quinta-feira, 26 de junho de 2014

O desapego e duas mulheres que eu conheci

Adoro observar as pessoas e seu comportamento. Adoro igualmente me observar. Em pouco tempo as duas, a figurinista e a modelo foram foco da minha observação e fizeram com que me observasse muito e aprendesse muito.

Já me envolvi em relacionamentos de todo tipo. Já morei com mais de 20 pessoas diferentes em lugares variados desde que saí da casa dos meus pais com 18 anos pra morar em NY. Já fiz variadas terapias e já frequentei religiões e cultos diferentes. Recebi muita gente de Couch Surfing em minha casa, com algumas me envolvi. Já perdi parentes e amigos próximos.

Conto isso porque estas situações de conhecer e viver com tantas diferentes pessoas foram ótimas oportunidades de autoconhecimento. Paralelamente, sinto que tantas mudanças, experiências e tantas pessoas que amei, e amo, entraram e saíram da minha vida e me ensinaram muito sobre desapego, sobre perceber que tantas vezes não se tem escolhas sobre quando e quem sai da sua vida. Além disso, estas experiências me ajudaram a discernir quem realmente me causa interesse, quem acredito que tem a ver comigo, quem gosto já de cara e de quem gostaria de me apegar. 
Linda a modelo é, mas a beleza tb passa. Melhor desapegar.


É evidente minha admiração e encanto pelo sexo feminino e por algumas mulheres em especial. É o caso da figurinista e da modelo. Além de descendência italiana, ambas têm características que me encantam: uma beleza simples e uma simplicidade linda de garotas que vem de cidadezinha do interior. Como se não fosse tudo, as duas mencionaram uma palavra em comum: desapego.

A figurinista é de Piumhi, ela é mignon, e a estrutura pequena inversamente proporcional a sua atitude. É irônica, de humor inteligente e rápido, se veste com muito estilo sem exagero, possui um perfume natural de maracujá com maçã que mistura com um artificial que dá vontade de cheirar, lamber e morder o corpo dela todo, um cabelo que dá vontade de cafungar com todo cuidado e depois puxar com selvageria, e uma nuca hipnotizante que quando ele prende o cabelo me desconcentra na gravação. 

Eu casaria fácil com essa mulher, ela gosta de frio e tem espírito de gordo como eu, entende minha ironia no olhar, acordaria todo dia cheirando aquela nuca, sorrindo junto com ela que também acorda de bom humor. Ela, no entanto, acaba de sair de um namoro longo que a traumatizou e de outro em sequência porque o cara queria casar. Aliado a uma situação relacionada a saúde, fez ela ter medo, ojeriza, ou sei lá o quê, de se envolver e aprofundar suas relações amorosas e enfatiza isso o tempo todo. Ela fala em desapego.

A modelo é de Pérola, ela é tímida a princípio, mas falante, assim que se sente à vontade. Ela conserva seu ar de garota do interior que a deixa com um charme ímpar. É alta na medida exata, e tem uma postura ereta que chama atenção desde longe. Fecha os olhos quando ri, mostra os dentes num sorriso perfeito e fica com covinha maior do lado direito que do esquerdo, uma assimetria deliciosa. Tem senso de humor e entende rápido o que é piada com um sorriso de boca fechada de estilo Monalisa. Falando em boca, a dela é de Angelina Jolie e se se for bobo ou facilmente distraído não se ouve uma palavra perdido no abre e fecha junto com sua cara provocante de Lolita, de novinha - que é - mas tem maturidade e atitude de mulher. Isso tudo estando ela cansada e acabada de 300 horas de viagem numa segunda feira no terminal rodoviário Tietê às 6h da manhã. 

Eu casaria com essa mulher, eu beijaria eternamente aquela boca e viajaria pelo mundo de mãos dadas com ela. Mas ela viajou muito, já morou em Paris, NY, Milão, e falou da frieza das modelos que moram com ela, de que viajar tanto, te faz ficar mais frio mesmo, é melhor evitar se envolver. Ela falou disso como sendo desapego.

Descrever essas duas mulheres é um pouco tentar explicar, ilustrar a minha admiração, desejo e interesse por elas, para chegar no ponto principal desse texto. Descrevi as duas não porque são mulheres interessantes, lindas e deliciosas, mas porque tocaram, de maneiras distintas, logo de cara num ponto chave do texto e da vida pra mim: desapego.

Em muito pouco tempo as duas me fizeram sentir coisas boas e o desapego começa por aí. Quando se trata de algo que não te faz falta ou que você não considera bom, não há desapego.

Para você modelo, digo que pra haver desapego há que ser bom, ter calor, querer, porque afinal, que desapego existiria em deixar pra trás algo que não te fez sentir nada de bom? Algo que você não liga em largar? Pessoas que você não desejaria aproveitar a presença em sua vida? Aí reside o desapego: aproveitar o que existe, quando existe, mas não lamentar quando não está presente, e não se desesperar por sua ausência. Por mais que seu destino de modelo seja incerto, cheio de possíveis viagens e desfiles, me diga: qual futuro está escrito em pedra? Quem pode com absoluta certeza dizer que daqui há seis meses estará aqui ou lá? 

Desde que voltei de NY, estive sempre na iminência de mudar de cidade novamente. Por oito anos estive no Rio e se você me perguntasse em fevereiro desse ano eu não teria razão alguma para imaginar e dizer que hoje, em junho, eu não continuaria no Rio. E, no entanto, estou vivendo em São Paulo. Imagine você quanta coisa sensacional com tanta gente maravilhosa teria deixado de viver caso me abstivesse, me precavesse da possibilidade de mudar de cidade.

E minha cara figurinista, você me fala do caso de saúde e de como só através dessa situação você passou a pensar que tudo podia acabar, simplesmente assim. Mas me diga, quando é que tudo não pode acabar simplesmente? Quando é que houve alguma garantia que você, eu ou qualquer um, vai viver o dia de amanhã? Para morrer, basta estar vivo, dizia meu pai, falecido há 12 anos. Eu tenho que te dizer que desapegar não quer dizer não se apegar, pelo contrário, quer dizer ter muita vontade de se agarrar e até se agarrar de fato, mas saber deixar ir, é a vontade de guardar na prateleira, mas mostrar para o mundo, é gostar tanto a ponto de não querer usar para não gastar, mas usar a ponto de quase desperdício. Desapegar quer dizer se apegar muito e com todas as suas forças mesmo que só por um segundo, para no segundo seguinte, saber desapegar.

Não há desapego se não houve apego, figurinista, não há do que desgarrar-se se não houve aprofundamento, se não há raízes na relação a ser deixada pra trás, não há desapego algum se a gente fica na superficialidade.

O desapego não é triste. Pelo contrário, é feliz. É saber que aquele momento é só aquele momento, e aí desapegar não é ser frio e não sentir, pelo contrário é sentir mais e mais intenso pela consciência que aquele momento com aquela pessoa é sempre único, mesmo que se repita. É aquele ensinamento que diz que um homem não pode entrar no mesmo rio duas vezes, nem o homem nem o rio serão mais os mesmos. E assim você não reclama e chora tudo o que você não viveu ou não poderá viver com a modelo ou com a figurinista, mas agradece e aprecia cada segundo que tem, teve ou terá, junto a estas pessoas ou momentos aos quais você gostaria de se apegar.

