domingo, 13 de abril de 2014

Essa é pra casar

Quem ainda não casou que case logo: 
Uma nova lei do governo, prestes a entrar em vigor vai decretar que antes de poder fazer um casamento tradicional, com festa, vestidinho branco etc e tal, o casal tem que ter pelo menos 8 anos de união estável. 
E aí eu pergunto: quantos casamentos, no estilo tradicional, deixariam de acontecer caso isso fosse verdade?


Acho casamento um ritual bonito, de fato, mas acho que há algo de podre no reino da Dinamarca. A minha primeira objeção é que existe toda uma industria e um aparato subliminar pra reforçar essa idéia de querer casar de branco na igreja.

Ainda não é tão modinha no Brasil, mas dando um google rápido em inglês descobri 32 reality shows sobre casamento, i.e., o vestido, a noiva, a festa, etc, jamais sobre como ter uma relação saudável. Isso já diz muito sobre o quanto de energia investe-se de forma torta no assunto. As meninas de educação tradicional e careta são condicionadas desde pequenas de várias formas, em especial pela TV, a quererem realizar o "sonho" de casar de branco. Se uma mulher não tivesse investido tanta energia pra coroar o sonho de infância dela de ser a princesa encantada, com o vestido perfeito, o cabelo impecável e as flores mais lindas, em um dia especialmente dedicado a celebrar o fato dela ter conseguido ser "a pra casar", a que laçou seu homem, quanta energia ela não poderia ter dedicado a outras coisas, ou ainda que fosse a se dedicar a achar um companheiro compatível pra uma parceria pra vida juntos, ao invés de uma coroação do feito dela.

Minha esposa de colete vermelho.


Um casamento é um ritual que, dizem os que se casaram com igreja e festa, é um momento único: Noiva de branco com véu e grinalda, meio fraque pros padrinhos, a criança daminha mais fofa que os noivos conseguirem encontrar pra carregar as alianças,  chinelo com nomes dos noivos, adereços engraçadinhos pra descontrair na pista de dança, uma mesa de chocolate e chá, e outra separada com o docinho mais caro que seu orçamento puder pagar, e se for casamento que se preze, vai sempre ter alguém do cerimonial vigiando estas duas e todo o resto, porque existe a hora apropriada e permitida de se fazer tudo, inclusive festejar. Quantos casamentos "únicos" você já foi que teve um desses,  senão todos estes itens?

Não bastasse só o simples fato da deturpação do ritual em geral tão original e surpreendente quanto o Faustão, minha outra objeção contra o casamento é que ele é cheio de simbologias que reforçam o machismo. 

Pense que ritual sacana: a noiva, que é uma dessas moças pra casar, vem sempre de branco, pura, imaculada e virgem, mesmo quando todo mundo sabe que ela já deu igual chuchu na serra. Detalhe tão normal e natural, mera simbologia inofensiva que ao meu ver reforça subliminarmente a crença nada subliminar de que mulher "pra casar"( leia-se: ser sua companheira) é mulher virgem. Quanto mais rodada mais desvalorizada, fato. 
Os rapazinhos não querem necessariamente casar com uma virgem, mas ela não pode se afastar muito desse modelo machista da mulher pra casar virgem de brancoAfinal, as que deram muito ou que soltaram a periquita na primeira noite raramente serão "pra casar".

O pai da noiva entra sempre que possível com a filha e a oferece juntamente com o dote ao noivo, ou senão, pelo menos muito frequentemente paga a festa. Pensado de uma forma pragmática: eu vou te pagar pra você ficar com essa merda de cria fêmea... Se fosse macho não precisava perder essa grana. 

Na festa do último casamento que fui, tinha um grupo de machos já bêbados fazendo uma brincadeira interessante pra não dizer imbecil. Eles estavam bebendo cerveja que, ironicamente, é justo um produto escrotizador e sexualizador das mulheres abertamente. No mundo da birita, as gostosas são associadas ao produto, reforçando a posição da mulher objeto a ser consumido junto com a loira geladona, expressão que eu acho bem imbecil diga-se de passagem. Esse assunto já é bem batido e nem é o foco do texto, mas de novo, só pra ilustrar esse pequenos detalhes reforçadores do machismo que estão em todo canto e ninguém liga muito. Voltando ao assunto, ninguém liga pra nada quando esta bêbado de cerveja como o grupinho de boys. Eles olhavam as mulheres que passavam e diziam de acordo com os critérios mais escrotos: Essa é pra casar.

Se tem uma expressão que é vagabunda e babaca,  em especial contra às mulheres é:
Essa é pra casar.

O problema do modelo machista de casar na igreja, etc e tal,  é que as mulheres que são as mais prejudicadas, são frequentemente as que mais o reforçam. Expressões que são péssimas como "essa é pra casar" são quase ostentadas, desejadas por muitas mulheres como se fosse bacana, um super elogio. As mães propagam, os rituais e a cultura reforçam, as crenças populares reafirmam.

Quantas vezes já ouvi as cachorras, as preparadas e o baile todo achando que é muita onda dizer: "ah não , eu sou pra casar!" Quantas mães acham bonitinho que o filho de 5 anos é "namorador". Me diz uma que acha bonitinho a filha a ser "namoradora" ? Namoradora é um eufemismo pra vagabunda piranhuda, logo, cuide de sua reputação menina namoradora, se é pra ser vagabunda piranhuda, o seja na moita, case jurando ser virgem e faça como uma cara dura mór que eu conheci: na noite de núpcias, vá ao banheiro rapidinho e forge um sangramento de hímen rompido na sua xota larga.  

Não estou propondo que relações descartáveis sejam estimuladas, mas que haja um tratamento igual a "namoradores"e "namoradoras". Logicamente que este tratamento igual é fora de cogitação, afinal o homem pegador namorador gera o desafio adolescente de ser "a mulher", a que conseguiu laçar, segurar, e domar o moleque piranha. E ainda, como também já ouvi, o homem galináceo gera a curiosidade pueril de saber o que o gostosão tem de especial,  afinal porque tantas quiseram ele? Das duas formas dando uma forcinha pro machismo. 

Não é nada raro ouvir uma mulher falando de um galinha "ruim com ele pior sem ele" ou o que ouvi de uma mulher que era amante de um cara, "prefiro ele pela metade do que nada dele". Realmente né? O que seria de uma mulher sem um ou meio bosta ao seu lado, tadinhas de vocês. E afinal ninguém quer ficar e morrer sozinho,  então é melhor se agarrar mesmo ao seu bosta, porque existem mais mulheres do que homens. 

Essa frase é recorrente e é levada a sério por muita mulher, como uma amiga minha de 50 e poucos anos que sempre diz: "Tá difícil... Tem muito mais homem do que mulher no mundo". Além disso essa estapafúrdia é usada pra reforçar a crença de que está difícil conseguir alguém bacana por causa desta estatística. Ok, a estatística é verdadeira, mas pera lá gatona, qual é a relação do ânus com as calças? Como se esta estatística tivesse uma relação direta e precisa com homens e mulheres solteiros, e segundo,  como se o simples fato de haver mais mulheres significasse obrigatoriamente que uma mulher tem que se contentar com qualquer merda e agarrá-lo se ele quiser casar.

