Um blog cheio de vazios. Um blog em construção. Um projeto infinito até o fim, sem fins.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
domingo, 9 de agosto de 2015
Carta ao pai incompreendido
Pai,
Você por tantos anos me obrigou a ir aos domingos á igreja católica, fato este que tanto me revoltava. Te escrevo porque, ironicamente, através do líder dela, só hoje, aos meus 33 anos recém completados eu pude de coração comprender: a família é lugar de perdão, o perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração.
Não existe família perfeita, e você logicamente foi longe de perfeito.
Você não soube valorizar minhas conquistas e qualidades,
Então agora eu quero te agradecer.
Agradeço pelos tantos aprendizados e ensinamentos que vieram só depois de tantos anos da sua morte.
Você por tantos anos me obrigou a ir aos domingos á igreja católica, fato este que tanto me revoltava. Te escrevo porque, ironicamente, através do líder dela, só hoje, aos meus 33 anos recém completados eu pude de coração comprender: a família é lugar de perdão, o perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração.
Não existe família perfeita, e você logicamente foi longe de perfeito.
Você não soube valorizar minhas conquistas e qualidades,
Você não soube demonstrar carinho,
Você com sua família secreta paralela magoou todos os lados dessa história,
Você tratava minha mãe como uma idiota e incapaz,
Você que era tantas vezes tão agressivo, mas não devia entender porque eu tinha medo de você...
Eu aceito, mais importante, eu perdoo.
Você com sua família secreta paralela magoou todos os lados dessa história,
Você tratava minha mãe como uma idiota e incapaz,
Você que era tantas vezes tão agressivo, mas não devia entender porque eu tinha medo de você...
Eu aceito, mais importante, eu perdoo.
Só hoje perdoo que seja por falta de palavras, ou por falta de recursos, ou mesmo por falta coragem, você teve atitudes que não explicou;
Perdoo que por falta de entendimento, ou por falta de amadurecimento, tantas das suas escolhas que me revoltaram e me entristeceram;
Perdoo que tantas das suas orientações, muito mais soavam como tirania a arbitrariedade.
Só hoje posso de verdade sentir amor por você porque aprendi a perdoar suas falhas, um ser humano.
Só hoje posso de verdade sentir amor por você porque aprendi a perdoar suas falhas, um ser humano.
Só hoje aos 33 anos, eu pude entender quantas vezes o que me parecia punição exagerada era só sua forma de dar aquele abraço e aquele afeto que tinha tanta dificuldade de dar. Mas entenda : certos caminhos que você escolheu só hoje aos meus 33 anos eu consigo vislumbrar de verdade e de vontade essa grande responsabilidade: ser pai. Agora entendo o quanto você foi. Depois de 13 anos que você se foi, você é meu pai, você ainda continua sendo, a cada lição que aprendo.
Então agora eu quero te agradecer.
Agradeço pelos tantos aprendizados e ensinamentos que vieram só depois de tantos anos da sua morte.
Dedico esta carta a você, meu pai, e a tantos pais que ja se foram, ou que ainda estão vivos, mas que restam incompreendidos.
Porque na verdade pai, neste dia dos pais, no qual eu tanto gostaria de te dar um abraço, é que eu compreendi tanta coisa. É pai, só hoje, quando me surge a real vontade de ser pai é que eu percebi que não se trata de compreender, mas sim de perdoar.
E hoje, meu pai, eu te perdoo.
Do seu filho,
Franco
Porque na verdade pai, neste dia dos pais, no qual eu tanto gostaria de te dar um abraço, é que eu compreendi tanta coisa. É pai, só hoje, quando me surge a real vontade de ser pai é que eu percebi que não se trata de compreender, mas sim de perdoar.
E hoje, meu pai, eu te perdoo.
Do seu filho,
Franco
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Isto é água 2015
Essa semana me veio muito uma parábola sensacional que me marcou pra vida. O escritor do livro, como meu irmão, se matou e hoje, nesta data querida, gostaria de compartilhar com muita gente. É mais ou menos assim:
Dois peixes estão nadando e cruzam com um outro mais velho que os cumprimenta:
"E ai, meninos! O que estão achando da água?"
Os dois continuam nadando por um tempinho até que um deles olha pro outro e diz:
"Que porra é essa de água que esse cara falou?"
Dois peixes estão nadando e cruzam com um outro mais velho que os cumprimenta:
"E ai, meninos! O que estão achando da água?"
Os dois continuam nadando por um tempinho até que um deles olha pro outro e diz:
"Que porra é essa de água que esse cara falou?"
Eu não sou o peixe mais velho e não ache que esse será um texto cheio de lições de moral, dogmas e verdades, pois não é. Hoje, 17 de julho de 2015, completo 33 anos, e meu intuito além de escrever como sempre faço todo ano, é tentar iluminar com esse texto e com essa parábola que as vezes as realidades mais óbvias são justo aquelas que a gente não enxerga e lembrar que sim, é possível escolher sua maneira de construir significado a partir das suas experiências.
Apesar de meu aniversário ser uma data feliz, sempre trará a lembrança e tristeza de outra data tão triste, dia 30/7 do ano passado foi o dia em que meu irmão mais velho escolheu tirar a própria vida aos 35 anos.
A morte do meu irmão me deixou mais consciente para dois fatos em especial: nós escolhemos o que fazemos com a nossa vida e essas nossas escolhas diárias afetam não só nós mesmos.
Por mais devastador que seja o estado mental de alguém que se mata, existe um momento de escolha de dar apertar o gatilho e dar um tiro na própria cabeça, e daí, diante destes e outros tipos de acontecimentos que somos impotentes, que estão fora do nosso controle, o que nos resta é: como escolhemos lidar com eles?
Conversando com alguém que tanto me ensina tantas vezes sem nem saber Emoticon heart ela me diz ser pessimista em contraste á sua mãe que é otimista, que é quase inocente e acha que tudo vai dar certo. Mas fiquei pensando... Ser otimista não é achar que tudo vai dar certo. Não temos controle sobre quase nada, tantas vezes não vai sair da forma que imaginamos, o mundo não é justo milhares de vezes e não, muita coisa não vai dar certo.
Não é que eu não sinta tristeza de vez em quando, ou que seja um Cândido ou uma Pollyana Moça que acha sempre que está tudo lindo, não se trata de inocência ou de achar que vai dar tudo certo e que vai sair como planejamos. Só que sim, nós (considerando que você não tenha um desequilíbrio químico no seu cérebro e não se trate) podemos ESCOLHER SEMPRE ver os acontecimentos, por mais trágicos que sejam, por um viés positivo. Sim, ser otimista é uma escolha. Ser otimista se trata de como olhamos a vida: o copo esta meio cheio ou meio vazio? Hoje, aos meus 33 anos, eu escolho todos os dias ver ele sempre meio cheio.