O que acontece é que as expectativas que se criam são uma forma de apego. Eu não estou apaixonado por nenhuma das duas, mas eu vislumbro claramente o quanto de possibilidades maravilhosas eu gostaria e poderia viver com essas mulheres. Só que se me irrito, me entristeço ou me revolto, uma vez que o que esperava e imaginava não acontece, é não saber desapegar. É uma forma de apego a essas projeções da minha cabeça, esses possíveis futuros. Tenho e busco os meus objetivos, mas consciente de que não depende apenas de mim e do meu querer. Pode vir a ser diferente do que esperava e, assim, procuro desapegar das minhas expectativas, estar sempre aberto pra acolher o que venha a acontecer.

Eu sentiria inenarrável, indescritível, prazer caso me relacionasse de forma um pouco mais profunda, intensa e "apegada" com uma dessas duas mulheres incríveis, mas o significado, os propósitos e a alegria da minha vida não mudariam caso eu nunca mais as encontrasse. Talvez isso soe mal, minhas caras, mas não achem que é cuspir no prato que comeu, pouco caso, arrogância ou soberba. Sou agradecido a vocês. Vocês também me ensinam um pouco mais sobre o desapego.


quarta-feira, 11 de junho de 2014

Ponto de vista: Uma breve história sobre porque a greve dos metroviários em SP é maravilhosa

Esse título é uma mentira proposital. O texto não é exatamente sobre a greve e não acho greve uma coisa maravilhosa, mas ao mesmo tempo acho que esta greve  está sendo maravilhosa. Esse título é pra ilustrar o ponto real desse texto: ponto de vista.




Você pode começar já lendo esse texto e pensando, que escritor babaca e manipulador, eu quero ler sobre a greve e o cara mente assim, vai se fuder, não vou mais ler essa merda. Ou você pode pensar, que interessante, chamou minha atenção de forma criativa, eu quero ler sobre a greve, mas me surpreendeu, gostei.

Um ponto de vista é a visão de alguém sobre um determinado ponto. Um filme já velho que fez muito pouco sucesso, mas que eu adorei pelo argumento que sempre tentei usar pra minha vida é Melinda Melinda, do Woody Allen. O filme mostra como um pouco isso do texto: toda história pode ser uma tragédia ou uma comédia, depende de como ela é vista. Eu prefiro optar pela comédia.


A história da greve dos metroviários pra mim é maravilhosa e vou explicar o porquê, mas minha saga começa antes. Estava no Rio no domingo e meu ônibus para São Paulo era 23:30. O ônibus de 23:45 já estava saindo e nada do 23:30. Os passageiro começaram a se revoltar. Tem gente que gosta de reclamar e esbravejar. Parece que precisa disso. Os passageiros de 23:30 eram assim. Um chutou uma lixeira e esbravejou, outro ficou indignado e já falou em processar, outros atacaram o motorista de outro ônibus da mesma empresa. Resolver a situação, tentar buscar uma solução concreta, eles não queriam, queriam reclamar desde como o Rio é uma desorganização terrível, como o serviço é uma bosta,  como a rodoviária é precária e desorganizada, até como é um absurdo aquilo acontecer em plena copa e por isso Brasil não vai pra frente e esse blablabla derrotista já tradicional. Tem algum sentido o que eles diziam, sim, pode ser, algum. Resolveria nossa situação ou melhoraria o serviço da empresa e a rodoviária? Não.

Não sou contra reclamar e exigir seus direitos, o problema que vejo é que os reclamões incorrigíveis reclamam e ficam mau humorados quase que por um vício, uma necessidade e não buscam soluções concretas pro que os incomoda. Os reclamões do ônibus das 23:30 só queriam reclamar e fazer um ping pong daquela energia de raiva e indignação deles alimentando uns aos outros, ou se possível passando ela pra alguém, no caso o supervisor da empresa de ônibus. O supervisor por sua vez prontamente absorveu a raiva, falta de educação e ódio, ficou puto e decidiu não ajudar em nada ninguém ali, ironizando e lavando as mãos. O que as pessoas falham em entender é o quanto reclamar e ficar ranzinza é infrutífero. O supervisor, que também é um ser humano e estava trabalhando domingo quase meia noite, dificilmente iria reagir bem á pessoas agressivas reclamando de quão bosta é o serviço da empresa e o quão bosta ele era por não saber o que tinha acontecido com o ônibus das 23:30 e o porquê do atraso. Acho uma perda enorme de energia a reclamação viciada, penso que sempre é possível olhar para um acontecimento fora do seu controle por um viés positivo e tentar achar uma solução pra situação.

Eu fiquei tranquilo e bem humorado, o que não tem remédio, remediado está. Tentei acalmar os nervos dos passageiros que iriam comigo no ônibus, não adiantou. Todos iriam perder alguma coisa ao ficar no Rio, se eu perdesse o ônibus eu ia perder a gravação do dia seguinte, mas ia ficar mais uma noite no Rio, que eu poderia ver como algo bom. Na realidade, querer eu não queria ficar mais um noite no Rio, mas adiantava se debater, se revoltar e se degladear contra o que a vida te trás? Acho válido a gente sempre tentar buscar o que a gente quer, mas caso não consiga, melhor abraçar e acolher o que a vida te trouxer.

Sendo assim, fui tentar resolver a situação com educação e bom humor. Brinquei com uma atendente, pedi se ela poderia nos ajudar porque a gente tava morrendo de saudade de voltar pro concreto, pro trânsito que estava mais maravilhoso em São Paulo com a greve, ela riu. Resultado: botou eu e mais 3 pessoas menos ranzinzas que vieram comigo num ônibus leito, que é o dobro do preço e o triplo do conforto do que a gente iria as 23:30. Meu ônibus saiu 23:53 e da janela deitado vi o grupo de reclamões esbravejando com outro funcionário da empresa.

E eis que chego na concrete jungle de São Paulo. Segunda-feira 6h da manhã. Greve dos metroviários continua. Terminal rodoviário Tiete congestionado, caótico.  A fila do taxi era de quase 2 horas ou mais de espera, a última vez que vi uma fila desse tamanho foi quando o Flamengo foi campeão braseileiro em 2009. Eu poderia ficar puto e reclamar da greve, da falta de opção de sair dali, da desorganização e despreparo, do roubo dos governantes como os novos reclamões que fizeram um sanduíche de mim na minha frente e atrás de mim na fila? Poderia se esse fosse meu ponto de vista. Mantive o bom humor e fui achar uma solução. Sugeri ao organizador da fila que reunisse pessoas com o mesmo destino ou direção. Resultado: a fila começou a andar bem mais rápido, estranhos se conheceram e começaram a ficar menos ranzinzas na fila e voltando da sugestão ao funcionário do terminal, encontrei na boca da fila, á pouquíssimas pessoas de pegar o táxi um amigo de escola de Petrópolis, que já estava na fila há 1:50, e ia na mesma direção que eu. E assim, aquela fila que poderia ser vista como algo tenebroso causado por uma greve cretina, desapareceu. Não esperei nem 10 minutos pra pegar o táxi.