Eis aí algumas crenças que se propagam em especial pelas mulheres, sabe-se lá porquê, e que estimulam mais e mais homens a se sentirem no direito de ser babacas com essas pobres mulheres que só querem ser aquela mulher pra casar.

A Bruna Ex-Surfistinha, uma que jamais seria pra casar mas casou, falou uma frase interessante: O machismo talvez diminua, a prostituição e as traições talvez acabem quando acabar a hipocrisia de mulher pra casar e pra transar. 

Toda essa ironia e quase teoria da conspiração pode parecer exagerada e descabida, mas não acho lá muito desconectado da idéia muito comum até hoje em países como India e China onde bebes do sexo feminino são mortos frequentemente, pelo simples fato de serem fêmeas e não machos. A diferença é que nosso machismo é mais ardiloso, mais velado, e quando o machismo é mais sutil e já está tão arraigado na gente sob nosso prisma quase sempre etnocêntrico, um simples "essa é pra casar" pode passar facilmente batido e parecer inofensivo.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Sobre Confiar

Cena em um bar em 2040

Um homem entra. Vê uma mulher sozinha. Ela olha, sorri. Ele sorri de volta. Ele se aproxima.

ROBERTO - Oi, tudo bem, meu nome é Roberto, prazer.
JULIA - Prazer, Julia. CPF e RG, por favor.
ROBERTO - Opa, claro. Pode me dar só o seu RG que já serve.
JULIA (pensando) : Nossa que cara bacana, relax.

Parece surreal, mas o surreal não é assim tão diferente do que já vivemos hoje onde o que impera é que todo mundo pode estar mentindo, vai te decepcionar e não é confiável até que prove o contrário.

Há quem possa argumentar logo de cara que ser desconfiado é uma forma de "se precaver". Eu digo que esse "se precaver" onera nossa qualidade de se relacionar e além disso esse papo de "confiar desconfiando" é em grande medida uma maneira pessimista de encarar os outros seres humanos e esperar o pior deles.

Em especial quando você tem a experiência de um fim de relacionamento, de qualquer natureza que tenha sido essa relação, ou de se sentir traído por alguma razão, ou alguma situação que destrua suas expectativas positivas sobre o outro, você tende a perder um pouco da sua qualidade de confiar.


Confiar é se jogar.



Digo qualidade porque penso que nossa vida seria melhor se a gente conseguisse confiar mais fácil e frequentemente uns nos outros, só que de uma forma geral parece que o que permeia e dita nossas relações hoje é a desconfiança.

Terminei um namoro há alguns meses e percebo que em especial nestes momentos é muito comum você se endurecer, perder um pouco da sua capacidade de confiar e acreditar nas pessoas. Fazemos muito pra evitar nos expor aos riscos que possam nos decepcionar, o que inclui não confiar facilmente nas novas pessoas que você conhece. Me policio pra não ir por esse caminho. Mas a gente vive isso tão constante e implicitamente que naturaliza a desconfiança e não só nas relações afetivas.

Você chega em uma festa e não basta dizer seu nome, você tem que dizer de onde veio, o que estuda, trabalha, pra que time torce. Você vai ao banco porque quer mudar sua agência e não basta dizer que mora no Flamengo na rua tal, você tem que apresentar um comprovante de residência. Você conhece uma pessoa, e por mais que olhe ela nos olhos e que seu nome seja Franco, ela vai desconfiar de você. Sem falar em instituições nefastas como cartórios que servem dentre outras coisas pra provar como não confiamos uns nos outros, pra provar que o que eu estou querendo provar é verdade.

Lembro de um tio italiano que observou que no Brasil a política da desconfiança – e de provar que você é você mesmo, por exemplo –, é uma das mais intensas que já viu. Lembro como ele achou engraçado a quantidade de documentos que eu tinha: CPF, CNH, RG, Título de eleitor, Certificado de reservista, etc. Ele me perguntou: Pra que tudo isso? Respondi, Pra provar de várias formas que eu sou eu.

Talvez isso tudo pareça muito natural, mas não deveria ser. Não concordo com a ideia de que só porque algo é feito assim ou assado "desde a Roma antiga", a gente não deva questionar e tentar mudar. Me incomoda essa naturalização da desconfiança como orientador da nossa forma de viver em sociedade e de nos relacionarmos.

A questão é que o fato de você confiar ou não em um completo estranho ou em alguém que você está conhecendo não aumenta ou diminui a probabilidade dele ser um mau caráter. Se você lida com pessoas mal intencionadas elas continuarão mal intencionadas quer você tome precauções ou não. A preocupação é uma tentativa quase infantil, e repito, pessimista, de tentar se precaver de uma possível decepção. Por que ao invés de esperar o pior das pessoas a gente não confia e espera o melhor delas?

Confiar é se expor. É possível que vá se decepcionar. Mas é esse exatamente o ponto. Ninguém tem o poder de te decepcionar, o próprio verbo ja é reflexivo, você se decepciona. E aí vem a opção de se agarrar como um carrapato a essa decepção ou seguir em frente e continuar a acreditar, a confiar, e não catastrofizar um incidente isolado como se fosse a regra. E aí é que tá: confiar é um salto de fé. Você crê porque crê. Confia porque confia. E ponto.

Confiar assim também não se trata de ingenuidade, é uma decisão. Quem é sensível diz saber se pode ou não confiar pelo olhar, pela vibração da pessoa. Mais importante do que aspectos sutis do ato de confiar é saber que é uma escolha consciente que deveríamos tentar adotar com mais frequência.

Isso de escolher ser alguém que confia, me lembrou uma parábola em que um mestre está com seu discípulo e vê um escorpião se afogando em uma poça. O mestre tenta salvar o escorpião, e o bicho tenta picar o mestre. Isso se repete até que o discípulo, questiona porque ele está sendo burro de ficar tentando ajudar quem está atacando ele. O mestre responde: a minha natureza é de ajudar, a dele de me atacar, não posso mudar minha forma de ser por causa do que ele me dá.

Confiar é diferente de ser bobo ou idiota, porque você aprende sim com a situação anterior. A diferença é que você não fica fechado e com pedras nas mãos já esperando quem vai ser a próxima pessoa a quebrar sua confiança. Você confia porque quer, consciente dos riscos inerentes a se relacionar com o mundo. Sim, é difícil, mas viver em estado de constante suspeita e desconfiança deve ser algumas vezes mais limitador e pior. As razões de não ter acontecido o que se esperava são várias e variadas, vai saber... O que a gente sabe de fato?

Eu sei que a cada vez que a gente se decepciona e confia menos, a gente se endurece. Se endurecer é ter menos recursos pra lidar com o que a vida te traz, e se tem uma coisa que você sim pode confiar é que se você se endurece, a vida pode te dobrar. Se a cada decepção a gente se endurecer e ficar mais desconfiado já prevejo onde vamos parar em 2040.