Hoje celebro meu ano novo, mais um ano vivo, e estou muito feliz como no ano passado. E queria compartilhar não só minha felicidade de estar aqui, vivo, mas essa simples e óbvia consciência que tudo passa por escolhas, desde a intimidade dos nossos pensamentos até o que escolhemos para nós que afeta as vidas de outros. Essa consciência de algo tão básico e essencial que faz a gente esquecer que a cada segundo a gente escolhe, que faz a gente esquecer "que porra é essa de água."
sábado, 13 de junho de 2015
Todas elas
Mesmo as feias
Mesmo as muito feias
Tem alguma coisa de muito lindo
domingo, 24 de maio de 2015
terça-feira, 19 de maio de 2015
então você quer ser escritor?
se não sai explodindo de você
apesar de tudo,
não seja.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da sua cabeça, da sua boca
das suas entranhas,
não seja.
se tem que ficar horas sentado
olhando para tela do computador
procurando as palavras,
não seja.
se é por dinheiro ou
fama,
não seja.
se é para ter
mulheres na tua cama,
não seja.
se dá trabalho só pensar em ser,
não seja.
se tenta escrever como outros escreveram,
não seja.
apesar de tudo,
não seja.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da sua cabeça, da sua boca
das suas entranhas,
não seja.
se tem que ficar horas sentado
olhando para tela do computador
procurando as palavras,
não seja.
se é por dinheiro ou
fama,
não seja.
se é para ter
mulheres na tua cama,
não seja.
se dá trabalho só pensar em ser,
não seja.
se tenta escrever como outros escreveram,
não seja.
se tem que esperar para que saia de você
gritando,
então espera pacientemente.
se nunca sair de você gritando,
seja outra coisa.
gritando,
então espera pacientemente.
se nunca sair de você gritando,
seja outra coisa.
se tem que ler primeiro pra sua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou quem quer que seja,
não está preparado.
ou namorada ou namorado
ou pais ou quem quer que seja,
não está preparado.
não seja como muitos escritores,
não seja como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não seja chato, nem ranzinza e
pedante, não se consuma com
auto-devoção. (nem auto-adoração)
as bibliotecas do mundo todo têm
bocejado até durmir
com os da sua espécie.
não seja mais um.
não seja.
a menos que saia da
sua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não seja.
a menos que o sol dentro de você
queime as suas tripas,
não seja.
não seja como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não seja chato, nem ranzinza e
pedante, não se consuma com
auto-devoção. (nem auto-adoração)
as bibliotecas do mundo todo têm
bocejado até durmir
com os da sua espécie.
não seja mais um.
não seja.
a menos que saia da
sua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não seja.
a menos que o sol dentro de você
queime as suas tripas,
não seja.
quando chegar mesmo a altura,
e se foi escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará acontecendo
até que você morras ou que morra em você.
e se foi escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará acontecendo
até que você morras ou que morra em você.
não há outra alternativa.
e nunca houve.
....
Se você quer ser
você já não é
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Nem aí.

Eu.
Ela.
Eu e ela.
Ela lá.
Eu aqui.
Hoje, aqui, eu acredito que estando ela lá, ou aqui, o sentimento está sempre aqui.
É...
O sentimento está aqui...
Enquanto ela continua se fazendo presente por aqui mesmo estando lá.
Enquanto ela continua se fazendo presente por aqui mesmo estando lá.
Seria tão bom se ela estivesse aqui...
Só que ela esta lá.
Só que ela esta lá.
Mas é como se eu estivesse lá, porque estando o sentimento aqui comigo é como se ela estivesse aqui também, apesar de eu estar aqui e ela lá.
Lá é tão longe...
Mas tem dias que desejo tanto ela aqui que é como se eu estivesse lá, ou como se ela estivesse aqui comigo.
E aqui comigo no meu canto por vezes penso :
Olha lá hein? Não vai ficar aqui dando uma de idiota, bobo, apaixonadinho!
Olha lá hein? Não vai ficar aqui dando uma de idiota, bobo, apaixonadinho!
Vocês ainda não estão nem lá, nem cá, ela ainda está lá e pode ser que não esteja nem aí.
Mas quer saber?
Ela lá ou aqui, a gente nem lá, nem cá, não to nem aí!
Sei o que eu sinto aqui e parece que ela também sente parecido lá.
Se por lá é recíproco mesmo, não tem como saber: o que é dela é só dela lá e o meu é só meu aqui.
Se por lá é recíproco mesmo, não tem como saber: o que é dela é só dela lá e o meu é só meu aqui.
Mas pra não ficar neste sentimento nem lá nem cá eu decidi:
Esteja ela lá ou aqui, o que sinto aqui dentro é bonito e bom demais e não está mais aqui quem há pouco falou que não estava nem aí!
Esteja ela lá ou aqui, o que sinto aqui dentro é bonito e bom demais e não está mais aqui quem há pouco falou que não estava nem aí!
É, mas...
Aqui...
Aqui...
Posso confessar uma coisa?
Eu sinto que eu estou quase lá de novo.
É!
Lá!
Lá!
Quando um sentimento vai crescendo tão forte, tão enorme aqui dentro que se tem eu + ela, aqui, lá ou em qualquer lugar, o mundo pode acabar, a galáxia explodir, o universo desaparecer...
e eu?
e eu?
Não to nem aí.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
terça-feira, 12 de maio de 2015
Immortality
Gabriel falou que o Ornitorrinco chegou ao fim. Eu nunca aceitei o fim. Eu não entendia o que era terminar. É preciso aceitar o fim, os finais. O que se repete é culpa da minha vontade de não deixar que um ciclo se feche, meu apego ao que conheço, á repetição, meu medo de finalizar. É preciso aceitar o fim. Cada fim é um começo e cada começo é um fim. Tudo o que já passou deixou a sua marca, tudo o que já se foi continua sendo. Tudo o que terminou, não acabou, apenas se transformou. Eu não aceitava o fim, eu pensava que o que terminava para sempre me abandonava, ficando em um passado intangível. O que acabou jamais me abandona, apenas se transforma. Tudo o que terminei, tudo o que comecei, tudo faz parte de mim. Final e começo não são muito diferentes. Aprendi a aceitar o fim e consegui vislumbrar o que é ser eterno.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Contradição Minha
mas sou só sorrisos por ela decolando pra outras terras
não pretendo cercear liberdades
mas queria ela amarrada aos meus abraços
amaria ficar na prisão do abismo que é cheirar e beijar aquela nuca
amaria ficar na prisão do abismo que é cheirar e beijar aquela nuca
moveria montanhas pra que de mim não se distanciasse
mas torço entusiasmado pra que ela vá longe
não gosto de poesia
mas o que é isso que eu tô escrevendo agora?!
não gosto de poesia
mas o que é isso que eu tô escrevendo agora?!
ah essa mulher...