Agora no taxi, ainda tinha o trânsito infernal pela frente que chegou a centenas de kilômetros nessa segunda, li que é o pior em 20 anos.  Só que um detalhe que esqueci propositalmente de agregar:  no meu passeio até o organizador no início fila kilométrica, vi uma mulher linda com cara e porte de modelo, que era de fato modelo e estava onde? Ali, com o meu amigo, porque ela teve a mesma idéia que eu e ia na mesma direção que nós dois. E de repente aquelas horas de trânsito que poderiam ser vistas como infernais, que foram causadas pela greve "escrota", viraram horas de oportunidade de conversa agradável com um amigo de longa data e uma modelo que além de  gata, era doce, simples e simpática, uma pérola de Pérola no Paraná. Tudo por culpa dessa greve maravilhosamente escrota.

Não sei se optar por um ponto de vista com bom humor e ser otimista faz tudo parecer dar certo mesmo quando dá errado, ou se tudo dar certo é consequência deste ponto de vista positivo. Fato é que venha antes o ovo ou a galinha, viver assim é bem mais fácil. E eu prefiro viver de forma mais leve.

Estando eu leve, não foi problema carregar a mala pesada da modelo quando descemos do taxi, que pra melhorar tinha dado até ali R$57, que nem eu, nem a pérola brilhante do Paraná, tivemos que pagar um centavo porque a empresa do meu amigo reembolsa ele.  Fomos pegar o metro na estação Clínicas, que estava aberta(?!). Me informo pra saber se está funcionando sentido Vila Madalena, o atendente diz que sim. Ele deu a informação errada, entro passo o cartão e vejo que está fechado no sentido Vila Madalena. Gasto uma passagem á toa. Poderia me irritar e ir reclamar da falta de atenção e idiotice dele, ao invés, me despeço da pérola, recebo o contato dela de bom grado e sorridente, agradeço ao atendente burro e retifico a informação errada que ele me deu. O trânsito está completamente parado na chega da Paulista. Filas caóticas de ônibus.

Culpa dessa greve. Impraticável. Decido ir a pé pra casa. Mas o dia está lindo, o clima está agradável, acabei de pegar o telefone de uma mulher interessante e uma caminhada de 30 minutos não é tão longa, vai ser bom pra pensar um texto sobre essa jornada que começou ontém 23:30. No meio do caminho, a pé, na ponte do Sumaré, acho uma nota de R$50 no chão.


domingo, 25 de maio de 2014

A gente precisa conversar sobre os gansos.

Meu amor, a gente precisa conversar. Não quero terminar, nada assim tão sério. Eu queria conversar sobre o ganso do vizinho. 

Outro dia eu estava andando perto do laguinho ali do vizinho e o idiota do ganso dele me atacou. Não, ele não estava protegendo a prole, a gansa dele morreu já tem um tempo e os filhos foram doados. Acho que ele não tem mais o que fazer e ataca todo mundo, não foi pessoal, ele é só meio limitado no raciocínio. Mesmo com aquela outra gansa linda que vive no lago com ele, o ganso é fiel   pra vida, não se acasala de novo mesmo que o parceiro(a) esteja morto. Mas, meu amor, pensa bem: você não acha que talvez essa monogamia cega do ganso seja um pouco extrema?

A monogamia é quase sempre estúpida porque é seguida cegamente, estilo ganso. Estar exclusivamente com uma pessoa não deveria ser melhor ou pior do que optar estar com várias. É só uma escolha, e naturalmente, toda escolha traz consigo uma consequência. Então vejo que o que ocorre com uma caralhada dos homens que conheço que traem a mulher na moita, é parecido com seguir a monogamia cegamente: mentir.

Vejo muita gente que já adota cegamente a monogamia como comportamento "naturalmente correto", uma bela de uma mentira. Não há nada de natural na monogamia, se você olhar pra natureza esse tiro sai pela culatra legal.

Apenas 9% das espécies de mamíferos é socialmente monógama. Neste grupo dos mamíferos, (que não inclui os gansos ok?)  um estudo de Cambridge diz que a monogamia surge quando as fêmeas se espalham por uma área muito ampla, logo, se o macho a abandona sua fêmea prenha em busca de outra, ele corre o risco de falhar e ainda deixar a sua atual vulnerável a outros machos.

Outro estudo da University College de londres, associa a monogamia ao risco de infanticídio consequente do abandono do macho a sua prole, já que se outro macho chegar no pedaço, matando os filhos do coleguinha, ele antecipa o cio da fêmea e fica com ela. 

Das duas formas, não tem muito a ver com o que a gente vive hoje, afinal não conheço muitos amigos que mataram filhos de outros machos, nem temos que andar 2000 km pra encontrar uma mulher solteira afim de acasalar.

Tantas pessoas simplesmante adotam a monogamia pros seus relacionamentos simplesmente porque já está pré-determinado como moralmente correto. Não vejo nada de incoerente em quem segue fielmente suas interpretações dos dogmas dos livros sagrados optar pela monogamia, a questão é a contradição cega de 90% das pessoas que não seguem bosta nenhuma e querem dizer que a monogamia é o "correto". É monogamia porque tem que ser, porque sempre foi assim com meus pais, meus avós e bisavós, mesmo que seu pai tivesse uma família paralela à sua, mesmo que seu avô fosse o maior comedor de prostitutas da Vila Mimosa, mesmo que talvez na sua relação atual e no estágio que ela se encontra o melhor a se adotar não seja a monogamia se os dois quiserem optar por seguir uma história juntos.

Não estou propondo que a poligamia seja a escolha perfeita. Tampouco um relacionamento aberto, já vivi um por pouco tempo e não foi legal pra mim, não me adequei. E o ponto é exatamente esse, adequação. O que se adequa para você e seu parceiro naquele momento e contexto de vida? Apenas uma escolha que não deveria sofrer julgamentos de valor e que deveria ser consciente, inteligente, calculada e aberta á discussão. Discussão essa que requer maturidade, sobriedade e clareza de pensamentos.

Pôr a monogamia em discussão é tabu demais ainda. Todas as vezes que tentei cogitar uma conversa sobre o assunto com minhas ex namoradas a situação terminou mal. Deveria ter começado a conversa falando dos gansos, usar o início desse texto teria sido mais suave. As reações foram desde desligarem na minha cara chorando, passando por tentativas de provocação e invenção de falsos desejos pra tentar me agredir, chegando até términos e ameaças fake de suicídio. Afinal quem ama com A maiúsculo não pode nem pensar, nem conversar sobre a possibilidade de renegociar seu relacionamento e dar vazão aos seus desejos por outras pessoas. Melhor ser fatalista e terminar, ou mentir, ou usemos um eufemismo que me dizem que é mais adequado, omitir.

Nossas relações poderiam ser negociações entre dois seres distintos que optam por estarem juntos de uma forma única que se adequa aos dois, mas parece que são fórmulas pré-estabelecidas pra comandar gansos uniformes e programados. E então uma consequência é que vejo 99% dos homens traindo as mulheres e mentindo de forma desnecessariamente necessária. Vejo tantas relações falidas e hipócritas, mulheres que são na verdade meninas que querem ser as escolhidas do papai e não tem inteligência emocional pra nem ao menos conversar sobre o assunto, e homens que são adolescentes, aventureiros do proibido, com desejo desenfreado por fecundar o maior numero de óvulos possível, as vezes numa demonstração boba do poder de macho fodedor, as vezes na falta de controle racional da cabeça de cima sobre a de baixo.