Até breve, até o próximo salto de fé.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Grande beleza






Queria conseguir botar em palavras algumas coisas que sinto, algumas coisas de grande beleza. 
Um escritor aos 65 anos.
E os momentos de grande beleza.
Hoje eu vivi momentos assim,
Ela só come raizes pq raizes sao importantes.
Eu choro no taxi, talvez pela simples constatação de ter vivido hoje momentos simples.
Tomar um açaí.
Conversar na praia vendo o por do sol.
Uma caminhada tranquila pelas calçadas de Ipanema.
Um filme no cinema.
Momentos de grande beleza.
É só um truque, como a girafa que desaparece no ar, é so um truque.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Sobre um encontro com uma japonesa


Um dos países que eu mais quero conhecer é o Japão. Os japoneses me intrigam pelos seus silêncios, pelo mistério e contradição que são.  Falo disso, pq hoje eu encontrei essa japonesa, que me fez sentir coisas boas.

Digo encontrei não só pelo significado do verbo, mas pelo fato de que um encontro aconteceu. quando eu escrevo e vc se identifica e acha que me entendeu ocorre um encontro. Talvez vc pense, o que é que  há de sensacional em um encontro? daí eu te explico o que é de fato um encontro e no final vou fazer uma pergunta de duplo sentido.

como se pode notar pela minha forma de escrever, meu pensamento flutua, voa, varia e flui de um tema e usa hiperlinks e conexões consecutivas sobre diversos temas e palavras pra tentar expressar o que é ser ar e água no horóscopo e na mente.

 em um texto talvez seja mais fácil e compreensível, mas se fosse falando, vc poderia se irritar com minha forma de ser e ok, fazer o que? Mtos se incomodam com o fato de seu pensamento ser confuso, avoado e desconexo, só que quando um encontro com uma japonesa acontece , isso nao importa,  porque no que te dizem ser defeitos, vcs se percebem iguais em alguma medida e compreendem melhor a si mesmos, e o que é melhor, compreendem o outro. 

Num encontro com um japonesa, vc nao quer ser interessante, engraçado, animado, ter pressao baixa ou alta, vc é vc, cansado num domingo a noite. Se sente a vontade tanto pra falar, como calado 5 minutos caminhando pela orla e ouvindo o barulho do mar. Nao há a menor necessidade de preencher silêncios ou comentar algum comentário do outro, e a outra pessoa não só entende como faz igual.

Quando um encontro com uma japonesa acontece, vc nao precisa ser nada alem de ser vc mesmo, é vc com suas idiossincrasias de falar coisas com firmeza, ou de ter tido seus complexos com seu dedo de naja e uso de drogas que prefere nem comentar, é entender viagens de visão turva de ver pinguins no Arpoador, falar expressões como picada na veia e ter crise de riso, é saber ter problemas de comunicação, seja vc vata, pita ou kapha... Vc e a japonesa com coisas em comum e coisas diferentes, mas essa consciência e compreensão de que vcs dois, de fato sao 2, faz quase com que vcs pareçam 1 por alguns instantes.

quando um encontro com uma japonesa acontece, é lógico que vc quer um outro encontro, mas pensa que apesar desse texto, todas essas conclusões possam ser só devaneios, ilusões e percepções suas. ok, sem problema. Vc não se importa com isso pelo simples fato de que mesmo que seja tudo sua criação e que a japonesa não pense nada disso, vc se sente feliz porque um encontro de qualquer maneira traz o melhor de vc mesmo, um encontro te conscientiza sobre se amar e amar os outros por quem são, por mais cliché que isso possa soar.

e finalmente, vc não se importa se o encontro foi só pra vc, porque um encontro é estar cansado a 1:00 da manhã tendo que acordar cedo no dia seguinte, mas querer tentar te fazer entender, querer te fazer sentir ou pelo menos compartilhar esse sentimento delicioso de acabar de ter um encontro com uma japonesa.

E aí? rolou um encontro ou nao rolou pra vc que lê? e pra vc japonesa, eu pergunto: vamos nos encontrar de novo?


Vanilla sky no Arpoador e um pé divino.



sábado, 11 de janeiro de 2014

O dia que descobri que eu era lésbica

não sei o que deu na minha cabeça quando decidi escrever esse texto.



Nós homens somos bobos, um bando de idiota. Homem é tudo palhaço como diz esse ótimo site (http://tudopalhaco.blogspot.com.br/). Basta ver um decote, uma silhueta bem delineada ou um rosto delicado e simétrico que a gente fica de quatro. Somos obcecados por mulher. Falamos sobre mulher em 97% das conversas. Nos outros 3% falamos sobre o resto das coisas do mundo que a gente faz pra pegar mulher.

O dia que eu descobri que eu era lésbica foi no dia que reparei na menina da xerox e confirmei vendo "O azul é a cor mais quente". Eu percebi que gosto muito de mulher. Me identifiquei muito com as cenas entre duas mulheres ou só com os closes no rosto e boca e todo o resto sensacional da Adele Exarchopoulos. Seria impossível ficar 3 horas vendo aquele filme não fosse o fato da Adele sorrir, chorar, ficar pelada, gemer e falar em francês comigo em todas as cenas do filme.




Quando a Adèle me olhou assim e pediu pra eu roubar e matar minha mãe eu não tinha como dizer não.


Pelo meu encantamento pelo sexo feminino já fui chamado de galinha e de gay. Gay porque as vezes aprecio tanto que não consigo agir mesmo quando recebo sinais pra agir e galinha porque pareço encantado por todas. Porque a real é que toda mulher tem sua poesia, mesmo as 97%, como a menina da xerox, que não são a Adele.

Um exemplo dessa apreciação exagerada, foi o início de um namoro que chamei uma ex pra dormir no meu apê, ela morava longe. Ela, lógico, já achou que era só pelo interesse malicioso de sexo. Eu convenci ela que não era por isso, e não era mesmo e ela aceitou. Eu estava tão encantado por ela, achava ela tão linda e divertida e sagaz que não iria fazer algo que fosse contra o que tinha prometido e que comprometesse minhas chances de namorar essa mulher. Os homens muitas vezes, quando estão afim de fato de uma mulher, ficam puta cabreiros pra fazer sexo com a mina, meu. E assim foi.

Deitamos na cama juntos, nos beijamos, e mesmo com tesão não fiz nada. Pausa. Breve silêncio. 
Ela -Franco, posso te falar uma coisa? (eu já sabia que era merda) Eu acho que você é gay.

Por outro lado a questão de me acharem galinha vem por outro aspecto. A diferença de mim pro galinha é que este não gosta de fato de mulher. Ele acha que gosta e faz a mulher acreditar que gosta, mas no fundo não gosta, porque não sabe apreciar, além do que um típico galinha jamais ficaria com a menina da xerox.

O problema dos galinhas, é que em geral eles não querem se envolver, e quando se envolvem é pela metade e só porque querem comer ou beijar o maior número de mulheres. Parece que o cara fica querendo encher um poço sem fundo de baixa auto-estima ou de outras carências que tenta suprir com a pegação sem fim,  sem de verdade apreciar as nuances que só um olhar aguçado e mais romântico pode enxergar. Quando se fica na rotatividade e superficialidade constantemente é impossível penetrar uma mulher. Ok, penetrar soa como safadeza de galinha, mas mergulhar de cabeça é outra coisa. Com consciência dos duplos sentido eu prossigo, acho que você já me entendeu.