que não posso nem quero possuir
que não posso nem quero possuir
mas me faz ter vontade enorme de chamar de Minha
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Não quero acertar, mas não quer dizer que queira errar e por isso não sei escolher um título para esse texto
nunca levei porrada, nunca fui perdedor
quero muito acertar, eu quero muito vencer
quero a roupa combinando, mesmo que não combine
quero a fala engraçada na hora exata
quero tirar uma nota boa
quero ser bom no que faço
quero o texto perfeito como eu queria que esse fosse até eu estragar ele no meio com uma longa sequência de palavras desnecessárias como estas que eu estou escrevendo agora sem dar tempo para meu racional editar e tentar consertar algo totalmente repetitivo e idiota e sem pontuação como essa parte do texto onde eu falo muitas coisas mas não falo nada o que as vezes é bom pra desopilar os pensamentos e botar tudo de repetitivo que se repete e é redundante quando tentamos através das palavras ficar explicando o que não precisa ser explicado e de repente você está no meio de uma frase e talvez perceba que não precisa ir até o fim dela mas onde é o fim?
me diga, quem é que não quer sair vencedor sempre?
quero muito acertar, eu quero muito vencer
quero a roupa combinando, mesmo que não combine
quero a fala engraçada na hora exata
quero tirar uma nota boa
quero ser bom no que faço
quero o texto perfeito como eu queria que esse fosse até eu estragar ele no meio com uma longa sequência de palavras desnecessárias como estas que eu estou escrevendo agora sem dar tempo para meu racional editar e tentar consertar algo totalmente repetitivo e idiota e sem pontuação como essa parte do texto onde eu falo muitas coisas mas não falo nada o que as vezes é bom pra desopilar os pensamentos e botar tudo de repetitivo que se repete e é redundante quando tentamos através das palavras ficar explicando o que não precisa ser explicado e de repente você está no meio de uma frase e talvez perceba que não precisa ir até o fim dela mas onde é o fim?
me diga, quem é que não quer sair vencedor sempre?
eu não quero mais ser um vencedor
quero só existir, só fazer, só ser humano e saber
que há muita vitória em saber perder
que há enorme acerto em saber errar
e saber
que não querer vencer não é igual a querer perder
que não almejar só o acerto não me leva ao erro
quero só existir, só fazer, só ser humano e saber
que há muita vitória em saber perder
que há enorme acerto em saber errar
e saber
que não querer vencer não é igual a querer perder
que não almejar só o acerto não me leva ao erro
sábado, 25 de abril de 2015
Um texto sem palavras

eu não sei o que
sei que quis vir aqui escrever
falar dessa inspiração que ela me traz, sabe?
um textinho pra essa coisa boa só de pensar
uma palavra pra esse sorriso que brota quando olho pra ela
um substantivo pra essa sensação dela caminhando na minha direção na Matheus Grou
um adjetivo maravilhoso pra isso de mergulhar no pescoço e nos cheiros
um advérbio tão tão doce quanto trocar carinho com ela
um verbo pra esse pausar quando nos beijamos
um texto bonito, um texto inspirado nela, pra ela
É...
As vezes a gente escreve escreve e escreve
E fica feliz de não ter palavras
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Em busca do verdadeiro amor
Ando em busca do verdadeiro amor. Lendo esse título é difícil não pensarmos imediatamente no amor, em amar e sermos amados, difícil não associarmos esse amar e sermos amados, ao romance entre duas pessoas, a um relacionamento. E se não aos amantes então associamos o verdadeiro amor aos pais, a um filho, ao melhor amigo, enfim, aos mais próximos e queridos. Mas o verdadeiro, mais sublime e difícil amor de se cultivar não é o desses exemplos.
No uso diário desse amor que eu vou falar aqui neste texto, quase todos nós somos bem medíocres.
Quando uso medíocre, eu não quero dizer com a conotação negativa que essa palavra carrega, mas medíocre no sentido literal de estarmos assim, meio marromeno, meia boca, bem aquém do nosso potencial máximo de amar.
Hoje sigo o a linha do Mestre Irineu do Santo Daime, e este caminho me torna uma pessoa ais doce. Mas penso que acima de qualquer religião existem princípios e exemplos que se seguidos fariam a existência de todos melhor e mais fácil, e se é bom pra todo mundo, é bom pra TODO o mundo. Já frequentei inúmeras religiões, de Umbanda, passando por Budismo até Metodistas, posso dizer que peguei algo de positivo de todas. Um destes exemplos, é o personagem de Jesus.
Digo personagem porque pouco importa se você não acha que a história da bíblia é real, se Jesus existiu de fato, se você é ateu ou pastor evangélico, acima das nossas crenças e fé deveriam importar os exemplos e ensinamentos de amor que podemos tirar desta entidade e de sua história. Fiquei pensando na profundidade e utilidade de:
Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei.
Digo personagem porque pouco importa se você não acha que a história da bíblia é real, se Jesus existiu de fato, se você é ateu ou pastor evangélico, acima das nossas crenças e fé deveriam importar os exemplos e ensinamentos de amor que podemos tirar desta entidade e de sua história. Fiquei pensando na profundidade e utilidade de:
Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei.
Se nós amássemos aos outros, de verdade, como nos amamos, tenho certeza que o mundo seria melhor. Essa compaixão e paciência que estou aprendendo a ter com meus erros, minhas ausências e minhas mesquinharias, quero cada vez mais ter com as falhas e vacilos dos outros. Mas sabemos quem nem todo mundo se ama, e muita gente nem sabe disso, então tratar um completo estranho como eu me trato? É difícil.
Se nós amássemos aos outros, pelo menos como amamos nossa família, nossos amigos, não tenho dúvida que a vida seria mais justa pra todo mundo. Mas tratar um desconhecido como tratamos nossos mais chegados? É bem difícil.
Aí você começa a dirigir e pensa nisso tudo. Um otário te dá uma fechada violenta no trânsito. Você olha a revista na banca e vê aquele filho da puta milionário que deu propina para um político desgraçado que usou dinheiro público pra comprar a ilha dele em Angra onde dá festas regadas a MUM e putas, e quando chega na repartição pública uma vagabunda te atende muito mal e tem uma má vontade escrota pra te ajudar a resolver o seu problema. Eis uma ótima oportunidade. Com certeza a gente não sentiria a mesma raiva do otário, do filho da puta, do desgraçado e da vagabunda, se eles fossem respectivamente seu pai, seu irmão, seu melhor amigo e sua mãe. Estranhos que nos causam ódio mereciam a mesma paciência e compaixão que a gente tem, ou tenta ter, com os nossos mais chegados e queridos, com nós mesmos.
Aí você começa a dirigir e pensa nisso tudo. Um otário te dá uma fechada violenta no trânsito. Você olha a revista na banca e vê aquele filho da puta milionário que deu propina para um político desgraçado que usou dinheiro público pra comprar a ilha dele em Angra onde dá festas regadas a MUM e putas, e quando chega na repartição pública uma vagabunda te atende muito mal e tem uma má vontade escrota pra te ajudar a resolver o seu problema. Eis uma ótima oportunidade. Com certeza a gente não sentiria a mesma raiva do otário, do filho da puta, do desgraçado e da vagabunda, se eles fossem respectivamente seu pai, seu irmão, seu melhor amigo e sua mãe. Estranhos que nos causam ódio mereciam a mesma paciência e compaixão que a gente tem, ou tenta ter, com os nossos mais chegados e queridos, com nós mesmos.