A monogamia social é um termo que se refere a seres que formam casais e criam seus filhotes, mas ainda tem “casos” extraconjugais.  Portanto um marido que trai a esposa, ou uma esposa que trai o marido, com outra relação romântica e volta pro lar em tempo de colocar as crianças na cama seriam ambos considerados socialmente monógamos.
A parceria comprometida entre um homem e uma mulher evoluídos é para o bem-estar da prole de acordo com alguns sociólogos. Pensando por esse prisma uma coisa que é ótima pro bem-estar das crianças é ter pais que se dão nitidamente muito bem, que se entendem e estão satisfeitos em optar por aquele tipo de relação. 
Jane Lancaster, uma antropóloga americana da Universidade do Novo México, fala uma coisa nesse sentido interessante. Ela diz que as espécies humanas evoluíram para formar compromissos entre homens e mulheres com o propósito de cuidar das crianças, isso já é um laço. Só que esse laço pode se enquadrar em todo o tipo de padrões de casamento: poligamia, pais e mães solteiros, monogamia ou qualquer outro tipo, mesmo que seja a separação.

A alternativa mais saudável que um casal deveria tomar, deveria ser discutir a forma como vão lidar com possíveis desejos de coisitas extra-conjugais, o que pode muito bem ser não optar por continuar em uma relação monogâmica. Seja lá o que decidirem, não faz sentido essa decisão ser unilateral e pré-estabelecida, afinal cada relaçao é singular, ou pelo menos deveria ser.

Também não estou sugerindo que o homem por sua herança genética cultural, teria mais "direito" a ser polígamo, mas como homem, e como escritor observador fica evidente pra mim que sim, a maioria dos homens tem esse desejo forte, não sabe como lidar, pensa que realizá-lo é a única opção e é naturalmente conduzido a mentir. E essa mentira, minhas caras, ja se naturalizou de tal maneira automática burra como se naturalizou a monogamia.

O ponto é que a naturalização de qualquer tipo de relação, como a "certa" nunca tem algo de natural. Bem como achar que pular a cerca é algo bom ou inevitável, é tão natural quanto. 

Animais, como nossos lindinhos gansos, muito provavelmente, não podem escolher agir contra o que quer que venha instintivamente. O ser humano pode. E esse é o ponto, você escolhe por você e sua capacidade de raciocínio? Ou já escolheram como deveria ser sua relação por você e você nem tinha se tocado?

Então, por isso que eu repito: A gente precisa conversar sobre os gansos.


domingo, 13 de abril de 2014

Essa é pra casar

Quem ainda não casou que case logo: 
Uma nova lei do governo, prestes a entrar em vigor vai decretar que antes de poder fazer um casamento tradicional, com festa, vestidinho branco etc e tal, o casal tem que ter pelo menos 8 anos de união estável. 
E aí eu pergunto: quantos casamentos, no estilo tradicional, deixariam de acontecer caso isso fosse verdade?


Acho casamento um ritual bonito, de fato, mas acho que há algo de podre no reino da Dinamarca. A minha primeira objeção é que existe toda uma industria e um aparato subliminar pra reforçar essa idéia de querer casar de branco na igreja.

Ainda não é tão modinha no Brasil, mas dando um google rápido em inglês descobri 32 reality shows sobre casamento, i.e., o vestido, a noiva, a festa, etc, jamais sobre como ter uma relação saudável. Isso já diz muito sobre o quanto de energia investe-se de forma torta no assunto. As meninas de educação tradicional e careta são condicionadas desde pequenas de várias formas, em especial pela TV, a quererem realizar o "sonho" de casar de branco. Se uma mulher não tivesse investido tanta energia pra coroar o sonho de infância dela de ser a princesa encantada, com o vestido perfeito, o cabelo impecável e as flores mais lindas, em um dia especialmente dedicado a celebrar o fato dela ter conseguido ser "a pra casar", a que laçou seu homem, quanta energia ela não poderia ter dedicado a outras coisas, ou ainda que fosse a se dedicar a achar um companheiro compatível pra uma parceria pra vida juntos, ao invés de uma coroação do feito dela.

Minha esposa de colete vermelho.


Um casamento é um ritual que, dizem os que se casaram com igreja e festa, é um momento único: Noiva de branco com véu e grinalda, meio fraque pros padrinhos, a criança daminha mais fofa que os noivos conseguirem encontrar pra carregar as alianças,  chinelo com nomes dos noivos, adereços engraçadinhos pra descontrair na pista de dança, uma mesa de chocolate e chá, e outra separada com o docinho mais caro que seu orçamento puder pagar, e se for casamento que se preze, vai sempre ter alguém do cerimonial vigiando estas duas e todo o resto, porque existe a hora apropriada e permitida de se fazer tudo, inclusive festejar. Quantos casamentos "únicos" você já foi que teve um desses,  senão todos estes itens?

Não bastasse só o simples fato da deturpação do ritual em geral tão original e surpreendente quanto o Faustão, minha outra objeção contra o casamento é que ele é cheio de simbologias que reforçam o machismo. 

Pense que ritual sacana: a noiva, que é uma dessas moças pra casar, vem sempre de branco, pura, imaculada e virgem, mesmo quando todo mundo sabe que ela já deu igual chuchu na serra. Detalhe tão normal e natural, mera simbologia inofensiva que ao meu ver reforça subliminarmente a crença nada subliminar de que mulher "pra casar"( leia-se: ser sua companheira) é mulher virgem. Quanto mais rodada mais desvalorizada, fato. 
Os rapazinhos não querem necessariamente casar com uma virgem, mas ela não pode se afastar muito desse modelo machista da mulher pra casar virgem de brancoAfinal, as que deram muito ou que soltaram a periquita na primeira noite raramente serão "pra casar".

O pai da noiva entra sempre que possível com a filha e a oferece juntamente com o dote ao noivo, ou senão, pelo menos muito frequentemente paga a festa. Pensado de uma forma pragmática: eu vou te pagar pra você ficar com essa merda de cria fêmea... Se fosse macho não precisava perder essa grana. 

Na festa do último casamento que fui, tinha um grupo de machos já bêbados fazendo uma brincadeira interessante pra não dizer imbecil. Eles estavam bebendo cerveja que, ironicamente, é justo um produto escrotizador e sexualizador das mulheres abertamente. No mundo da birita, as gostosas são associadas ao produto, reforçando a posição da mulher objeto a ser consumido junto com a loira geladona, expressão que eu acho bem imbecil diga-se de passagem. Esse assunto já é bem batido e nem é o foco do texto, mas de novo, só pra ilustrar esse pequenos detalhes reforçadores do machismo que estão em todo canto e ninguém liga muito. Voltando ao assunto, ninguém liga pra nada quando esta bêbado de cerveja como o grupinho de boys. Eles olhavam as mulheres que passavam e diziam de acordo com os critérios mais escrotos: Essa é pra casar.

Se tem uma expressão que é vagabunda e babaca,  em especial contra às mulheres é:
Essa é pra casar.

