos os dias que eu viver.

Sobre a distância

Leeds, Inglaterra- Crianças brincando com restos de bombas da 2nda Guerra.
Quando achavam minha inocência virtude, eu não sabia o que era inocência, nem sabia que eu era inocente. Parece que foi ontem, mas lembro que o que sou hoje estava há anos luz do que eu era então... Naquela época eu que achava que o que sou hoje para sempre seria amanhã... Se é que eu já achava alguma coisa então... Mas o que já foi amanhã é meu hoje, e ser inocente não é mais virtude.
Hoje a rua é igual, mas não é mais a mesma... A casa é a mesma, mas é diferente... Sou uma pessoa diferente, mas tão igual...
Quando eu sorria porque era simples, eu simplesmente não imaginava como seria fácil complicar minha facilidade de sorrir... E hoje estou aqui e vejo tudo á distância... Distante do dia em que ficar mais velho era motivo de comemoração, distante de uma visão de um mundo em que o pátio da minha escola era quase infinito, tudo era colorido e divertido, distante da diversão nas coisas mais triviais, distante de uma felicidade que brotava fácil e sem razão de dentro de mim... Distante, mas não poderia estar mais perto... A criança que fui no passado continua presente dentro de mim.

Não só hoje

Dizem que hoje é meu dia.
Não consigo imaginar um dia menos meu do que hoje.
A festa é sempre mais para os outros do que para mim. Não se lembrou?
Non ti preocupare! Não gosto de aniversários e não me ofenderia com você por isso.
Há algo de perturbador na celebração da minha vida. A comemoração de mais um ano de vida também me relembra que estou um ano mais próximo da morte. Um ano a mais de vida é um ano a menos de vida. Pessimista? Não. Realista.












Sou vaidoso, sem duvidas. Mas também não se trata de ficar mais velho.
Como ela bem disse: Perdas e Ganhos. Até aqui sempre que ponho na balança, o hoje é sempre meu auge. Talvez seja a percepção de que mais um ano se passou e pouco se fez. Pouco perto do que idealizei. Houve evolução,sim. Mas para um perfeccionista a evolução nunca é suficiente. Perfeição é utopia, burro sou eu que a persegue.
Ainda bem que hoje só acontece uma vez por ano.
Hoje dizem que eu posso tudo.
Acho que não gosto de hoje por isso...
Eu quero poder tudo todo dia,
Não só hoje.

domingo, 24 de abril de 2011

Foi apenas um sonho...

Que felicidade é essa?
Vender tempo pra comprar coisas.
Comprar coisas que não precisamos ter.
Temos dificuldade de perceber que vivemos coisas diferentes do que gostariamos de viver.
Por que?
Vivemos de tantas formas que não queremos.
Queremos vidas que disseram que a gente tinha que almejar.
Almejamos tão pouco perto do que realmente sonhamos.
Sonhamos...
Já houve um tempo em que sonhávamos e acreditávamos.
Aquele tempo que nossos sonhos eram nossos.
Tempo que nossos sonhos eram possíveis.






E sabe no que eu acredito hoje?
Acredito que se eu achar que felicidade é o que me ensinaram, chegará o dia bem lá na frente da minha vida e eu vou concluir...
Que minha vida não foi assim tão minha...
E que tudo que sonhei pra minha vida...
Foi apenas um sonho.

Gentileza gera....o que mesmo hein?

Hoje eu entrei no elevador. Na verdade eu já tava no elevador, eles é que entraram. Eu disse boa noite... Antes deles dizerem qualquer coisa. Eles se assustaram.
Tá bom, eu adimito, ela era gostosa e gata, mas não foi por isso. Eu deixei ela passar na minha frente porque só tinha passagem pra um. Sem e com aquela linda maldade de gavião no olhar, eu disse: primeiro as damas. Natural... não? Ela me olhou com medo.





