Mulher é uma coisa dos deuses. E do capeta ao mesmo tempo. São insuportavelmente chatas e maravilhosamente encantadoras pelo mesmo quesito: os detalhes.

Os detalhes são o que, não por cafajestisse barata, nem por sedução de micareta, eu já falei o que elas queriam ouvir e fiz elas se sentirem únicas, porque de fato todas elas são, e porque de fato achei isso, mesmo se tratando da primeira vez que a gente saiu. Eu não só falei, eu acreditei no que falei naqueles momentos, por isso pareceu tão verdadeiro:  porque foi. Se eu digo que queria ficar beijando e cheirando pra sempre, sempre foi verdade, por mais que eu e você saibamos que seria literalmente impossível, logo, tecnicamente é mentira. E dessa forma, por esse mal entendimento da minha apreciação, já me acharam galinha.

Quando conheci uma ex namorada, em plena quarta feira de cinzas, na minha "cantada", eu falava de amor, sentimentos e abrir chakra do coração e pedia: eu posso te amar por 30 segundos? Teve uma menina que saiu correndo. Outras tiveram uma crise de riso. Teve uma que me chamou de cafajeste, outra de galinha, safado. Entendo, mas não era Wandiagem minha. Essa ex namorada foi a única que topou, e de fato foi amada não só pelos 30 segundos mas por alguns anos,  o que de certa forma mostra que eu não queria só trocar saliva, senão não usaria esse tipo de approach que pode parecer cafajeste.

Já traí e essa única vez foi por um olhar. Ela não era mais bonita que minha namorada da época, não era mais interessante, nem mais inteligente. Mas ela tinha uns cílios longos e tiradas inteligentes, frases soltas e uma voz suave,  cada piscada e cada palavra me hipnotizava e me dava vontade de rir como um bobo por não ter outra melhor forma de expressar o encantamento que eu sentia.  Sim eu amava minha namorada e  ela era única pra mim, mas eu tenho muito amor pra dar e  se você visse aqueles cílios e aquele olhar com o meu olhar você entenderia meu encantamento. Não se trata de machismo, porque o que vale pra mim vale pra quem estiver comigo e o acordo que for estabelecido na relação, mas esse não é o ponto. O ponto é que toda mulher tem alguma coisa de pôr do sol que hipnotiza.

Vinícius já morreu e errou feio na sua de Receita de Mulher. Não existe receita. Não, não "é preciso que as extremidades sejam magras", nem "que alguns ossos despontem", nem "que haja um certo volume de coxas", e sim, nádegas é bom, mas não é "importantíssimo" como ele disse. Desculpa ae, mas essa beleza não é fundamental Vini. A frase dele deveria ser "as muito feias que sorriam porque beleza é acidental". Ninguém olharia pra menina da xerox e acharia ela uma gata. Eu ter achado ela linda é um acidente, acontece, o jargão que a beleza está em quem vê é verdade. Pode acontecer com qualquer mulher, porque todas tem alguma coisa, sem fórmula nem receita.

Sim,  a menina da xerox. Ela trabalha na xerox da Rua Farani e eu comecei a escrever esse texto por causa dela. Um dia esperando pra imprimir um projeto e lá estava ela. A menina da xerox é... estranha. Tem um rosto nada simétrico, queixo meio de Noel Rosa, anda meio desengonçada no salto alto, fala de forma estranha, nada articulada e tem as pernas muito finas, mas ainda assim com celulite pacas. Por outro lado ela tem uma voz deliciosa, uma melodia, está sempre cheirosa com ar fresco, tem umas unhas alongadas finas e lindas e um conjunto de pintinhas no braço esquerdo que me faz imaginar onde mais estariam outras dessas.

Mesmo as estranhas como a menina da xerox tem alguma coisa, um que, um cheiro, o cabelo, uma narizinho, as mãos, a nuca, um caminhar, o olhar, a forma de falar,entende? Eu gosto muito de mulher e sempre tem alguma coisa. É logico que ter uma relação vai muito alem de um detalhezinho simples como esses que eu acabei de descrever, mas mesmo assim pra provar e amar esse detalhes, mesmo que fosse só por uma vez eu acho que vale a pena estar com uma mulher.

Como franco que mais do que nunca tenho sido, estou pensando em falar com a menina da xerox que esse texto é pra ela. Ela pode não gostar porque o lindo e irritante das mulheres é que se eu me acho muito sensível, elas são 600 vezes mais. E daí seu eu chego pra menina da xerox e digo que o resumo disso tudo aqui é: você é feia, mas é linda. Pode ser que ela não se sinta muito lisonjeada.



Ontém bebi mulher demais e vomitei.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Sobre os finais

É inevitável, inadiável, irremediável. O ano acaba, tudo acaba e alguém vai sair da sua vida.

Quando alguém sai da sua vida porque você quis é necessariamente por uma decisão auto-centrada. Você pensa em si e por si, não existe forma alguma de precisar o peso ou alívio da sua decisão na vida da pessoa ou pessoas que você decide deixar. Seja porque você decidiu e assim quis, sem se interessar em nada por possíveis sentimentos ou apegos do outro, seja porque você decidiu e sim se preocupa com o outro, seja por um sentimento de generosidade levemente prepotente de libertar o outro pensando que poderia ajuda-lo a crescer, ou ainda que se diga que deixamos por amor ao próximo. Todas essas razões podem até ser verdadeiras, mas é sempre uma decisão interna sua, o outro não tem escolha nem controle algum sobre isso e só você vai ter que lidar com o aperto no peito de ver ela entrando no carro de outro as 22:30 da noite de uma quinta feira, logo depois de vocês terem terminado, ou o alívio dele não mais te pressionar por suas escolhas profissionais. As consequências dessa escolha, as delícias e as dores de ser o autor da sua própria existência fica tudo na sua conta.

Quando alguém sai da sua vida porque ela, i.e. a outra pessoa, quis, é você quem não tem escolha. Apesar de poder achar ou querer ter escolha quando o deixado em questão é você, apesar de talvez achar que por algum contrato de relação pré-estabelecido com "eu te amos", "até que a morte nos separe" e "viagens pré-programadas" não desse o direito ao outro de acordar numa quarta feira de céu azul em um apartamento no Flamengo e dizer que não te ama mais, como se um "você pode sempre contar comigo, meu filho" garantisse que ele não vai sair da sua vida num estalar de dedo numa noite fria em Petrópolis por causa de um câncer.

Não é exatamente pela outra pessoa que sai da sua vida que você sofre, mas pelas projeções do que poderia ser o futuro e os planos feitos com ela, pelo futuro construido no seu imaginário e que terá que ser demolido. É como se esse alguém estar na sua vida fosse algum tipo de garantia que fizesse com que este porvir fosse um pouco mais tangível, mais firme, sólido e assegurasse que esse futuro planejado de viagens pra China, ou Natais em família fosse sem falha acontecer caso a outra pessoa não saísse da sua vida.