O problema do modelo machista de casar na igreja, etc e tal,  é que as mulheres que são as mais prejudicadas, são frequentemente as que mais o reforçam. Expressões que são péssimas como "essa é pra casar" são quase ostentadas, desejadas por muitas mulheres como se fosse bacana, um super elogio. As mães propagam, os rituais e a cultura reforçam, as crenças populares reafirmam.

Quantas vezes já ouvi as cachorras, as preparadas e o baile todo achando que é muita onda dizer: "ah não , eu sou pra casar!" Quantas mães acham bonitinho que o filho de 5 anos é "namorador". Me diz uma que acha bonitinho a filha a ser "namoradora" ? Namoradora é um eufemismo pra vagabunda piranhuda, logo, cuide de sua reputação menina namoradora, se é pra ser vagabunda piranhuda, o seja na moita, case jurando ser virgem e faça como uma cara dura mór que eu conheci: na noite de núpcias, vá ao banheiro rapidinho e forge um sangramento de hímen rompido na sua xota larga.  

Não estou propondo que relações descartáveis sejam estimuladas, mas que haja um tratamento igual a "namoradores"e "namoradoras". Logicamente que este tratamento igual é fora de cogitação, afinal o homem pegador namorador gera o desafio adolescente de ser "a mulher", a que conseguiu laçar, segurar, e domar o moleque piranha. E ainda, como também já ouvi, o homem galináceo gera a curiosidade pueril de saber o que o gostosão tem de especial,  afinal porque tantas quiseram ele? Das duas formas dando uma forcinha pro machismo. 

Não é nada raro ouvir uma mulher falando de um galinha "ruim com ele pior sem ele" ou o que ouvi de uma mulher que era amante de um cara, "prefiro ele pela metade do que nada dele". Realmente né? O que seria de uma mulher sem um ou meio bosta ao seu lado, tadinhas de vocês. E afinal ninguém quer ficar e morrer sozinho,  então é melhor se agarrar mesmo ao seu bosta, porque existem mais mulheres do que homens. 

Essa frase é recorrente e é levada a sério por muita mulher, como uma amiga minha de 50 e poucos anos que sempre diz: "Tá difícil... Tem muito mais homem do que mulher no mundo". Além disso essa estapafúrdia é usada pra reforçar a crença de que está difícil conseguir alguém bacana por causa desta estatística. Ok, a estatística é verdadeira, mas pera lá gatona, qual é a relação do ânus com as calças? Como se esta estatística tivesse uma relação direta e precisa com homens e mulheres solteiros, e segundo,  como se o simples fato de haver mais mulheres significasse obrigatoriamente que uma mulher tem que se contentar com qualquer merda e agarrá-lo se ele quiser casar.

Eis aí algumas crenças que se propagam em especial pelas mulheres, sabe-se lá porquê, e que estimulam mais e mais homens a se sentirem no direito de ser babacas com essas pobres mulheres que só querem ser aquela mulher pra casar.

A Bruna Ex-Surfistinha, uma que jamais seria pra casar mas casou, falou uma frase interessante: O machismo talvez diminua, a prostituição e as traições talvez acabem quando acabar a hipocrisia de mulher pra casar e pra transar. 

Toda essa ironia e quase teoria da conspiração pode parecer exagerada e descabida, mas não acho lá muito desconectado da idéia muito comum até hoje em países como India e China onde bebes do sexo feminino são mortos frequentemente, pelo simples fato de serem fêmeas e não machos. A diferença é que nosso machismo é mais ardiloso, mais velado, e quando o machismo é mais sutil e já está tão arraigado na gente sob nosso prisma quase sempre etnocêntrico, um simples "essa é pra casar" pode passar facilmente batido e parecer inofensivo.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Sobre Confiar

Cena em um bar em 2040

Um homem entra. Vê uma mulher sozinha. Ela olha, sorri. Ele sorri de volta. Ele se aproxima.

ROBERTO - Oi, tudo bem, meu nome é Roberto, prazer.
JULIA - Prazer, Julia. CPF e RG, por favor.
ROBERTO - Opa, claro. Pode me dar só o seu RG que já serve.
JULIA (pensando) : Nossa que cara bacana, relax.

Parece surreal, mas o surreal não é assim tão diferente do que já vivemos hoje onde o que impera é que todo mundo pode estar mentindo, vai te decepcionar e não é confiável até que prove o contrário.

Há quem possa argumentar logo de cara que ser desconfiado é uma forma de "se precaver". Eu digo que esse "se precaver" onera nossa qualidade de se relacionar e além disso esse papo de "confiar desconfiando" é em grande medida uma maneira pessimista de encarar os outros seres humanos e esperar o pior deles.

Em especial quando você tem a experiência de um fim de relacionamento, de qualquer natureza que tenha sido essa relação, ou de se sentir traído por alguma razão, ou alguma situação que destrua suas expectativas positivas sobre o outro, você tende a perder um pouco da sua qualidade de confiar.


Confiar é se jogar.



Digo qualidade porque penso que nossa vida seria melhor se a gente conseguisse confiar mais fácil e frequentemente uns nos outros, só que de uma forma geral parece que o que permeia e dita nossas relações hoje é a desconfiança.

Terminei um namoro há alguns meses e percebo que em especial nestes momentos é muito comum você se endurecer, perder um pouco da sua capacidade de confiar e acreditar nas pessoas. Fazemos muito pra evitar nos expor aos riscos que possam nos decepcionar, o que inclui não confiar facilmente nas novas pessoas que você conhece. Me policio pra não ir por esse caminho. Mas a gente vive isso tão constante e implicitamente que naturaliza a desconfiança e não só nas relações afetivas.

Você chega em uma festa e não basta dizer seu nome, você tem que dizer de onde veio, o que estuda, trabalha, pra que time torce. Você vai ao banco porque quer mudar sua agência e não basta dizer que mora no Flamengo na rua tal, você tem que apresentar um comprovante de residência. Você conhece uma pessoa, e por mais que olhe ela nos olhos e que seu nome seja Franco, ela vai desconfiar de você. Sem falar em instituições nefastas como cartórios que servem dentre outras coisas pra provar como não confiamos uns nos outros, pra provar que o que eu estou querendo provar é verdade.

Lembro de um tio italiano que observou que no Brasil a política da desconfiança – e de provar que você é você mesmo, por exemplo –, é uma das mais intensas que já viu. Lembro como ele achou engraçado a quantidade de documentos que eu tinha: CPF, CNH, RG, Título de eleitor, Certificado de reservista, etc. Ele me perguntou: Pra que tudo isso? Respondi, Pra provar de várias formas que eu sou eu.

Talvez isso tudo pareça muito natural, mas não deveria ser. Não concordo com a ideia de que só porque algo é feito assim ou assado "desde a Roma antiga", a gente não deva questionar e tentar mudar. Me incomoda essa naturalização da desconfiança como orientador da nossa forma de viver em sociedade e de nos relacionarmos.

A questão é que o fato de você confiar ou não em um completo estranho ou em alguém que você está conhecendo não aumenta ou diminui a probabilidade dele ser um mau caráter. Se você lida com pessoas mal intencionadas elas continuarão mal intencionadas quer você tome precauções ou não. A preocupação é uma tentativa quase infantil, e repito, pessimista, de tentar se precaver de uma possível decepção. Por que ao invés de esperar o pior das pessoas a gente não confia e espera o melhor delas?