Ele tava andando todo torto e acabadinho, eu abri porta para ele e falei: por favor senhor. Ele ficou assustado e bolado me olhando.
Gentileza já gerou gentileza...
Hoje gentileza gera medo.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Spreading the joy

Dizer obrigado:É bom, é necessário. Mesmo que seja por um altruísmo egoísta de SE sentir bem ao fazer bem à uma outra pessoa. Talvez soe irônico agradecer alguém que teoricamente te fez mal. Não é. Mesmo que de uma maneira não tão agradável, quem nos fez mal nos deu uma oportunidade de aprendizado, por isso dizer obrigado é bom, é necessário, em especial nesse caso é libertador. Dizer obrigado a alguém é uma forma de espalhar felicidade. Spreading the joy can't ever be bad. So let's just say more "thank yous" this year!

O fracasso na visão da minha cachorra Jade

Eu já sabia, mas pra não ser só minha verdade precisava ouvir de outras pessoas que considero inteligentes, como minha amiga  Jade, o seguinte: eu acredito em vc, acredito no seu potencial.
Eu já sabia, mas precisei ouvir de um bilionário, o Tio Patinhas: não se pode temer o fracasso, abraçar o fracasso é libertador.
Não vou fracassar, seja lá o que isso possa significar, porque no primeiro dia do ano acredito na minha capacidade mais do que nunca antes, porque no primeiro dia do ano não tenho medo de arriscar, porque no primeiro dia do ano sei o que quero dizer.... sei que é assim...pelo menos no primeiro dia do ano.
Isso não quer dizer que o que tenho a dizer não possa mudar, o que não pode mudar é essa fé inabalável em mim mesmo, mesmo que me digam que os caminhos que escolhi podem me levar ao fracasso. Fracasso seria começar mais um ano sem ter essa segurança assustadora de que o que quer que eu faça vai dar certo.
Acabei de fazer um cozido. Queimou, alguns legumes ficaram duros e outros desintegraram.
De acordo com minha mãe que é Chef de cozinha, um fracasso.
De acordo com a Jade, minha cachorra, um mega sucesso.
É por isso que eu amo os cachorros, fracasso não existe pra eles.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sobre a Bia que eu conheci e a sensacional prática do desapego









































Primeiro de tudo:

caso vocês, Beatrizes que lerem esta mensagem, não sejam a Bia que eu conheci, não leiam. Ao dizer "não leiam" é fato que vocês vão querer ler, né? Dá uma coceirinha de curiosidade, né?

Se quiserem, tiverem tempo, vontade e interesse leiam. Na verdade, leiam sim, leiam pacas. Vocês vão saber um pouco sobre minha vida, um pouco sobre essa Bia que eu conheci e um pouco sobre a sensacional prática do desapego.

A prática sensacional do desapego é uma prática sensacional. Com ela a gente aprende o seguinte: mesmo que dê tudo errado, dá tudo certo!
Por exemplo veja vc: a tal Bia que eu conheci começou com um erro: o erro mais certo que ela poderia cometer na vida dela. Ela entrou na sala errada. Eu sabia e falei isso. Mas aquele sorriso fácil , (adoro gente que ri fácil , mas sem ser o riso do desespero) dela casou tão certo com o meu sorriso fácil de quando conheço gente que ri fácil, que eu quis que ela ficasse e ela tb quis ficar.

Mas a Bia que eu conheci estava de fato na turma errada e ela teve que sair. Uma pena, pro mundo do inglês, sim, sem dúvida alguma.

Mas, porém, contudo, no entanto, todavia e entretanto... Ali, naquele dia, ela já estava me fazendo exercitar uma coisinha: a sensacional prática do desapego. Eu nunca mais vi a Bia na escola.

Depois quem errou fui eu: num show que eu queria mto ir com meus amigos, me perdi de todos, errei a entrada, mas optei por continuar feliz, sorrindo e sozinho... graças a sensacional prática do desapego. Mal sabia q seria o erro mais certo que eu poderia cometer. Adivinha quem eu encontrei, sorrindo e ainda por cima falando inglês! neste exato momento? A Bia numa fila monstro de milhoes de pessoas na fundico progresso.