Agora imagine um bilionário que explora seus funcionários ao extremo para acumular mais e mais para si e pros seus, resolve olhar o seu empregado do mais baixo escalão com o mesmo carinho e generosidade que olha pros seus filhos, pra si mesmo. E aqui não falo de dar mais grana ou dar bens materiais, porque seria fácil demais e seria pressupor que todas as pessoas alcancem a plenitude buscando e satisfazendo seus desejos materiais. Imagine um olhar desse milionário para esse funcionário, um olhar de estar verdadeiramente preocupado com que esse ser humano atingisse o que quer que fosse sua idéia de plenitude e prosperidade. E aí imagine que esse mesmo empregado tem o mesmo olhar pro seu empregador. É desse amar que eu falo.
Porque no amai-vos uns aos outros não existe hierarquia, mas quando a gente vê um exemplo de poder e opressão a gente pensa sempre que só com o oprimido que temos que ter compaixão e amor, o opressor que se exploda. Somos todos iguais, todos fazemos coco, todos temos que respirar pra viver, estamos todos conectados e não há olhar de baixo pra cima ou de cima pra baixo. Somos todos humanos, estamos todos aqui, juntos, vivos, co-existindo de forma as vezes mais direta, as vezes mais indireta, mas sempre parte de um só filme onde o que quer que eu altere na minha parte da história eu altero a sua parte da história, eu altero o filme todo. Por isso disse que considero esse amor o mais sublime de todos, porque esse de fato requer paciência, superação, doçura e amor acima da média, amor bem acima do nossa forma medíocre de amar.
Dedico este texto ao otário da Land Rover preta que há 2 horas atrás me deu uma fechada na Aimberé com Heitor Penteado e ainda me mandou ir tomar no cu.
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quarta-feira, 1 de abril de 2015
Cabo Polonio, Montevidéu e o olhar de turista
![]() |
| Playa Sur - Cabo Polonio - Uruguai |
Quando comecei a escrever este texto estava no escuro no ônibus voltando de um lugar chamado Cabo Polonio. Cabo Polonio é uma vila de pescadores de cerca de 60 habitantes que está dentro de um Parque Nacional na costa do Uruguai. Lá não tem sistema de eletricidade e o acesso só é possível indo a pé pelas dunas ou com veículo 4 x 4 pelos 7 km de distância que separam o vilarejo do terminal de ônibus mais próximo, perto da entrada do Parque. Só estes fatos por si só já dão um encanto ao lugar, mas Cabo Polonio e Montevidéu me encantaram mais pelas reflexões e aprendizados que tive através de experiências simples que vivi.
Ainda que possa parecer, este texto não pretende ser algum tipo de registro de memórias desta experiência ( apesar de que naturalmente seja em alguma medida). Este texto também não pretende ser um guia turístico sobre os locais que estive, talvez um registro das reflexões e dos sentimentos que ficaram em mim, depois de 24h em Cabo Polonio e uma semana em Montevidéu.
Eu não tenho absolutamente nada de registro concreto disso tudo. Eu não tirei nenhuma foto de Cabo e isso me fez estar muito presente em cada uma destas experiências. E o irônico é que, paradoxalmente, se essa visita a Cabo foi assim inesquecível penso que foi justo por esta falta de registro.
Quando estamos viajando é mais recorrente não pensar na conta pra pagar amanhã, ou no pepino que não resolveu ontem no trabalho, vivemos mais o agora. Só que por outro lado temos a forte tendência de querer registrar tudo, seja com foto, souvenirs ou cadernos de viagem. Porque a gente precisa arrumar formas de recordar tudo? Ao meu ver isso nos faz menos conectados com o agora. Me lembro de uma cena do Sean Penn num filme que achei mediano, mas que me marcou, A Vida Secreta de Walter Mitty. O fotógrafo que ele interpreta está no alto das montanhas há muito tempo tentando tirar uma foto histórica do Leopardo Fantasma (que tem esse nome pela raridade de ser visto). Até que ele avista o bicho pela primeira vez, mas não bate a foto. Ele diz que se registrasse não iria viver tão intensamente a beleza do momento. Querer arrumar formas de registrar, não ajuda a viver a beleza de cada momento sabendo que ele é único e passageiro, não é o olhar do turista do qual eu falo aqui.
Quantas vezes por semana você pára pra contemplar o por do sol na cidade que você vive? E pra ver o sol nascer? E passear com calma olhando as pessoas, a paisagem, os prédios? Logicamente que quando não estamos de férias a rotina de trabalho e falta de tempo, em especial em cidades grandes como São Paulo, não costumam permitir estes tipos de atividades com frequência, mas meu ponto é que se trata de algo além da falta de tempo, se trata de um mind set, de uma forma de olhar a realidade, o tal olhar de turista.
O que se passou em Cabo, foi muito único, mas no sentido do que refleti nessa viagem foi bem parecido com o que aconteceu em Montevidéu: o olhar de turista.
Eu achei Montevidéu bem linda, mas penso que isso é questionável. Algumas vezes parava pra contemplar velhinhos andando, a arquitetura do prédio na esquina, as árvores, a vida das pessoas na varanda. Os moradores me olhavam meio sem entender o que eu via de bonito. Olhar de turista é essa generosidade no olhar, de ver beleza nas coisas simples, de ver o feio um pouco mais bonito e interessante, essa constante descoberta do novo, de ter um olhar de criança que está conhecendo todo um mundo à sua volta. Digo um olhar porque o que me pareceu claro nessa viagem é que se trata em parte do lugar ser agradável e bonito como eu achei Montevidéu, mas se trata muito mais dessa forma de pensar e olhar seu entorno. Ou não seria possível caminhar no centro de São Paulo e achar beleza?
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| Criança observando os lobos marinhos em Cabo Polonio. |
Esse olhar de turista (em especial viajando sozinho) ao te ensinar a estar mais presente, pode também te ajudar a olhar situações sem querer se agarrar a elas. Como exemplo teve tudo de sensacional que mencionei que vivi em Cabo e não registrei, e também os momentos fodas que vivi com várias pessoas incríveis de vários lugares em Montevidéu.
Dentre elas teve um francês que estava viajando pelo mundo há dois anos. Passeei a pé pelas ramblas de Montevidéu um dia inteiro, conversamos sobre a vida dele nestes dois anos, discutimos muitos assuntos profundos e interessantes, um cara que poderia ser dos meus melhores amigos. Foi demais. Depois teve uma sueca linda de assustar com quem divivi o quarto. Ela foi daquelas pessoas que bate o santo, que você conhece e em segundos te entende no olhar, que apesar das milhares de milhas de distância e diferenças culturais, vocês se divertem muito depois de 5 minutos que se conheceram. Acordamos, tomamos café, almoçamos e caminhamos manhã e tarde pelo Centro de Montevidéu antes dela ir embora. Foi sensacional. Não tenho nenhum registro destes dois encontros.