Senão pelo futuro, as vezes é pelo apego ao que houve de memorável, especial e inesquecível no passado conjunto que se sofre. É como se de alguma forma o fato de continuar com esse alguém ao seu lado, na sua vida, fortalecesse uma existência menos ilusória desse passado de um dia que ela estava de faixa marrom na cabeça descendo lindamente a rua general glicério e você sorriu orgulhoso de ter uma mulher tão linda, charmosa e legal como sua namorada, ou nas lembranças de uma tarde viajando com ele conversando. Nem passado nem futuro existem, mas se esse alguém está na sua vida, existe a ilusão de que os dois são mais reais.

Um momento difícil de alguém que se vai, é lidar com os objetos. Objetos da pessoa que sai da sua vida trazem uma carga emocional de apego.  E o cheiro... Achei um casaco do meu pai que ainda tinha o cheiro dele, encontrei um pijama de uma ex que tinha o cheiro dela, foi quase como se eles estivessem ali.  Nestes casos em especial objetos são como lembranças sólidas, algo concreto (e ilusório) pra tentar se agarrar ingenuamente a esse alguém que saiu da sua vida.

Quando alguém sai da sua vida porque Deus ou algum destes acasos totalmente fora do nosso controle quis, é sempre uma crise. Penso em crise como a história do kanji da crise que é = perigo + oportunidade. Oportunidade porque por mais que um fim seja assustador, fora do nosso controle ou trágico, é como disse Boff, "a crise acrisola, purifica, tudo o que não é substancial e fundamental cai, fica só a substância". O perigoso, é que com a perspectiva que se ganha no distanciamento que só a ausência traz, quem parecia insuportável pode se tornar bem mais legal. Você conhece alguém que sinta saudade de aspectos que ela acha ruins de alguém? Você sente saudade das piadas, das conversas, do sexo,  dos cheiros e de tudo que é bom e se ilude pensando que a relação era só isso e a pessoa vira uma santa. Você não pensa "que saudade dela me enchendo o saco por ciúmes idiotas de eu ter brincado com uma loira bonita! Como eu adorava discutir por razões idiotas...."

E por mais que você pareça sofrer pela perda do outro, por esse alguém que sai da sua vida, no final, é o sentimento mais solipsista possível, você sofre por você e para você mesmo. É como se aquela existência da outra pessoa na sua vida tivesse alguma obrigatoriedade ou dependência com você, como se o mundo fosse parar em solidariedade ao seu sofrimento numa tarde branca de neve em um Thanks Giving em Nova Iorque, ou como se alguém, além de você dentro da sua bolha pessoal e única de idiossincrasias e interpretações de tudo que existe fora da bolha, pudesse entender através de uma conversa de 5 horas na Praça São Salvador, de um texto feito de palavras no Ornitorrinco, de uma peça que você escreveu, ou através de qualquer forma de tentar expressar tudo que está dentro de você, como se alguém pudesse realmente entender esse sentimento dentro de você. É um sentimento que você nutre por você mesmo, e não por quem se foi. Seu sofrimento, seu sentimento de abandono, sua incapacidade de aceitar mudanças, tudo seu.


Quando alguém sai da sua vida geralmente não é muito divertido, as mudanças e a tristeza que vem nesses momentos nunca são tão naturalmente aceitas quanto a alegria de um momento bom. Só que elas são importantes e lembram você que é necessário vivenciar o luto, luto de alguém que morre, real ou simbolicamente, de uma parte de você que morre, pra poder renascer. E um dos problemas é que todo mundo quer renascer, mas como se renasce sem morrer? E ninguém quer morrer. A gente quer se agarrar ao que quer que pareça seguro, mesmo que seja aquela corda que te impede de cair, mas que está amarrada em volta do seu pescoço.

Isso me lembra aquela parábola dos dois monges que vão atravessar um rio e chega um moça que pede ajuda para atravessar.  Um deles ajuda a moça, só que os monges faziam votos de jamais tocar em mulheres. Horas depois o outro monge vira pro que ajudou a moça irritadíssimo: Você carregou aquela mulher!  O outro responde, sim eu carreguei, mas deixei ela lá, você continua carregando ela até agora.

Por mais que não pareça feliz o fato de alguém que sai da sua vida por um acidente, que parece ser mais incontrolável que as duas "formas de sair" anteriores, ainda assim o único que temos que carregar é o livre-arbítrio de como lidamos com essa saída. Você não está condenado a sofrer ou ser feliz, (por pior ou melhor que pareça esse fim) você só está condenado a ser livre para escolher como vai lidar com isso.

Esse momento que alguém sai da sua vida, isso de chegar aos finais, é duro porque te lembra que você está navegando em um barquinho precário, à deriva e com um furo no fundo. Ele pode naufragar a qualquer momento, e vai invariavelmente naufragar, nesse mar cheio de vontades e correntes que é a vida.  Navegar é opcional e o mar agitado assusta, mas mar calmo não faz bom marinheiro. Eu escolho navegar.



As vezes alguém navega com a gente, mesmo assim é sempre cada um por si.


sábado, 7 de dezembro de 2013

Lulu, igualdade, o homem objeto e o revanchismo.

Mulheres vingativazinhas, cuidado com o Lulu é o que tenho pra dizer, cuidado com o que ele pode representar.

No início de uma aula uma aluna loira sexy, que é uma gata sedutora por sinal, veio com as boas péssimas novas: I saw your Lulu profile, your grade is 7,5. Lulu tells the truth, that's bad for you.

Levei 7,5 na Lulu? Eu mereço muito mais poxa vida. Estou triste com o Lulu. Buá. 

Eu sei quem foi a única pessoa que me avaliou, afinal em quase 3 anos que namorava, só me envolvi com uma pessoa num período que me separei. Não me surpreende que justo essa moçoila tenha feito isso porque ela foi rejeitada porque acabei voltando com minha atual ex, mas também porque ela fez com que eu me sentisse um homem objeto. Explicando brevemente, eu não queria fazer sexo com ela, a gente mal se conhecia, mas ela ficou pelada, me deu vinho e me induziu a fazê-lo, como homens costumam muitas vezes fazer com mulheres. Parece deboche, mas foi o que rolou: ela só queria me comer aquele dia e conseguiu.




A gata me comendo por trás.


Pode ser que me digam que é uma tendência natural do mundo, que hoje as mulheres tem mais possibilidades de exercer um papel ativo em suas próprias vidas o que as leva a se conhecerem mais e serem mais livres para se sentirem bem pra seduzir com vinho e comer um macho. Sim, pode ser isso, mas se for esse o caminho acho melhor mudar a rota, gatas.

As mulheres estão caminhando pro lado negro do que é ser homem, o que inclui coisificar as mulheres, transformá-las em objeto. Essa é a minha implicância maior com o Lulu. 

Poderia usar vários argumentos pra explicar porque esse aplicativo é idiota e nefasto, mas a principal é a nota. Alferir notas para um ser humano, seu senso de humor, forma de beijar e performance no sexo, é transformar em números experiências humanas singulares, é coisificar humanos.  Dizem que esse app é uma grande piada, só que já se sabe que pra muitos não é. Não só minha aluna levou em consideração eu ter 7,5, como também alguns amigos idiotas ficaram preocupadíssimos com sua nota e alguns processos estão rolando. Tanto é, que já existe agora o Lulu fake, em que homens tem a possibilidade de "melhorar a sua reputação em menos de 24h"(sic)! 