Eu e a Bia ainda não nos conhecemos bem agora, nem nos conheciamos bem ali na entrada, mas pelo sorriso e vibração em comum, sem perceber a gente já tava de mão dada 10 segundos depois de se encontrar... Pra dez segundos depois disso se perder de novo.

Me perdi da Bia mas encontrei meus amigos 30 segundos depois... Pra 30 segundos depois me perder de todo mundo de novo.

Fiquei sozinho,sorrindo e cantando, graças a sensacional prática do desapego. Subi até o terceiro andar no meu lugar favorito pra ver o show. E adivinha quem eu encontrei de novo sozinha, sorrindo e cantando no meu lugar favorito?Adivinha?


O que eu sei sobre a Bia que eu conheci:ela dançava charmosa, ela já teve banda de reggae, ela mora na Lapa, ela demora mto no banheiro, ela tinha um inglês espetacular e fez propaganda da minha aula, ela me ensinou q "True Love" é Amor verdadeiro,ela me mostrou que "You and Me" do SOJA é a musica perfeita pra beijar, ela tb vai pra Praia Seca,ela tinha o sobrenome Mendes como meu pai, ela tinha uma boca q, como não podia ser diferente, se encaixou mto bem na minha. A Bia era cheirosa no meio da fumaça e do suor do show, ela usava Tommy Hifiger Masculino, que se transformava em alguma outra coisa diferente, o perfume sofria reações quimicas mirabolantes na pele macia dela e se transformava em um outro cheiro sensacional, espetacular e maravilhoso, inédito na história mundial dos perfumes!

A Bia que eu conheci me prometeu aula de violão em troca de aula de inglês, e me ofereceu conseguir um Ganesha que diz ser bem melhor que a Bicicleta.

Mas essas promessas não foram e podem nunca ser cumpridas, pq logo depois q a minha boca conheceu a dela eu me perdi dela de novo só ficou na minha memória um beijo gostoso, um pefume cheiroso e essas iniciais deste um email.



Apesar disso tudo q eu falei eu conheci mto pouco da Bia.

Sendo assim, caso vc seja mesmo essa Bia sensacional,espetacular, incrível, ultra giga mega hiper gata e sorridente que eu descrevi deixo um recado: Beatriz MPBS, eu quero te conhecer. Qdo, onde e como não me importa, mas eu quero te conhecer. Seria um inenarrável, indescritível e inimaginável prazer ensinar e aprender com vc.


Não é obrigatório aceitar o convite, logicamente. No problem. Me responda que tem namorado, que não tem tempo, que não quer, que sua mãe morreu, que vc tá mto chapada, que vai estar passando mal no dia q eu te convidar...Mas me reponda, não silencie. Me diga: No, thank you, teacher.(do not forget the "thank you" part, because we know you are an extremely polite lady).


Mesmo que vc diga "não", de qualquer forma eu não saio perdendo: vc é o meu perfume Tommy que caiu da minha mochila e se espatifou no chão. Um perfume que eu tive por pouco tempo e adorei intensamente, mas que me ensinou mto:

Sobre a sensacional prática do desapego e sobre uma Bia que eu pouco conheci.



Beijo pra vc Bia!

Seja lá que Bia for vc...



sábado, 30 de outubro de 2010

Reset

As vezes tenho vontade de me desligar. Pra parte chatada minha rotina queria poder dar um crtl+c crtl+v. Mas não dá. Dá é muito trabalho ficar atualizado com a quantidade absurda de informação. Queria só ter um Refresh F5 no meu cérebro. Mas não tem. Tem é muita situação de estresse de viver numa cidade grande igual a minha.Queria simplesmente Esc pra qualquer outro lugar. Qualquer outro lugar é onde eu queria estar nos tantos momentos que queria Crtl+z pra retirar o que eu disse. Não disse que me arrependo do que fiz. Fiz mta cagada, sim, mas nada que um logoff não resolva, nada que me faça querer alguma coisa diferente de Reiniciar na hora derradeira de Desligar.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Tá esperando o que?