Só um improvável conjunto de situações muito favoráveis faria um outro encontro entre eu e estas duas pessoas acontecer, mas fiquei muito feliz de ter vivido momentos inesquecíveis com eles. Eu estava muito presente. Se eu me apegasse e me chateasse a cada despedida deste tipo de pessoas sensacionais que eu conheci e queria ter pra sempre na minha vida, eu também não estaria tendo o olhar de turista que falo.
Acho que de todas as viagens que fiz, essa de fato me fez entender e trazer esse olhar de turista pra minha vida, tantas vezes tão dura aqui em São Paulo. Hoje no fim de tarde, nadando contra a corrente, no meio de um ritmo frenético de milhões de pessoas apressadas, muito concreto e carros, eu caminhei calmamente pela Avenida Paulista na hora do rush, observando as pessoas. Depois peguei minha bicicleta e contemplei velhinhos andando, a arquitetura do prédio na esquina, as árvores, a vida das pessoas na varanda, até chegar à Praça do Por do Sol.
Hoje eu vi o sol se por em São Paulo. Foi lindo.
Dentre elas teve um francês que estava viajando pelo mundo há dois anos. Passeei a pé pelas ramblas de Montevidéu um dia inteiro, conversamos sobre a vida dele nestes dois anos, discutimos muitos assuntos profundos e interessantes, um cara que poderia ser dos meus melhores amigos. Foi demais. Depois teve uma sueca linda de assustar com quem divivi o quarto. Ela foi daquelas pessoas que bate o santo, que você conhece e em segundos te entende no olhar, que apesar das milhares de milhas de distância e diferenças culturais, vocês se divertem muito depois de 5 minutos que se conheceram. Acordamos, tomamos café, almoçamos e caminhamos manhã e tarde pelo Centro de Montevidéu antes dela ir embora. Foi sensacional. Não tenho nenhum registro destes dois encontros.
Só um improvável conjunto de situações muito favoráveis faria um outro encontro entre eu e estas duas pessoas acontecer, mas fiquei muito feliz de ter vivido momentos inesquecíveis com eles. Eu estava muito presente. Se eu me apegasse e me chateasse a cada despedida deste tipo de pessoas sensacionais que eu conheci e queria ter pra sempre na minha vida, eu também não estaria tendo o olhar de turista que falo.
Acho que de todas as viagens que fiz, essa de fato me fez entender e trazer esse olhar de turista pra minha vida, tantas vezes tão dura aqui em São Paulo. Hoje no fim de tarde, nadando contra a corrente, no meio de um ritmo frenético de milhões de pessoas apressadas, muito concreto e carros, eu caminhei calmamente pela Avenida Paulista na hora do rush, observando as pessoas. Depois peguei minha bicicleta e contemplei velhinhos andando, a arquitetura do prédio na esquina, as árvores, a vida das pessoas na varanda, até chegar à Praça do Por do Sol.
Hoje eu vi o sol se por em São Paulo. Foi lindo.
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| Praça do Por do Sol - SP (essa foto não fui eu que tirei ) |
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
É mais fácil ser feliz onde as ruas não tem nome
Quem nunca se sentiu mais vivo e pleno num desse locais paradisíacos, isolados onde a natureza impera? Quem nunca fez uma viagem de imersão e contato profundo com a natureza e pensou em ficar? Especialmente quando você vem de uma viagem dessas e volta para uma megalópole como São Paulo, onde eu vivo hoje, é difícil não questionar sua vida, seus valores e se você quer mesmo ficar na cidade grande ou se quer viver uma vida mais simples e tranquila.
Tanto na virada do ano passado 2013 para 2014, como na de um mês atrás, 2014 para 2015, estava em lugares destes que te fazem resignificar sua existência: numa fazenda no interior do Espírito Santo e no Vale do Capão. Veja este vídeo e este vídeo se quiser ter uma noção melhor destes dois locais que falo. Fato é que é mais fácil ser feliz em locais como esses.
A começar porque em lugares assim se come muito bem todos os dias. Os temperos são da nossa horta, as frutas são do quintal, quem faz a comida é "ele ali" que traz daquela plantação do jardim de casa. A falta de tantos intermediários e de uma relação mais capitalista, agressivinha e alienada de consumo, dá um sabor diferente e especial ao que se come, sem falar na menor quantidade de conservantes e afins. Você vê de onde vem e como vem. E mesmo o que não é da sua horta é logo ali do vizinho. O vizinho tem nome, ele é um humano que você conversa e conhece pessoalmente.
Lugares como esses são menos povoados e esse fato, por si só, logicamente já humaniza mais as pessoas e as relações. Algumas vezes aconteceu de alguém não ter troco, e ok, outro dia você me paga. O nivel de confiança no outro parece ser maior, isso por si só já diminui a tensão nas relações, é mas fácil conhecer e confiar em "estranhos" e é óbvio que isso é saudável. Em lugares como estes eu adoro cumprimentar pessoas aleatórias e nunca me sinto estranho ou louco por fazer isso porque sempre me respondem e me cumprimentam.Tenta cumprimentar um estranho numa cidade grande e a provável reação que você costuma ter é de estranhamento do tipo não te conheço você é louco ou psicopata, ou desprezo total.
| Eu e alguns totais estranhos que tive o grande prazer de ter como amigos. Pratinha - Foto: Arthur Schimidt |
Um dia no Espírito Santo a gente se perdeu numa estrada de terra e a indicação era sempre a direita ou a esquerda, na casa do João, na fazenda do Beto, na venda da Graça. As ruas não tem nome, mas as pessoas tem. Elas são mais pessoas, e não mais um na multidão, é mais fácil que elas se conheçam pelo nome.
As nossa conversa é mais focada e presente porque você tem acesso limitado ou nenhum acesso a telefone, internet, whatsapp, facebook, e esses milhões de outras coisas pra nos distrair o tempo todo, algumas ferramentas que deveriam servir pra nos conectar, mas debochadamente acabam nos distanciando na maioria das vezes. É batido e cliché falar isso, mas é real, porque se você não tem sinal de celular nem telefone fixo pra falar com o João do alface, você tem que ir fisicamente até ele. Você relembra que tantas coisas que parecem tão necessárias como seu celular, não são assim tão necessárias. Se você não tem milhões de gadgets e aparelhos e acontecimentos, o acontecimento é existir, a distração é contemplar, a conversa é com você mesmo ou olho no olho com quem te acompanha.