Que fique claro antes que alguma feminista ortodoxa me ataque, que o comportamento coisificador é péssimo tanto pra mulheres quanto homens e é disso que eu quero tratar aqui. Esse aplicativo, a dita busca por igualdade e o próprio feminismo podem ser caminhos bem perniciosos.


Novo lançamento da IKEA, homem-mesa.



A Juliana M. Dias em um texto no Ornitorrinco disse que "feminismo significa uma luta por igualdade. Não precisa fugir dessa palavra, ela não morde." Gostei do texo e do que a Juliana escreve, mas discordo. Sim fuja dessa palavra, ela morde. 

Entendo que por serem históricamente subjulgadas e diminuidas de seu potencial humano só por um cromossomo de diferença, as mulheres devem lutar por direitos iguais.  A real é que se o mundo tivesse mais pessoas humanas, conscientes e lúcidas essa luta nem precisaria existir. Não é o caso, e a luta tem que existir, o problema não é a luta.

A primeira questão é que feminismo é uma palavra etimologicamente nociva, já que -ismo pode ser tanto definido como doença,  ou como com conjunto de crenças e doutrinas de um grupo, religião, doutrina, enfim, qualquer uma das opções é uma furada. Mais uma doença? Mais uma doutrina? Mais religião? Acho que já estamos legal disso tudo.
   
A gente também sabe que em uma doutrina ou filosofia existem várias correntes, como as feministas roots que não raspam o suvaco nem usam soutien muitas vezes por uma simples radicalidade adolescente de subverter, ou as que querem associar o ato de lavar louça à serem subjugadas, ou ainda algumas várias auto-denominadas feministas das quais ouvi mais de uma vez essa semana, que o Lulu é muito bom mesmo, porque é um aplicativo feminista(sic) e além do que é isso que os homens sempre fizeram com as mulheres(sic). Como é? Tá bom, aí você pode vir com o argumento de que essas pessoas "não te representam", acho um argumento fraco e sobra pouca gente pra te representar viu? Mas ainda sim o buraco é mais embaixo.

As estatísticas estão mostrando que, no Brasil, a exemplo do que ocorre na maioria dos países, a mulher é maioria nas escolas, tira as melhores notas e vai aumentando sua participação no mercado de trabalho. De cada 10 novos empregos gerados na região metropolitana de São Paulo, 7 são ocupados por mulheres. Quando a Dilma Rousseff foi eleita ela já era  a 18.ª mulher do Mundo com um cargo de liderança de um país, hoje já são mais.

Porque  a luta feminista não foca nos resultados positivos também? 
As feministas não comemoram situações como a do relatório da reforma de Previdência em que as mulheres tem tratamento vantajoso em relação aos homens?

E já que é benefício ninguém discute o direito da mulher de se aposentar mais cedo. Por quê? Nesse caso não se trata de luta por igualdade mais? Ou eu não entendi o que é igualdade? 
Direitos iguais, ok, tem homem hoje que cuida dos filhos e lava a louça enquanto a mulher trabalha. Tem mocinha que ganha um salário decente e acha #umabsurdo #chatiada se o rapaz não oferece pra pagar seu motel? Ah não, motel e camisinha não dá! Oi?? Que igualdade é essa que gosta de ser chamada de sexo frágil e só quer igualdade quando é conveniente? 



Eu estou avisando que esse caminho de machificar a mulher é escroto.


Na força bruta em geral vai ser difícil das mulheres derrubarem os homens, não existe igualdade mesmo e sou a favor de gentileza e cavalheirismo sempre, mas no que concerne a força em especial. Apesar de todas as discriminações, é uma infantilidade conveniente esse negócio de se chamar de "sexo frágil", especialmente em termos de saúde, todos sabem que a mulher tem expectativa de vida maior que a do homem.


E esses argumentos todos são em especial porque eu questiono: Pra que usar o Lulu? As mulheres querem criticar o comportamento objetificador dos homens, agindo da mesma forma, ou seja, só vale o sexismo e objetificação se a vítima é mulher? Substituir o machismo pelo feminismo? Mais doutrinas? Radicalismos? Ou melhor, lutar contra o machismo com o feminismo e com aplicativos idiotas? 

Vejo que vamos substituir um conjunto de crenças que prega a superioridade masculina por um outro conjunto de crenças. Vejo que vamos passar de uma sociedade que privilegia e beneficia os homens pra uma que privilegia as mulheres através de aplausos pra comportamentos revanchistas, risadas pro que escrotiza os homens e consentimento na desigualdade se for pro que beneficia as mulheres. 

Tudo isso só faz aumentar a dificuldade de entendermos que somos todos HUMANOS antes de mais nada, somos todos gente, gente! Se tem de haver uma luta ela é contra o machismo e não necessariamente a favor de mais um conjunto de ideologias que toca em pontos importantes, mas  que  quer buscar igualdade a acaba que mais reforça a "guerra" dos sexos. Let's make love, not war. 
Direitos iguais sim. Busca de igualdade: não. Se lutamos por igualdade que não seja por revanche, que estejamos cientes que isso trará ônus e bônus, mas que não sejamos iguais no que há de pior do que nos difere, por favor. Homens e mulheres não são iguais. E que bom.


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Novo Programa do Governo - "Fora Daqui! causa polêmica, mas resolve.

Existem milhares de mendigos por aí. não sabemos de onde brotam, de onde vieram, só sabemos que são sujos asquerosos e fedorentos e deveriam ser mortos e triturados para serem transformados em sabão.

Esta seria uma possibilidade de acabarmos com dois problemas de uma vez só: 1- não termos mais que ficar cruzando com e vendo esses nojentos nas nossas ruas; 2- mais sabão que poderia ser usado pra limpar os pobres que fedem a manteiga ransa porque não tem dinheiro pra comprar sabão senão passam fome.


Ainda bem que tem gente que não pensa como eu e você, tem soluções melhores e se preocupa de verdade com esses porcos inúteis (os mendigos, não os pobres, neste caso).

o governo do estado em uma parceria super inédita com a prefeitura do Rio, lançou mais um programa para solucionar mazelas como esta. Inspirado em um quadro de grande sucesso do programa Cláudio Ricardo, "De volta pra onde você nunca deveria ter saído" o programa do governo, carinhosamente apelidado de Sujeira Zero, vai se chamar FORA DAQUI! e vai botar muito fedorento pra picar a mula, graças a Deus.


Absurdos como este não vão mais acontecer depois do Fora Daqui!


o novo programa do governo finalmente fez alguma coisa de bacana pros mendigos. o Fora daqui! leva eles de volta pra sua origem, pras suas famílias, ou pras ruas das suas famílias, bem longe das ruas do Rio. Caso o mendigo não tenha família, ou não saiba mais se é gente, não há problema. ele é cuidadosamente jogado no próximo município de menor distância do local em que ele foi achado.