Confiar é se expor. É possível que vá se decepcionar. Mas é esse exatamente o ponto. Ninguém tem o poder de te decepcionar, o próprio verbo ja é reflexivo, você se decepciona. E aí vem a opção de se agarrar como um carrapato a essa decepção ou seguir em frente e continuar a acreditar, a confiar, e não catastrofizar um incidente isolado como se fosse a regra. E aí é que tá: confiar é um salto de fé. Você crê porque crê. Confia porque confia. E ponto.

Confiar assim também não se trata de ingenuidade, é uma decisão. Quem é sensível diz saber se pode ou não confiar pelo olhar, pela vibração da pessoa. Mais importante do que aspectos sutis do ato de confiar é saber que é uma escolha consciente que deveríamos tentar adotar com mais frequência.

Isso de escolher ser alguém que confia, me lembrou uma parábola em que um mestre está com seu discípulo e vê um escorpião se afogando em uma poça. O mestre tenta salvar o escorpião, e o bicho tenta picar o mestre. Isso se repete até que o discípulo, questiona porque ele está sendo burro de ficar tentando ajudar quem está atacando ele. O mestre responde: a minha natureza é de ajudar, a dele de me atacar, não posso mudar minha forma de ser por causa do que ele me dá.

Confiar é diferente de ser bobo ou idiota, porque você aprende sim com a situação anterior. A diferença é que você não fica fechado e com pedras nas mãos já esperando quem vai ser a próxima pessoa a quebrar sua confiança. Você confia porque quer, consciente dos riscos inerentes a se relacionar com o mundo. Sim, é difícil, mas viver em estado de constante suspeita e desconfiança deve ser algumas vezes mais limitador e pior. As razões de não ter acontecido o que se esperava são várias e variadas, vai saber... O que a gente sabe de fato?

Eu sei que a cada vez que a gente se decepciona e confia menos, a gente se endurece. Se endurecer é ter menos recursos pra lidar com o que a vida te traz, e se tem uma coisa que você sim pode confiar é que se você se endurece, a vida pode te dobrar. Se a cada decepção a gente se endurecer e ficar mais desconfiado já prevejo onde vamos parar em 2040.


Até breve, até o próximo salto de fé.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Grande beleza






Queria conseguir botar em palavras algumas coisas que sinto, algumas coisas de grande beleza. 
Um escritor aos 65 anos.
E os momentos de grande beleza.
Hoje eu vivi momentos assim,
Ela só come raizes pq raizes sao importantes.
Eu choro no taxi, talvez pela simples constatação de ter vivido hoje momentos simples.
Tomar um açaí.
Conversar na praia vendo o por do sol.
Uma caminhada tranquila pelas calçadas de Ipanema.
Um filme no cinema.
Momentos de grande beleza.
É só um truque, como a girafa que desaparece no ar, é so um truque.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Sobre um encontro com uma japonesa


Um dos países que eu mais quero conhecer é o Japão. Os japoneses me intrigam pelos seus silêncios, pelo mistério e contradição que são.  Falo disso, pq hoje eu encontrei essa japonesa, que me fez sentir coisas boas.

Digo encontrei não só pelo significado do verbo, mas pelo fato de que um encontro aconteceu. quando eu escrevo e vc se identifica e acha que me entendeu ocorre um encontro. Talvez vc pense, o que é que  há de sensacional em um encontro? daí eu te explico o que é de fato um encontro e no final vou fazer uma pergunta de duplo sentido.

como se pode notar pela minha forma de escrever, meu pensamento flutua, voa, varia e flui de um tema e usa hiperlinks e conexões consecutivas sobre diversos temas e palavras pra tentar expressar o que é ser ar e água no horóscopo e na mente.

 em um texto talvez seja mais fácil e compreensível, mas se fosse falando, vc poderia se irritar com minha forma de ser e ok, fazer o que? Mtos se incomodam com o fato de seu pensamento ser confuso, avoado e desconexo, só que quando um encontro com uma japonesa acontece , isso nao importa,  porque no que te dizem ser defeitos, vcs se percebem iguais em alguma medida e compreendem melhor a si mesmos, e o que é melhor, compreendem o outro. 

Num encontro com um japonesa, vc nao quer ser interessante, engraçado, animado, ter pressao baixa ou alta, vc é vc, cansado num domingo a noite. Se sente a vontade tanto pra falar, como calado 5 minutos caminhando pela orla e ouvindo o barulho do mar. Nao há a menor necessidade de preencher silêncios ou comentar algum comentário do outro, e a outra pessoa não só entende como faz igual.

Quando um encontro com uma japonesa acontece, vc nao precisa ser nada alem de ser vc mesmo, é vc com suas idiossincrasias de falar coisas com firmeza, ou de ter tido seus complexos com seu dedo de naja e uso de drogas que prefere nem comentar, é entender viagens de visão turva de ver pinguins no Arpoador, falar expressões como picada na veia e ter crise de riso, é saber ter problemas de comunicação, seja vc vata, pita ou kapha... Vc e a japonesa com coisas em comum e coisas diferentes, mas essa consciência e compreensão de que vcs dois, de fato sao 2, faz quase com que vcs pareçam 1 por alguns instantes.

quando um encontro com uma japonesa acontece, é lógico que vc quer um outro encontro, mas pensa que apesar desse texto, todas essas conclusões possam ser só devaneios, ilusões e percepções suas. ok, sem problema. Vc não se importa com isso pelo simples fato de que mesmo que seja tudo sua criação e que a japonesa não pense nada disso, vc se sente feliz porque um encontro de qualquer maneira traz o melhor de vc mesmo, um encontro te conscientiza sobre se amar e amar os outros por quem são, por mais cliché que isso possa soar.

e finalmente, vc não se importa se o encontro foi só pra vc, porque um encontro é estar cansado a 1:00 da manhã tendo que acordar cedo no dia seguinte, mas querer tentar te fazer entender, querer te fazer sentir ou pelo menos compartilhar esse sentimento delicioso de acabar de ter um encontro com uma japonesa.

E aí? rolou um encontro ou nao rolou pra vc que lê? e pra vc japonesa, eu pergunto: vamos nos encontrar de novo?


Vanilla sky no Arpoador e um pé divino.



sábado, 11 de janeiro de 2014

O dia que descobri que eu era lésbica

não sei o que deu na minha cabeça quando decidi escrever esse texto.



Nós homens somos bobos, um bando de idiota. Homem é tudo palhaço como diz esse ótimo site (http://tudopalhaco.blogspot.com.br/). Basta ver um decote, uma silhueta bem delineada ou um rosto delicado e simétrico que a gente fica de quatro. Somos obcecados por mulher. Falamos sobre mulher em 97% das conversas. Nos outros 3% falamos sobre o resto das coisas do mundo que a gente faz pra pegar mulher.

O dia que eu descobri que eu era lésbica foi no dia que reparei na menina da xerox e confirmei vendo "O azul é a cor mais quente". Eu percebi que gosto muito de mulher. Me identifiquei muito com as cenas entre duas mulheres ou só com os closes no rosto e boca e todo o resto sensacional da Adele Exarchopoulos. Seria impossível ficar 3 horas vendo aquele filme não fosse o fato da Adele sorrir, chorar, ficar pelada, gemer e falar em francês comigo em todas as cenas do filme.