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| Eu, só existindo no terraço da nossa casa no Capão. Foto- Arthur Schimidt |
Estes tipos de lugar te fazem perder a noção de tempo, é muito comum não saber que dia da semana e do mês você está. O tempo é menos preciso, em grande parte porque você não usa medidores de tempo, seja relógio ou celular, e não tem hora pra nada. A hora de acordar é a que acordar. A hora de comer é quando dá fome, a hora de dormir é quando dá sono. E como você não tem tanta distração e informação pra pensar no que vai ser o amanhã ou pra te relembrar o que aconteceu ontem, você tende a ficar muito mais no agora, no momento, o que dá uma sensação de dilatação ou de falta de noção do tempo, e consequente plenitude, felicidade, me lembra aquela famosa expressão em inglês: natural high. E esse estar presente, essa falta de noção de tempo, te faz ter outras perspectivas sobre tudo, sobre por exemplo pensar que a vida são esses "grandes" momentos, quando eu casar, quando eu tiver um filho, minha casa, ou quando o que quer que seja um grande momento pra você, e na realidade a vida é cada agora, cada momento, cada experiência simples e singular que é ser, existir.
| Pôr do Sol no Morro do Pai Inácio - Foto: Lud Campos |
É necessário ter dinheiro, ok, e não pretendo fazer o discurso metidinho a naturalista que romantiza lugares lindos como estes, mas fica tão evidente que existem milhões de coisas tão simples e que dinheiro não compra que te deixam em estado de plenitude, satisfação e alegria, que é difícil não romantizar. Ficar de pés pro alto vendo a paisagem na rede, dormir na sombra de uma pedra ouvindo o som da cachoeira em rodas, mergulhar num poço natural de Mucugezinho, ficar bem embaixo da cachoeira deliciosamente gelada da Purificação, escutar o barulho do vento batendo no capim na trilha pra Aguas Claras, ver um por do sol inesquecível no Morro do Pai Inácio... Tudo de graça. Seja você milionário ou mendigo, diante da natureza todos nós somos só humanos, uma fração de um pixel existindo no universo.
| Arthur flutuando e sorrindo, e o olhar incrédulo da menina no canto. Poço de Águas Claras - Foto: Lud Campos |
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Muito além de um pau duro
Vou começar mandando uma real pra Lucy e pro João, pra você gatona que lê e pra você meu amigo hétero, machão que tem pau: nós homens não somos nosso pau duro e um relacionamento saudável vai muito além de pau duro.
A Lucy tem 46 anos. Desde os 25 ela malha religiosamente. Ela estava cansada de malhar e então tinha resolvido parar. Só que uma semana depois ela ficou insegura e voltou. É que a Lucy e o "João" acham que o grande valor dela é o corpão dela. João também tem 40 e tal, é o peguete da Lucy. Eles só transam de luz apagada. É que o João implica com as "pelancas" da Lucy e com o fato dela não ter aquela lubrificação enxarcada inigualável de garota de 18 anos. Ao mesmo tempo ela não aceita o fato do João as vezes não querer transar porque alega que se o pau dele não tá duro é porque tem alguma coisa errada com o corpo dela. Senão é com ela então é com ele e o pau dele. Senão com a relação. João por sua vez, não admite jamais não ficar de pau duro. E não, não poderia ser só falta de desejo de um dia, e não, não poderia ser porque eles são um casal único em uma relação única com necessidades únicas. Não. Não desejar é inaceitável. O pau sempre tem que estar duro.
Se você, mulher, heterosexual espera que o mundo seja menos machista, que os homens sejam menos babacas e que você não seja sempre vista como uma pedaço de carne a ser jantado, comece por não reforçar comportamentos que botem o pau duro como supra sumo do poder na relação homem x mulher. Você pode achar a história da Lucy meio machista e bizarra, mas acredite que você também tem ou já teve estes comportamentos.
Tinha começado a ficar com ela devia ter uma semana. Convidei pra dormir na minha casa porque ficou tarde e ela morava bem longe. Ela hesitou. É pra dormir mesmo - eu garanti - tô querendo te ajudar, não é tática barata dissimulada pra te comer - sendo franco, brinquei. Ela riu e aceitou. A gente se beijou, eu não tentei nada e dormi. Não tentei não só porque estava exausto, mas porque não tava afim mesmo e garanti que era só pra dormir, fui literal em cumprir o que disse. De manhã, ela me olha nos olhos, faz um ar sério e grave de quem vai soltar uma bomba e lança: Franco, posso te falar uma coisa? Eu acho que voce é gay. Eu ri muito.
Gostaria de entender: porque se você sai com uma mulher existe a obrigação tácita de ter que comer ela caso ela queira dar? Funciona assim pras mulheres? Hum olha o abdomen dessa cara, humm ele falou que tenho uma bunda gostosa e quer me comer, hummm o pedreiro tá de pau duro me sarrando no metro = fico muito molhada, quero muito dar pra ele. Se eu não quiser dar é porque ou eu sou lésbica ou tenho algum problema de libido ou alguma disfunção sexual. A mulher se interessa por vários outros aspectos no homem e daí porque é tão surreal que o interesse sexual de alguns homens não seja só pautado nessa supervalorização do corpo, do sexo e no fato da mulher querer dar?
Por muitos anos eu não era consciente dos porquês subliminares dos meus atos e sofria essa coerção sem nem perceber. Com uma mulher, não tive a consciência de também respeitar meu tempo e minhas vontades, o resultado: fiquei super ansioso pra que acontecesse e na primeira vez que tivemos oportunidade esquisita de transar, e sob pressão, eu comecei a transa e brochei. Na segunda também.
Em outra experiência agi diferente. Já tinha acontecido alguns amassos além de beijo, mas não tínhamos transado. Não tive a vontade e o entusiasmo de querer me articular pra que isso acontecesse rápido, na minha cabeça iria acontecer naturalmente, ela me interessava além de só sexo, o interesse sexual estava acumulando, quase tântrico, eu não estava na seca, nem ansioso pra que acontecesse. Ela sim. Depois me contou que o amigo gay dela garantiu que eu só podia ter micropenia e tava com medo de transar por isso. Ela não concordou porque já tinha me apalpado, mas até a gente transar achava que eu deveria ter algum complexo, ou defeito físico, problema, ou ser gay.
As minhas melhores transas, foram sempre com pessoas que eu já conhecia bem e tinha bastante intimidade. Não falo isso com moralismo, não sou um ortodoxo "reaça", mas acho bem bizarra essa nossa enorme ansiedade disfarçada em comportamento modernoso e liberal de ficar de pau duro e transar rápido.
Não por acaso que o genérico do viagra, um remédio que tecnicamente seria para os velhinhos que não têm mais ereção poderem fazer sexo, é o terceiro mais vendido do Brasil. Outro campeão de vendas é o rivotril. Esses dados não são meras coincidências e reforçam: Estamos ansiosos por paus duros. Estamos cada vez mais imediatistas, e parece muito mais fácil ser gado e fazer como todo mundo faz, transar rápido e partir pra próxima, ter intimidade sem conhecer de verdade a intimidade, resolver seus problemas de ansiedade com pílulas do que ficar fazendo 3 anos de terapia ou qualquer outra forma de auto-conhecimento. Parece mais fácil, a conta vem depois.
Tenho vários conhecidos que criaram uma dependência psicológica de remédio pra ficar de pau duro: sem pelo menos uma meiota de um remédio azulzinho desses, eles ficam inseguros e brocham. São vários, não um ou dois. Alguns também dizem que na primeira transa sempre tomam um viagra pra não correr risco de não rolar pau duro ou de não "fazer bonito".
Tenho vários conhecidos que criaram uma dependência psicológica de remédio pra ficar de pau duro: sem pelo menos uma meiota de um remédio azulzinho desses, eles ficam inseguros e brocham. São vários, não um ou dois. Alguns também dizem que na primeira transa sempre tomam um viagra pra não correr risco de não rolar pau duro ou de não "fazer bonito".