E não é pouca bobagem esse programa não. Não bastasse toda a generosidade governamental, os xexelentos inclusive voltam de ônibus da prefeitura com ar condicionado. o ar condicionado na verdade nao funciona, mas são todos ônibus com ar.

esta sim, sem dúvidas, é uma bela medida do governo pra acabar com a sujeira nas ruas. pense você naqueles dias que está com sua esposa e um ser asqueroso desses passa te olhando, ou pior, pedindo alguma coisa, de ambas as formas se portando de maneira inconveniente.  assim, o Fora Daqui! que apesar de estar custando cerca de 60 bilhões aos cofres públicos nos poupa muito.

Primeiramente, o Fora Daqui! nos poupa de termos que dar um fora daqui! simbólico, muitas vezes gastando até R$5 em comidas ou esmolas. Também nos poupa energia e tempo precisosos que gastaríamos para nos esquivarmos desses chorumes humanos em uma caminhada circular mais longa, ou ainda, finalmente, nos poupa de visões desagradáveis na nossa rotina.

além disso, uma outra perspectiva interessante do Fora Daqui! é que ao ser carinhosamente despejado em novo logradouro, existe maior probabilidade do nojento maltrapilho ser notado e receber maior percentagem de esmolas/dia, justo por ser um elemento novo na paisagem.

O Ornitorrinco me mandou às ruas para perguntar aos mendigos o que eles achavam da medida. Graças ao Fora Daqui! não encontrei nenhum na Zonal Sul. na verdade encontrei um, mas preferi não perguntar.



Dois exemplos de obstáculos que não teremos mais que superar depois do Fora Daqui!



Um dos que encontrei, mas não terei mais que encontrar é um mendigo repugnante que fica perto do posto de polícia do Largo do Machado. muitas vezes ele fica simplesmente em pé, olhando pra diagonal, ao lado da banca, na direção da 2 de Dezembro. frequentemente ele ri olhando pro nada. ou ri olhando pras pessoas. dá no mesmo. eu achava que ele era louco porque frequentemente o olhar dele ia sem direção, mas parece que não é bem assim.

ele é cor marrom escuro, cor de chocolate amargo, olhos vermelhos, é levemente bochechudo, o cabelo tem uma coroa careca, um buraco no topo da cabeça, quatro dreads de 20cm de largura e de tamanhos diferentes e sempre com resto de folhas secas ou comida. as roupas são pretas, ou estão tão sujas que parecem pretas. a lateral da calça está tão rasgada que dá pra ver o pau dele de lado. ele fede. fede bastante.

Muitas pessoas como você e eu, passam e, simplesmente passam. não tem uma reação de "oh! que nojo", ou, "nossa! que fedor", ou "meu deus, dane-se esse ser". nenhuma dessas. não há mais reação. e assim temos aí mais uma contradição nos que foram contra o programa, afinal porque eles se incomodam com a remoção de lixo se eles mesmo nem viam este lixo? Não é absurdo? eu mesmo só prestei atenção a este bicho e anotei todos estes detalhes por puro prazer jornalístico e compromisso com o Ornitorrinco.


essa sensação de ser um fantasma, uma alma penada vagando, sem saber que está morto, e de fato,  ele fede como um defunto apodrecendo, mas não está morto. ele está muitas vezes ali, em frente à galeteria, em pé, vivo, olhando o fluxo de pessoas. bom, agora com o Fora Daqui! não estará mais. ufa!


Um exemplo de gastos desnecessários que o Fora Daqui! vai nos poupar.





finalizo pedindo perdão, caríssimo leitor. sei que usei palavras e vocabulário chulo e posso ter ofendido, peço perdão. mas o fato é que falar morador de rua é só uma desculpa, um eufemismo pra atenuar nossa culpa, porque morar não é bem o caso aqui né? a mesma culpa implícita daqueles dois reais ou aquele salgado com refresco que você tinha que pagar antes do Fora Daqui!, mesmo que não tivesse vontade real de pagar, mesmo que na verdade fosse só para que aquele ser de mau gosto saísse do seu raio de visão. sei que fui um pouco duro nas palavras e usei da agressividade pra falar desses coliformes fecais gigantescos, peço perdão se causei raiva e indignação acima de tudo.

No entanto,  convenhamos, meu nobre e caro leitor, se eu e você realmente estivéssemos indignados com a situação destes pobres seres asquerosos, acho que estaríamos fazendo muito mais do que um texto chamando a atenção pra estas pessoas, no meu caso, ou lendo e se indignando com minhas palavras ironicamente duras, no seu caso.

Um grande beijo e Fora Daqui! neles!



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Sobre segredos, olhares e o Maicom



lembra do maicom ? o maicom que é de paracambi, interior fluminense, com a queixadagem dele de chegar ali assim, de cueca, me fez refletir sobre segredos, sobre olhares.

os olhos do maicom estavam vermelhos e nao escondiam muita coisa, mas com aquele olhar perdido e meio boçal, maicom leu o meu olhar. uma coisa (que eu nao falei) foi que quando ele perguntou se vcs estavam sozinhas, maicom, em toda sua rudimenteza garoto de cuecas da cidade de Paracambi, leu nos meus olhos, no olhar que lancei pra vc naquele momento que tinha alguma coisa secreta ali. eu falei que nao estava com ninguém, mas ele insistiu confirmando com o "ãhn" característico depois de cada frase junto com o sorriso psicopata: "aquela ali (vc) é sua né? ãhn?" eu insisti que nao, e ele disse que eu "tava de caô - ãhn?"  eu ri e ele me perguntou o nome da outra e o resto da história vc já sabe.

o olhar, os olhos, o que se esconde por trás... gosto da sensação de eu, sozinho aqui, com minhas idiosincrasias e visões de mundo secretas, pensando e escrevendo sobre o que vc me causa.

gostei de escutar suas visões sobre uma festa de aristocratas em Ipanema olhando no fundo do seu olho, e por 5 segundos que duram 3 horas esquecer que eu estou no trânsito de copacabana e imaginar: será que ela imagina o fascínio que ela exerce nesse momento?

gostei caminhar atrás da sua figura numa trilha com uma luz linda, chapado que parecia um sonho e de chegar perto o suficiente da sua nuca pra sentir seu cheiro, e vc me olha,  inocentemente, (ou talvez nao pq vc nao acredita em incocências né?) sem vislumbrar que I have butterflies in my stomach.

gosto da surpresa de acidentalmente achar uma meia (cheirosa ainda por cima... sim eu cheirei. hahaha)  no meio dos meus travesseiros, e de acordar pra dar aula e ver vc agarrada no meu edredom com a boca aberta e cara de troncha, e estando na aula aqui agora, escrevendo no celular enquanto essas alunas nao fazem idéia que eu penso nisso tudo.

continuo levando em consideração as coincidências secretas que pra alguns podem ser estúpidas,  como vc achar pontos comuns entre eu e sua última paixão, de termos histórias parecidas (mas eu com inteligência emocional, desculpa ae, seu ex burro), como os nossos copos azuis do vinho serem os únicos pares no domingao do salmao, como nossa forma preguiçosa como eu e vc falamos, como o pingente de coruja que acorda misteriosamente na minha cama em Petrópolis, como as figas no nosso peito, e a sincronicidade de vc estar aqui presente justo num momento de virada tão bom da minha vida. e de fato são baboseiras, mas ao mesmo tempo sao fascinantes.