Quando a Adèle me olhou assim e pediu pra eu roubar e matar minha mãe eu não tinha como dizer não.


Pelo meu encantamento pelo sexo feminino já fui chamado de galinha e de gay. Gay porque as vezes aprecio tanto que não consigo agir mesmo quando recebo sinais pra agir e galinha porque pareço encantado por todas. Porque a real é que toda mulher tem sua poesia, mesmo as 97%, como a menina da xerox, que não são a Adele.

Um exemplo dessa apreciação exagerada, foi o início de um namoro que chamei uma ex pra dormir no meu apê, ela morava longe. Ela, lógico, já achou que era só pelo interesse malicioso de sexo. Eu convenci ela que não era por isso, e não era mesmo e ela aceitou. Eu estava tão encantado por ela, achava ela tão linda e divertida e sagaz que não iria fazer algo que fosse contra o que tinha prometido e que comprometesse minhas chances de namorar essa mulher. Os homens muitas vezes, quando estão afim de fato de uma mulher, ficam puta cabreiros pra fazer sexo com a mina, meu. E assim foi.

Deitamos na cama juntos, nos beijamos, e mesmo com tesão não fiz nada. Pausa. Breve silêncio. 
Ela -Franco, posso te falar uma coisa? (eu já sabia que era merda) Eu acho que você é gay.

Por outro lado a questão de me acharem galinha vem por outro aspecto. A diferença de mim pro galinha é que este não gosta de fato de mulher. Ele acha que gosta e faz a mulher acreditar que gosta, mas no fundo não gosta, porque não sabe apreciar, além do que um típico galinha jamais ficaria com a menina da xerox.

O problema dos galinhas, é que em geral eles não querem se envolver, e quando se envolvem é pela metade e só porque querem comer ou beijar o maior número de mulheres. Parece que o cara fica querendo encher um poço sem fundo de baixa auto-estima ou de outras carências que tenta suprir com a pegação sem fim,  sem de verdade apreciar as nuances que só um olhar aguçado e mais romântico pode enxergar. Quando se fica na rotatividade e superficialidade constantemente é impossível penetrar uma mulher. Ok, penetrar soa como safadeza de galinha, mas mergulhar de cabeça é outra coisa. Com consciência dos duplos sentido eu prossigo, acho que você já me entendeu.


Mulher é uma coisa dos deuses. E do capeta ao mesmo tempo. São insuportavelmente chatas e maravilhosamente encantadoras pelo mesmo quesito: os detalhes.

Os detalhes são o que, não por cafajestisse barata, nem por sedução de micareta, eu já falei o que elas queriam ouvir e fiz elas se sentirem únicas, porque de fato todas elas são, e porque de fato achei isso, mesmo se tratando da primeira vez que a gente saiu. Eu não só falei, eu acreditei no que falei naqueles momentos, por isso pareceu tão verdadeiro:  porque foi. Se eu digo que queria ficar beijando e cheirando pra sempre, sempre foi verdade, por mais que eu e você saibamos que seria literalmente impossível, logo, tecnicamente é mentira. E dessa forma, por esse mal entendimento da minha apreciação, já me acharam galinha.

Quando conheci uma ex namorada, em plena quarta feira de cinzas, na minha "cantada", eu falava de amor, sentimentos e abrir chakra do coração e pedia: eu posso te amar por 30 segundos? Teve uma menina que saiu correndo. Outras tiveram uma crise de riso. Teve uma que me chamou de cafajeste, outra de galinha, safado. Entendo, mas não era Wandiagem minha. Essa ex namorada foi a única que topou, e de fato foi amada não só pelos 30 segundos mas por alguns anos,  o que de certa forma mostra que eu não queria só trocar saliva, senão não usaria esse tipo de approach que pode parecer cafajeste.

Já traí e essa única vez foi por um olhar. Ela não era mais bonita que minha namorada da época, não era mais interessante, nem mais inteligente. Mas ela tinha uns cílios longos e tiradas inteligentes, frases soltas e uma voz suave,  cada piscada e cada palavra me hipnotizava e me dava vontade de rir como um bobo por não ter outra melhor forma de expressar o encantamento que eu sentia.  Sim eu amava minha namorada e  ela era única pra mim, mas eu tenho muito amor pra dar e  se você visse aqueles cílios e aquele olhar com o meu olhar você entenderia meu encantamento. Não se trata de machismo, porque o que vale pra mim vale pra quem estiver comigo e o acordo que for estabelecido na relação, mas esse não é o ponto. O ponto é que toda mulher tem alguma coisa de pôr do sol que hipnotiza.

Vinícius já morreu e errou feio na sua de Receita de Mulher. Não existe receita. Não, não "é preciso que as extremidades sejam magras", nem "que alguns ossos despontem", nem "que haja um certo volume de coxas", e sim, nádegas é bom, mas não é "importantíssimo" como ele disse. Desculpa ae, mas essa beleza não é fundamental Vini. A frase dele deveria ser "as muito feias que sorriam porque beleza é acidental". Ninguém olharia pra menina da xerox e acharia ela uma gata. Eu ter achado ela linda é um acidente, acontece, o jargão que a beleza está em quem vê é verdade. Pode acontecer com qualquer mulher, porque todas tem alguma coisa, sem fórmula nem receita.

Sim,  a menina da xerox. Ela trabalha na xerox da Rua Farani e eu comecei a escrever esse texto por causa dela. Um dia esperando pra imprimir um projeto e lá estava ela. A menina da xerox é... estranha. Tem um rosto nada simétrico, queixo meio de Noel Rosa, anda meio desengonçada no salto alto, fala de forma estranha, nada articulada e tem as pernas muito finas, mas ainda assim com celulite pacas. Por outro lado ela tem uma voz deliciosa, uma melodia, está sempre cheirosa com ar fresco, tem umas unhas alongadas finas e lindas e um conjunto de pintinhas no braço esquerdo que me faz imaginar onde mais estariam outras dessas.

Mesmo as estranhas como a menina da xerox tem alguma coisa, um que, um cheiro, o cabelo, uma narizinho, as mãos, a nuca, um caminhar, o olhar, a forma de falar,entende? Eu gosto muito de mulher e sempre tem alguma coisa. É logico que ter uma relação vai muito alem de um detalhezinho simples como esses que eu acabei de descrever, mas mesmo assim pra provar e amar esse detalhes, mesmo que fosse só por uma vez eu acho que vale a pena estar com uma mulher.

Como franco que mais do que nunca tenho sido, estou pensando em falar com a menina da xerox que esse texto é pra ela. Ela pode não gostar porque o lindo e irritante das mulheres é que se eu me acho muito sensível, elas são 600 vezes mais. E daí seu eu chego pra menina da xerox e digo que o resumo disso tudo aqui é: você é feia, mas é linda. Pode ser que ela não se sinta muito lisonjeada.



Ontém bebi mulher demais e vomitei.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Sobre os finais

É inevitável, inadiável, irremediável. O ano acaba, tudo acaba e alguém vai sair da sua vida.