Tá esperando o q? Pra ir falar com a mais gata da festa, pra pular do alto da pedra, pra pedir o aumento, pra dizer q te incomodou, pra falar o teu preço, pra dizer eu te amo!Tá esperando o q porra?Pra ir, pra tentar o novo, pra errar o caminho,pra se perder! Medo de se perder é o caralho! Vai! Tenta ué! Arrisca, porra! Tá esperando o que! O que?! A hora certa? O momento perfeito? A maré subir? Ter abertura?É agora! É agora!A hora é agora!A tua hora é agora!
Tá esperando o que porra?!
Pra começar a
Tentar mais.

Fazer mais.


Realizar mais.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Kamiitabashi

Eu, de camisa do Brasil, meu país, dando um rolê com minha Bike em Kamiitabashi, Tokyo Suburb.
Quero me perder no subúrbio de Tokyo. Não quero ser nada, quero ser um zé ninguém, eu quero me perder no subúrbio de Tokyo. Nunca fui a Tokyo. As vezes tenho uma vontade de não sei bem o que, de não ter a mínima idéia de onde, uma vontade de estar à deriva no meio de um mar qualquer... Sem roer as unhas por isso. É uma vontade minha, uma vontade agora, de me perder e flanar... Por um subúrbio qualquer de Tokyo.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Compromisso

A verdade é para os preguiçosos. Muitas vezes eu sou um preguiçoso. Não deveria me preocupar tanto em achar certezas, verdades e definições, mas muitos dias sou um preguiçoso. As vezes me pego buscando alguma rotina em que eu possa me agarrar e por um instante me iludir e acreditar que tudo é muito certo e verdadeiro e que não, o mundo não pode acabar amanhã. Sei que não há verdades tão certas assim, tão certo quanto a minha impossibilidade de mentir. Nunca pude mentir pra mim mesmo. Hoje já não preciso encontrar tantas verdades, só necessito ser verdadeiro comigo mesmo. Nunca soube definir muito bem o que queria... E não sei se é mesmo fundamental ser tão rígido e preciso com o que quero. O que sei que quero, é poder revirar meus pensamentos e saber que eles são, ou pelo menos tentam ser, algo que não se choca com o que vivo. Vivo. Acima de tudo quero sentir que estou vivo... Qualquer que seja a forma que eu viva. Tenho consciência que posso seguir qualquer caminho, sem que seja um caminho qualquer, qualquer caminho que seja genuíno e verdadeiro pra mim.
Ok, é verdade é que abomino compromissos baseados em imposições e obrigatoriedades.
Contraditoriamente o que eu busco é um compromisso: O compromisso da verdade.
O compromisso da verdade comigo mesmo.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Tão certo

Todos...
Tão donos de nós mesmos
Tão preocupados em ter razão
Tão interessados em sair bem na foto
Tão envaidecidos pelos elogios
Tão cheios de defesas pra parecermos mais fortes, demostrando como somos fracos
Tão preocupados em não parecermos ridículos
Tão certos de que de que somos de fato como achamos que somos (ou dizem que somos)
Tão em busca de qualquer certeza que seja certa o suficiente pra nos agarrarmos e esquecermos...
Esquecer que nada é tão certo...
Tão certo só a incerteza de tudo
Tão certo é que todos,
Todos, todos, todos...
Deveríamos ser mais ridículos.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Meu

Já quis:
ter "a" idéia brilhante que fosse só minha,
ter a pretensão de que minha namorada sempre foi e sempre será só minha,
ter todas as mulheres mais bonitas do bar interessadas só em mim,
ter a certeza que todos os meus amigos me tivessem como "o" melhor amigo,
ter toda a atenção da minha família,
ter a ilusão de que algo é realmente MEU,
só MEU.