vc falou que algumas relações suas tinham algo de secreto e por tudo que eu falei aqui entendo o fascínio desse poço. gosto muito de te olhar. ponto. mas gosto muito do fato de te olhar depois de vc ter lido isso, te olhar com meu sorrisinho no rosto que diz: eu sei que vc sabe, vc sabe que eu sei. só. eu e vc aqui compartilhamos esse segredo, de saber que vc nao fala nada, mas sabe muito do que tem por tras do segredo do meu olhar. algumas pessoas percebem que tem algo no ar na cozinha de yakissobas e pipocas e perguntam, a namorada dele no ano passado, a minha roomate dessa vez. mas saber? só eu e vc.


prefiro acreditar que sim, algo além desses olhares secretos vai acontecer entre nós. mas nao depende só de mim e como falei domingo e acabei de te dizer depois que vc queimou seu pão: fogo baixo Mulher! fogo baixo deixa as coisas mais gostosas ao contrário do que o Maicom pensa. e tb nao pense que escrevo esse texto só com essa finalidade de que algo aconteça além de olhares. escrever é de alguma forma uma maneira gostosa de tentar encontrar palavras pra esses segredos por trás do meu olhar. escrever é uma maneira de tentar imortalizar, ou sei lá, tornar mais sólido e palpável o que vc me causa. escrever isso é ser franco, comigo e com vc. poderia e ainda pretendo te falar tudo isso, mas além do fato de vc ser claramente uma bocó tabaroa mór pra receber elogios e ouvir coisas desse tipo, as palavras não ficariam registradas, gravando esse instante, que na pior das hipóteses vai ser só um texto sobre o meu olhar fascinado por uma mulher.


sábado, 7 de setembro de 2013

Você tem medo do bicho papão. Tem sim.

O programa que multa os porcos que jogam resíduos no chão, chegou à Copacabana, a famosa princesinha do lixo. Copa é bairro com maior concentração de xexelentos sem educação do Rio. Tanto é, que se o mundo acabasse por uma guerra nuclear e só sobrassem as baratas, como reza a lenda, Copa seria a capital mundial das cascudas, que poderiam zoar demais nos montanhas de coco de cachorro ou montinhos de lixo e resto de comida nas calçadas. Esse Lixo de Programa Zero, digo, Programa Lixo Zero vai arrebentar a boca do balão em Copa depois de multar quase 500 pessoas em uma semana de funcionamento só no Centro da cidade.

Ok, já se sabe que limpar a sujeira dos nojentões que é jogada no lugar errado custa caro; aproximadamente R$ 600 milhões por ano. De acordo com a matéria do G1 hoje,  se fosse possível reduzir em apenas 15% a quantidade de lixo, o dinheiro economizado seria suficiente pra que o governo não construisse 30 clínicas da família ou 22 creches ou 1.184 casas populares,  pra abrigar pessoas mal educadas, nos dois sentidos possíveis da pouca educação.


Aí você ansiozinho que lê meu texto, pode estar pensando, que cara babaca e preconceituoso. E além do mais vai fazer o que, bater palma pra que faz isso? 

Primeiro de tudo, se você tá lendo esse texto a real é que dificilmente vai morar em casa popular, e apesar de se achar acima da carne seca, também joga resíduo no chão, e se não faz, algum amiguinho seu faz e você não fala nada. Se você é fumante, existe 90% de chance de você jogar sua guimba no chão. Mas guimba tá ok né? Porque não suja, é microscópica e evapora quando entra em contato com o solo. E aí, a pergunta que eu faço pros fumantes que flagro fazendo isso é: você jogaria essa guimba no chão da sala da sua casa? Eo coco e o xixi do seu cachorro, poderia fazer no pé da sua cama? E esse chiclete jogaria no chão do seu banheiro? Pra sua informação chiclete não vira asfalto e gruda escrotamente na sola do pé quando o chão tá quente. Quem nunca pisou em um que atire o primeiro chiclete.

Acontece que educar e conscientizar dá trabalho e o resultado só vem bem depois da próxima eleição. Já punir é lucrativo pacas e tem resultados tipo miojo, instantâneo! wow! E aí eu pergunto: você acha que o porcão que joga lixo no chão vai pensar, "poxa, não vou jogar porque sujo a cidade, posso entupir bueiros, porque provoco gastos, dentre outros males que causarei para a linda manada de pessoas que estão interconectadas à mim nesta sociedade?" 
Agora lança uma multa de R$157 na lata dele pra ver se ele não muda! ( R$157 pra resíduos iguais ou menores ao tamanho de uma lata, maior que uma lata e menor que um metro cúbico R$392, e maior que um metro cúbico até R$3000!) E lança essa multa nos cofres públicos pra ver como o sorriso não aumenta.

E aí é que tá o ponto, as coisas mudam, mas é só na casca.  O cara que joga lixo no chão é sem noção. Ele deixa de jogar, pelo medo da punição que dói no bolso e não por entender as consequências da xexelentisse dele.  Existe uma ilusão de mudança, mas não conscientização, entendimento. A psicologia e a sociologia provam que caso não exista fiscalização, punição, o cara muito provavelmente vai voltar ao antigo comportamento.

Em 2012 foram recolhidas 1.225.690 toneladas de porqueira, equivalente a três estádios do Maracanã de lixo. Ok, algo tem que ser feito. Mas é sempre na base da punição? Nunca na educação? Não que não existam campanhas, mas são esporádicas, sem criatividade e sem recorrência. Como uma que vi no metro do Rio esses dias. Um desenho muito escroto de um cara azul com um sorvete na testa dizendo: Quem joga no lixo no chão é zé mané! 
"Eu é que não quero ser zé mané, eita! Vou parar de jogar lixo no chão!"
Pelo amor de Deus, tá de sacanagem com a minha cara né?

Poderia dar milhares exemplos dessa distorção que o medo da punição causa, mas o clássico é  "bota o cinto porque senão o guarda vai te multar." Não é bota o cinto porque se a gente bater você pode morrer ou ficar tetraplégico e tá fudido pra se locomover e viver de foram digna no Rio com essas calçadas esburacadas e sujas, ou melhor, um pouco menos sujas agora com o Lixo Zero. E aí, se nã tem guarda, é muito comum a pessoa não usar o cinto.


Esse tipo de cultura da punição dessas leis e programas do governo, me lembra muito o que algumas mães dizem quando tem preguiça ou não tem intelecto e psicologia pra dar uma explicação razoável pra criança fazer o que ela pede. "Olha só, meu filho, não pode fazer isso porque senão o bicho papão vai te pegar tá?" Ou então, "Faz isso porque senão o Papai do Céu vai ficar zangado com você." Essa é a mensagem subliminar que o governo passa com medidas do tipo Lixo Zero.


No final das contas, eu escrevi esse texto reclamando disso tudo, da falta de educação nos dois sentidos. Conclusão que acabei de ter é que eu estou errado. Eles estão trabalhando sim educação, educam as pessoas de forma infantil.  E você seu porco, não joga mais sua guimba de cigarro no chão, porque senão o bicho papão vai te pegar...
E cobrar R$157 por isso.
O Lixo papão em ação, atacando um "cerdito"