Quando alguém sai da sua vida porque você quis é necessariamente por uma decisão auto-centrada. Você pensa em si e por si, não existe forma alguma de precisar o peso ou alívio da sua decisão na vida da pessoa ou pessoas que você decide deixar. Seja porque você decidiu e assim quis, sem se interessar em nada por possíveis sentimentos ou apegos do outro, seja porque você decidiu e sim se preocupa com o outro, seja por um sentimento de generosidade levemente prepotente de libertar o outro pensando que poderia ajuda-lo a crescer, ou ainda que se diga que deixamos por amor ao próximo. Todas essas razões podem até ser verdadeiras, mas é sempre uma decisão interna sua, o outro não tem escolha nem controle algum sobre isso e só você vai ter que lidar com o aperto no peito de ver ela entrando no carro de outro as 22:30 da noite de uma quinta feira, logo depois de vocês terem terminado, ou o alívio dele não mais te pressionar por suas escolhas profissionais. As consequências dessa escolha, as delícias e as dores de ser o autor da sua própria existência fica tudo na sua conta.

Quando alguém sai da sua vida porque ela, i.e. a outra pessoa, quis, é você quem não tem escolha. Apesar de poder achar ou querer ter escolha quando o deixado em questão é você, apesar de talvez achar que por algum contrato de relação pré-estabelecido com "eu te amos", "até que a morte nos separe" e "viagens pré-programadas" não desse o direito ao outro de acordar numa quarta feira de céu azul em um apartamento no Flamengo e dizer que não te ama mais, como se um "você pode sempre contar comigo, meu filho" garantisse que ele não vai sair da sua vida num estalar de dedo numa noite fria em Petrópolis por causa de um câncer.

Não é exatamente pela outra pessoa que sai da sua vida que você sofre, mas pelas projeções do que poderia ser o futuro e os planos feitos com ela, pelo futuro construido no seu imaginário e que terá que ser demolido. É como se esse alguém estar na sua vida fosse algum tipo de garantia que fizesse com que este porvir fosse um pouco mais tangível, mais firme, sólido e assegurasse que esse futuro planejado de viagens pra China, ou Natais em família fosse sem falha acontecer caso a outra pessoa não saísse da sua vida.

Senão pelo futuro, as vezes é pelo apego ao que houve de memorável, especial e inesquecível no passado conjunto que se sofre. É como se de alguma forma o fato de continuar com esse alguém ao seu lado, na sua vida, fortalecesse uma existência menos ilusória desse passado de um dia que ela estava de faixa marrom na cabeça descendo lindamente a rua general glicério e você sorriu orgulhoso de ter uma mulher tão linda, charmosa e legal como sua namorada, ou nas lembranças de uma tarde viajando com ele conversando. Nem passado nem futuro existem, mas se esse alguém está na sua vida, existe a ilusão de que os dois são mais reais.

Um momento difícil de alguém que se vai, é lidar com os objetos. Objetos da pessoa que sai da sua vida trazem uma carga emocional de apego.  E o cheiro... Achei um casaco do meu pai que ainda tinha o cheiro dele, encontrei um pijama de uma ex que tinha o cheiro dela, foi quase como se eles estivessem ali.  Nestes casos em especial objetos são como lembranças sólidas, algo concreto (e ilusório) pra tentar se agarrar ingenuamente a esse alguém que saiu da sua vida.

Quando alguém sai da sua vida porque Deus ou algum destes acasos totalmente fora do nosso controle quis, é sempre uma crise. Penso em crise como a história do kanji da crise que é = perigo + oportunidade. Oportunidade porque por mais que um fim seja assustador, fora do nosso controle ou trágico, é como disse Boff, "a crise acrisola, purifica, tudo o que não é substancial e fundamental cai, fica só a substância". O perigoso, é que com a perspectiva que se ganha no distanciamento que só a ausência traz, quem parecia insuportável pode se tornar bem mais legal. Você conhece alguém que sinta saudade de aspectos que ela acha ruins de alguém? Você sente saudade das piadas, das conversas, do sexo,  dos cheiros e de tudo que é bom e se ilude pensando que a relação era só isso e a pessoa vira uma santa. Você não pensa "que saudade dela me enchendo o saco por ciúmes idiotas de eu ter brincado com uma loira bonita! Como eu adorava discutir por razões idiotas...."

E por mais que você pareça sofrer pela perda do outro, por esse alguém que sai da sua vida, no final, é o sentimento mais solipsista possível, você sofre por você e para você mesmo. É como se aquela existência da outra pessoa na sua vida tivesse alguma obrigatoriedade ou dependência com você, como se o mundo fosse parar em solidariedade ao seu sofrimento numa tarde branca de neve em um Thanks Giving em Nova Iorque, ou como se alguém, além de você dentro da sua bolha pessoal e única de idiossincrasias e interpretações de tudo que existe fora da bolha, pudesse entender através de uma conversa de 5 horas na Praça São Salvador, de um texto feito de palavras no Ornitorrinco, de uma peça que você escreveu, ou através de qualquer forma de tentar expressar tudo que está dentro de você, como se alguém pudesse realmente entender esse sentimento dentro de você. É um sentimento que você nutre por você mesmo, e não por quem se foi. Seu sofrimento, seu sentimento de abandono, sua incapacidade de aceitar mudanças, tudo seu.


Quando alguém sai da sua vida geralmente não é muito divertido, as mudanças e a tristeza que vem nesses momentos nunca são tão naturalmente aceitas quanto a alegria de um momento bom. Só que elas são importantes e lembram você que é necessário vivenciar o luto, luto de alguém que morre, real ou simbolicamente, de uma parte de você que morre, pra poder renascer. E um dos problemas é que todo mundo quer renascer, mas como se renasce sem morrer? E ninguém quer morrer. A gente quer se agarrar ao que quer que pareça seguro, mesmo que seja aquela corda que te impede de cair, mas que está amarrada em volta do seu pescoço.

Isso me lembra aquela parábola dos dois monges que vão atravessar um rio e chega um moça que pede ajuda para atravessar.  Um deles ajuda a moça, só que os monges faziam votos de jamais tocar em mulheres. Horas depois o outro monge vira pro que ajudou a moça irritadíssimo: Você carregou aquela mulher!  O outro responde, sim eu carreguei, mas deixei ela lá, você continua carregando ela até agora.

Por mais que não pareça feliz o fato de alguém que sai da sua vida por um acidente, que parece ser mais incontrolável que as duas "formas de sair" anteriores, ainda assim o único que temos que carregar é o livre-arbítrio de como lidamos com essa saída. Você não está condenado a sofrer ou ser feliz, (por pior ou melhor que pareça esse fim) você só está condenado a ser livre para escolher como vai lidar com isso.

Esse momento que alguém sai da sua vida, isso de chegar aos finais, é duro porque te lembra que você está navegando em um barquinho precário, à deriva e com um furo no fundo. Ele pode naufragar a qualquer momento, e vai invariavelmente naufragar, nesse mar cheio de vontades e correntes que é a vida.  Navegar é opcional e o mar agitado assusta, mas mar calmo não faz bom marinheiro. Eu escolho navegar.



As vezes alguém navega com a gente, mesmo assim é sempre cada um por si.