Mesmo na vida de casado existe uma super-valorização do pau duro e do ato de transar. Já ouvi de alguns amigos: Porra, eu trabalhei muito essa semana, só transei 2 vezes, amanhã tenho que transar sem falta. E de amiga mulher: Não transamos hoje, temos que transar amanhã sem falta porque senão ele vai ficar com tesão acumulado e pode se interessar por alguém nesse fim de semana que vai passar sozinho.
A gente passa 1/3 da nossa vida dormindo então teoricamente seria mais importante dormir bem com seu potencial parceiro, depois do sexo, do que o sexo em si. Ironias a parte, acho uma vida sexual ativa e gostosa ótima pra um relacionamento saudável, mas não dá pra existir obrigatoriedade de transar. Também não vejo nada surreal num casal ter uma relação tão foda que o sexo tenha um papel secundário. É um erro pensar que todo casal em uma relação feliz e saudável desfruta de um padrão único de atividade sexual.
No passado falar abertamente de sexo era mais tabu, mas hoje temos mais e mais informação, o que deveria ser bom, mas acaba desenvolvendo nossa ansiedade de ser um casal "normal" que transa na média nacional aceitável. A internet está lotada de listas e artigos te dizendo as vantagens de meter muito, chegando ao ponto de dizer que você tem que transar mais! Não é a toa que o pau duro seja tão valorizado e a gente se ache muito "anormal" quando porque, por alguma, ou várias razões, a gente transa com menos frequência na relação, pensa logo que tem algo errado.
E esse é o paradoxo central com sexo e relações, de acordo com Barry McCarthy, um professor na American University, terapeuta sexual e de relacionamentos. Quando um casamento ou relação é saudável, o sexo geralmente tem um papel relativamente secundário. Mas quando existem problemas sexuais a relação degringola e o sexo rapidamente se torna uma preocupação devastadora acima de todo o resto, se o pau não tá duro ou a buça não tá molhada, fudeu... Mesmo sem aquela foda.
A gente passa 1/3 da nossa vida dormindo então teoricamente seria mais importante dormir bem com seu potencial parceiro, depois do sexo, do que o sexo em si. Ironias a parte, acho uma vida sexual ativa e gostosa ótima pra um relacionamento saudável, mas não dá pra existir obrigatoriedade de transar. Também não vejo nada surreal num casal ter uma relação tão foda que o sexo tenha um papel secundário. É um erro pensar que todo casal em uma relação feliz e saudável desfruta de um padrão único de atividade sexual.
No passado falar abertamente de sexo era mais tabu, mas hoje temos mais e mais informação, o que deveria ser bom, mas acaba desenvolvendo nossa ansiedade de ser um casal "normal" que transa na média nacional aceitável. A internet está lotada de listas e artigos te dizendo as vantagens de meter muito, chegando ao ponto de dizer que você tem que transar mais! Não é a toa que o pau duro seja tão valorizado e a gente se ache muito "anormal" quando porque, por alguma, ou várias razões, a gente transa com menos frequência na relação, pensa logo que tem algo errado.
E esse é o paradoxo central com sexo e relações, de acordo com Barry McCarthy, um professor na American University, terapeuta sexual e de relacionamentos. Quando um casamento ou relação é saudável, o sexo geralmente tem um papel relativamente secundário. Mas quando existem problemas sexuais a relação degringola e o sexo rapidamente se torna uma preocupação devastadora acima de todo o resto, se o pau não tá duro ou a buça não tá molhada, fudeu... Mesmo sem aquela foda.
Vamos deixar essa bobeira de pau duro pra lá, vamos voltar a falar de amor. Lembra do João e da Lucy lá do início do texto? Então, há um tempo atrás eles tavam transando e o João bebeu e depois tomou dois viagras seguidos pra ficar de pau bem duro pra comer a Lucy. João teve um infarto e morreu. A Lucy, apesar do baque inicial, hoje, quase 9 meses depois, já tá bem feliz. Lucy conheceu o "Dildo". Dildo além de bem menos crítico que o João com as pelancas dela, deseja e respeita Lucy como ninguém. Sempre que Lucy quer, Dildo também quer. Dildo tá sempre duro. Dildo é um vibrador.
A sociedade está na cama com todos nós. Se todo mundo faz algo igual ninguém precisa pensar. Se chega o viadinho (no sentido literal histórico de ser viado especialmente) do Franco, ou algum outro viadinho consciente das escolhas dele e não segue um determinado comportamento padrão, eles tem que ter algum problema, porque senão eu, mais um gado da sociedade, preciso pensar. Ninguém quer pensar. Dá muito trabalho. Quem o Franco ou qualquer homem pensa que é pra sair com uma mulher e não querer comer ela rápido? Tá errado! Só pode ser viado porque macho que é macho fica sempre de pau duro e come qualquer buraco quente que esteja querendo ser catucado. Desculpa ae, se você é uma mulher que quis me dar e não te comi, sabe o que é? É que não ganhei meu pau no bingo e eu sou bem mais que meu pau duro.
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| Meu nome é Dildo. |
A sociedade está na cama com todos nós. Se todo mundo faz algo igual ninguém precisa pensar. Se chega o viadinho (no sentido literal histórico de ser viado especialmente) do Franco, ou algum outro viadinho consciente das escolhas dele e não segue um determinado comportamento padrão, eles tem que ter algum problema, porque senão eu, mais um gado da sociedade, preciso pensar. Ninguém quer pensar. Dá muito trabalho. Quem o Franco ou qualquer homem pensa que é pra sair com uma mulher e não querer comer ela rápido? Tá errado! Só pode ser viado porque macho que é macho fica sempre de pau duro e come qualquer buraco quente que esteja querendo ser catucado. Desculpa ae, se você é uma mulher que quis me dar e não te comi, sabe o que é? É que não ganhei meu pau no bingo e eu sou bem mais que meu pau duro.
sábado, 6 de dezembro de 2014
Filho feio não tem pai. Nem mãe.
Feiura.
Defeito genético? Castigo de Deus? Ou um baita de uma azar desgraçado mesmo?
Tem gente que vive do mercado da feiura, mas deve ser uma merda ser feio. Ser bonito é subjetivo, graças a Deus eu sou um dos caras mais lindos do Brasil, da America Latina e quiçá do mundo hoje. Mas já fui gordo. Gordo é sempre considerado feio. Seja gordo por um dia e você vai entender.
Um bichinho que eu comia muito enquanto balofo era lagosta, e se tem uma coisa que é certa é que a lagosta também não é reconhecida por ser um bicho bonito. Lagosta é um bicho feio. É uma barata do mar, vermelha, cheia de pelinhos grotescos, antenas e com um exoesqueleto duro e cheio de calombos. É caríssima, é uma iguaria, tem que ser morta ao ser jogada viva dentro de água escaldante, mas é uma delícia mesmo assim.

Mesmo pagando de gatona as lagostas são feias pra caralho. Merecem morrer.