Por isso escrevo um blog de eu só pra mim.


E quem nunca quis por um momento ter só pra si que atire a primeira pedra.

sábado, 13 de março de 2010

Pré fac Io s

DE, E Quem eu sou:

Por mais que eu tente saber quem eu sou, acho que nunca poderei ser outro pra de verdade ver quem sou eu. Meus escritos são uma forma frustrada de tentar esmiuçar, investigar, conhecer um pouco desse eu que até hoje, e pra sempre, sempre será um eu junto de mim. Separar não dá, dá pra escrever um livro sim...Um livro que só tem começo, um livro que acaba toda vez que tenta começar, um livro sempre em metamorfose...Talvez um livro só de prefácios, um trilhão quatrocentos bilhões novecentos milhões e quatrocentos mil prefácios...

Prefácios de quem eu sou.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Autorama

É complicada essa história de alto estimar-se: se for alto demais é arrogância, vaidade e prepotência; se for alto de menos é baixa auto-estima, complexo de inferioridade, falta de amor próprio. Mas é necessário alto estimar a si mesmo,ou em palavras mais fáceis e mais simples: ter auto-estima alta. Complicado é que muitas vezes vejo que minha(nossa né?) auto-estima não tem nada de alta nem de auto. Quando menos espero, me pego esperando alta estima dos outros pra que minha auto-estima baixa fique mais alta. Fomos condicionados a depender da alto estima alheia pra ter nossa auto alta. Então deixa eu escrever alto e claro: quem espera por meio do alto estimar de outrem ter auto-estima alta, nunca vai ter estima auto nem alta.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

S o l i d ã o a c o m p a n h a d a

1 4 / 6 / 2 0 0 7

F e s t a .
A m i g o s , f a m í l i a , c o n h e c i d o s , e s t r a n h o s .
C a s a c h e i a .
P o r m a i s c h e i a q u e e s t e j a a c a s a o q u e m e p r e e n c h e é u m v a z i o e n o r m e .
E s t e s e n t i m e n t o n i n g u é m m a i s o s e n t e , s ó e u o s i n t o : s o z i n h o .

A m o r .
R e c i p r o c i d a d e .
T e n h o c e r t e z a q u e a m o .
E l a t a m b é m t e m .
N o s s a s c e r t e z a s s ã o d e c a d a u m d e n ó s .
N o s a m a m o s s i m . . .
S o z i n h o s .

D o r e s e s o f r i m e n t o s .
F a l o , e x p l i c o , e s c r e v o , m e e x p r e s s o d e t o d a s a s m a n e i r a s q u e a s p a l a v r a s m e p e r m i t e m .
N ã o a d i a n t a .
A r e a l i d a d e e m q u e v i v o é s ó m i n h a .
M i n h a v i s ã o d o m u n d o s ó e u t e n h o .
Q u e m s e n t e a d o r e q u e m s o f r e s o u s ó e u , e u s o z i n h o .


S o z i n h o .


Me es p a n t a c o m o a i n d a s e e s p a n t a m a s p e s s o as c o m a m e r a p o s s i b i l i d a d e d a s o l i d ã o .
T ê m m e d o d e i m a g i n a r q u e n a v e l h i c e p o d e m f i c a r s o z i n h o s , s e m p e r c e b e r q u e s o z i n h o s s e m p r e e s t i v e r a m .
I l u s ã o é p e n s a r q u e p o r s e e s t a r a c o m p a n h a d o n ã o s e e s t á s ó .
S o z i n h o d e s p e r t e i p a r a o m u n d o e s o z i n h o m o r r e r e i .
N ã o r e c l a m o .
S e m p r e p e n s e i : A n t e s s ó d o q u e a c o m p a n h a d o .
A g o r a n o m e u q u a r t o e s c u r o , e s c r e v o .
E m c a s a, n i n g u é m .
E m e s m o q u e h o u v e s s e , e s c r e v e r h o j e é u m a m a n e i r a d e t r a d u z i r e m p a l a v r a s a s o l i d ã o d e u m a r e a l i d a d e q u e é s ó m i n h a .
N o e n t a n t o , s e p o r u m m o m e n t o m e u t e s t e m u n h o s o l i t á r i o f a z t o d o s e n t i d o p a r a v o c ê , a c a b o u a m i n h a s o l i d ã o .
A g o r a n ã o e s t o u m a i s s o z i n h o , e s t o u a c o m p a n h a d o ,
A c o m p a n h a d o p o r v o c ê .

Elogio a Inri Cristo


Louco, louco, muito louco, isso eu gostaria de ser.
Insanidade é uma virtude.
E eu falo aqui da loucura roots, e não dessa loucura neurose pré-pós-moderna de Nietzsche e Freud.
Na loucura reside sempre originalidade, isto é inegável.
Através da originalidade dos loucos muito já se criou.
Sorte da humanidade que os condena.

Loucura é autenticidade:
Louco é o que é.
Ponto.
Não sabe se isso é bom ou ruim, mas assim é.
O que os outros acham do que se é?
Foda-se.

Insanidade é intensidade, é inconseqüência.
Louco faz o que tem vontade, na hora que tem vontade e com muita vontade. Se der vontade de cagar no chão, ele caga. Se der na telha tirar a roupa ele vai tirar.
Freios sociais desnecessários nós temos, sim senhor, somos burros com orgulho! 
Mesmo sabendo que as nossas estradas solitárias são diferentes, mas levam todas para o mesmo destino, com ou sem freios.

O insano é feliz porque é criança.
Não tem vergonha de brincar.
É feliz porque é inocente,
Nem sabe o que é crueldade. Mesmo quando faz uma "maldade".
É feliz porque não dá limites reais ao que é imaginário.
Sonha de noite, sonha de dia, sonha alto.

Dizem que o louco vive num mundo de louco, num mundo só seu, num mundo de sonhos em devaneios. Vai saber.  
E quem falou que o melhor é viver nesse "nosso" mundo "real" que de"nosso" não tem nada?

E nós  tão sãos , tão normais e tão centrados . . .
"Esse cara é um louco ! " - quantas vezes proferimos na inocência do nosso complexo de superioridade.

Deveríamos agradecer pelo elogio .
Levemente louco todos já somos nas nossas idiossincrasias de sermos sempre só nós mesmos e nossa minúscula visão da realidade.
Jamais poderemos saber como é ser John Malkovitch.
Por isso que eu admiro o Inri Cristo.
John Malkovitch numa interpretação incrível de Cristo.


Intimidade


Hoje acordei meio angustiado. Eu tava pensando essas coisas que todo mundo pensa quando acorda angustiado na Argentina: o sorvete do Freddo é bom pra caralho, ela é linda e eu vou morrer. E aí? E aí que eu fui pra cama com ela pela primeira vez. Então pensei: nossa, eu estou dentro dela, literalmente dentro.Isso sim é intimidade, não? Não.
Eu, pensando enquanto fazia sexo.
Sexo é bom e é íntimo, mas os pensamentos é que são o ápice da intimidade. Enquanto a gente se olhava(depois do coito, só pra constar... tá bom,adimito, ela não era muito solta e eu pensava durante também) eu pensava isso e ela nem desconfiava. Eu e ela, a gente se entende muito, mas essa intimidade, de saber como é o pensar do outro, tipo quero ser John Malkovich, a gente nunca vai ter. Não houve nem haverá pessoa quem tenha mais intimidade comigo que meus pensamentos.

Outro dia fui roubado. Eu ri. Louco... Um pouco. O cara ficou meio bolado. Mas é que eu tava pensando o seguinte: os meus pensamentos vc não leva, seu trouxa! Podem me tomar tudo, meus pensamentos não.

Outro mês aí perdi tudo na enchente de Friburgo. Foda. Mas meus pensamentos continuaram sendo meus. Modificados porém intactos. E por mais que digam que não, que eu sou artista, ou autista, e que sou escalafobético e tal, eu posso sim morar neles. Não preciso de casa não.

Meus pensamento são uma posse que não possuo de fato e por isso mesmo que eles são o que há de mais genuinamente MEU no mundo.
Pensamentos são a essência mais pura e verdadeira de quem eu sou. Posso inventar histórias da minha personalidade, de coisas que eu vivi, mas meus pensamentos sabem o que se passa.

Esse texto por exemplo, tudo mentira. Não transei com ela ontém, nunca fui assaltado e não sou de Friburgo. Enquanto mentia pra todo mundo que lia, meus pensamentos sabiam toda a verdade.
Verdade é que registrar meus pensamentos é uma forma de aumentar minha intimidade comigo mesmo, de me conhecer, uma forma de me manter consciente de como anda minha relação com o mundo... De fora e de dentro .

Registrar meus pensamentos é imortalizar um instante, e pelo menos por um instante acabar com essa angústia dos dias em que me sinto tão mortal.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Antes de ler, leia

AQUI!

A mentira mais verdadeira

"Que bela piada que ninguém entendeu. Atores amadores, que são tão profissionais, que nem sabem quando estão atuando. Que grande bagunça perfeitamente ordenada. Que jogo perfeito cheio de erros tão certos. O ser humano é uma sátira de si mesmo na grande piada da vida... A vida... Esta linda piada que ninguém parece achar graça."


Eu, Juan Gael Amenalba, interpretado por Alfred na Bocca Della Veritá, em Massachussets

Verdadeiras e belas ou mentirosas e feias as palavras sobre arte do poeta paraguaio, vendedor de 3 vezes do Premio Nacional de Literatura de Paraguay e vendedor de um prêmio Nobel de Literatura, Juan Gael Amenalba?

Verdade é que eu não consigo entender a razão pela qual, apesar de seu poder criador, libertador, tanto se fala de arte com ar de superioridade, como se a arte de alguma forma tivesse importância maior que qualquer outra distração que criamos na tentativa de dar significado à  essa vida.

Mentira é tentar viver qualquer mentira que não seja uma que faz sentido pra mim.

Quando se fala de arte e se define, ou se acredita definir, algo indefinível, ocorre o paradoxo de tentar cristalizar em palavras algo cuja condição primordial de existência é a impossibilidade de definições.
Por isso eu gosto dos apelidos. Tudo tem seu apelido.

O Homo Sapiens apelidado de acomodado, ainda não teve a perspicácia de perceber seu poder criador e sua decisão de gerar uma eterna corda bamba entre verdadeiro e falso. É fácil entender que para muitos acomodados também chamados de bonachões, é mais fácil aceitar que existem verdades absolutas do que ter em suas mãos o peso de ser criador.

Resta-nos, por outro lado, tentar entender o porquê de muitos bonachões, muitas vezes conhecidos como artistas, terem uma evidente (ou mascarada) tendência em considerar a ficção que o homem criou e apelidou de arte, uma mentira superior á qualquer outro teatro inventado pelo ser humano, aquele Homo lá, apelidado de Sapiens.

E o que temos aqui, na tela afinal? Seriam pensamentos soltos de alguém que não conseguiu dormir? Mentira! Uma reflexão para uma aula de filosofia? Ou talvez a verdade seja que estas palavras são uma adaptação de um poema conhecido de Amenalba?

Não importa à conclusão que se chegue,qualquer uma será tão verdadeira quanto às palavras do grande poeta paraguaio Amenalba, também apelidado de Franco Fanti, por sua vez apelidado de estudante do curso de Roteiro, de professor de inglês(entre muitos outros apelidos).

É verdade que Amenalba nunca foi um ser vivo que respira e anda por algum mundo fora da minha imaginação. Ainda assim é um tanto assustador e confuso quando me dizem que a verdade é: Amenalba é uma mentira.