Se tem uma coisa que também é certa é que coelho é reconhecido por ser um bicho muito bonitinho. Coelho é um bicho fofo né? Aqui em São Paulo tem um lugar incrível: o Le Lapin Tué. Restaurante francês especializado em coelho. Tem coelho frito, assado, rechado, estrogonofe de coelho, pizza de coelho, pastel de coelho, espetinho de coração de coelho e o famoso petit gateu de coelho. A coisa em comum de todas as receitas é que eles tem uma técnica para garantir a carne desmanchando na boca. Eles usam o mesmo processo da lagosta: pegam o coelho e jogam ele vivo na água escaldante, mas é uma delícia do mesmo jeito.

Essa lagosta vc tb jogaria viva num panelão de água fervendo?
Esse restaurante não existe e a imagem do coelho vivo na água fervendo choca muito mais não só por fatores culturais, meus caros, mas por um fato elementar: o coelho é bonito. Lagosta é morta cruelmente, sem pena, e com rara reflexão sobre seu sofrimento, sabe por que? Porque ela é feia.
Mesmo que seja uma forma rudimentar e tosca de demonstrar sofrimento a lagosta sofre. Encoste o rabinho dela na água a 90 graus celcius e você vai ver que se ela fosse burra e com sistema nervoso primitivo, uma idiota que não sente nada, como argumenta-se convenientemente, ela não iría desesperadamente tentar fugir e se agarrar nas bordas como faz. Um coelho gritaría e veríamos nos seus olhos seu sofrimento. Ainda assim: de onde vem a idéia de que uma forma primitiva e pouco articulada de sofrimento é menos digna de consideração do que uma forma "evouluida" de sofrimento? Existem algumas razões, mas vou me ater a meu ponto aqui: o sofrimento da lagosta é menos considerado porque a lagosta é feia.
O ponto aqui não é o sofrimento animal. Esse não é um texto ecochato, vegan ortodoxo que quer defender não comer proteína e sofrimento animal. Penso que a gente tem sim que considerar a lagosta. Só que pra ser bem franco (sem trocadilho), saber do sofrimento dos animais, não diminuiu meu prazer em comer um filé com queijo do Alfa Bar ou do Polis Sucos por anos. Na nossa alienação proposital e conveniente do processo de abatimento do boi até ele virar bife e no prazer em comer do espírito do gordo que ainda vive em mim, eu não estava pensando no processo e nos maltratos que aconteceram enquanto eu me lambuzava comendo aquele filé macio com queijo derretido. Eu raramente como carne em geral hoje, mas pela "simples" razão "egoísta", e não menos positiva, de que me sinto leve e bem, e de tabela imagino que estou fazendo bem pro mundo e pros animais, sejam eles bonitos como o coelho ou feios como a lagosta, o ponto aqui é a beleza, ou melhor, a falta dela.
Muita gente tem pena de comer coelho, mas rói até o ossinho da galinha, come espetos de coração desse ser que é feio pra cacete. Lógico que existem muitos fatores culturais, na culinária em especial, mas vou além da culinária e cultura. Tão certo quanto o fato que galinha não tem 3 corações, (como minha mãe uma vez me ludibriou quando bem pequeno concluí que cada coração vinha de uma galinha) os seres belos inspiram mais compaixão.
Com que frequência você vê alguém matando e estraçalhando uma joaninha? Já um besouro cascudo e feio... Borboletas coloridas, lindas, "ah não mata tadinha!" Já uma mariposa acinzentada e peluda não é tão difícil de ser estraçalhada. Baratas são nojentas por várias razões, mas as vezes elas estão quietas, na delas. Mata, pisa nela! Mosquito? Mosca? Frita com raquetinha de choque. Feiura não inspira compaixão. Filho feio não tem pai.(https://www.youtube.com/watch?v=lHnNlneEf3Q) Nem mãe.
E o irônico é que diz-se hoje que nossos critérios de beleza dentre outros fatores, são baseados na simetria que por sua vez teria alguma conexão com genes mais interessantes para procriação e todo esse blablabla que já se falou. Mas o fato é que os padrões de beleza já foram outros como no renascimento e, na real, são bem relativos. Não precisamos ir até a China, só até Secretário já basta.
Eu era gordo até meus 16 anos e gordo não é frequentemente visto como exemplo de beleza nos padrões de hoje, em Secretário é. Minha família tinha um sítio em Secretário, que deve ficar só a umas 2 horas de distância do Rio, lá no sítio em especial eu não curtia ser gordo. Não só porque era difícil pacas sair da piscina por onde não tinha escada, não só porque uma coxa roçava na outra quando eu jogava futebol e eu ficava assado, mas em especial por ser um gordo adolescente, e por causa da caseira do sítio. A caseira, a Beatriz, toda vez que me via enchia a boca achando que estava sendo lisonjeira: "Nossa olha que menino bonito! Olha esses "braço" roliço! Essas "bochecha" gorda, esse barrigão gordo!". Como ela tinha 16 filhos, a comida era muito racionada e os filhos delas eram bem magros, logo, ela via a gordura como beleza. Eu ficava muito puto com a Beatriz, mas desde esses anos comecei a refletir sobre isso do que é considerado belo, feio e as suas consequências.
Essa beleza que é uma benção, é como uma moeda de troca, é ostentada, valorizada e vangloriada, quando não há mérito nenhum nela, seja presente de Deus ou dos genes, beleza é uma característica inata e pré-determinada tanto quanto a feiura. Por mais que os porquês sejam bem contestáveis, dá pra argumentar que uma beleza de se enquadrar nos padrões estéticos de hoje tem algum "mérito" porque é necessário fazer exercício, dieta, cirurgia, enfim, usar qualquer tipo de artifício, loucura ou esforço e perseverança pra atingi-la. E qual é o mérito de quem já nasce lindo? E então porque se valoriza tanto o ser belo?
Essa loucura de valorizar a beleza como qualidade e vantagem chega a pontos estratosféricos. Um estudo da Universidade do Estado de Michigan, Why Beauty Matters, concluiu que os profissionais vistos como feios são tratados de forma muito pior pelos colegas, quando comparados com aqueles considerados bonitos, mesmo após serem levados em consideração outros fatores como gênero, idade e tempo de trabalho na empresa. Em outro teste a produtividade dos humanos considerados bonitos foi a mesma que dos "comuns", mas os bonitões mostraram muito mais confiança, pela constante validação e aprovação das suas belezas. E ainda em um outro parte do estudo, quando os empregadores avaliaram apenas o currículo dos candidatos, a aparência física não influenciou a estimativa. Mas, quando fizeram entrevistas cara-a-cara e conversas telefônicas, resultados positivos para os mais belos, obviamente.
A beleza exerce um poder de empatia, de coerção e de encantamento que fica acima do nosso raciocínio lógico. Dificilmente alguém olharia para um bonitão de terno e pensaria: "Vou atravessar pra outra calçada que esse cara vai me assaltar."
A beleza também não tem relação alguma com ser burro nem inteligente, mas ela emburrece a gente através do encantamento que pode exercer. Como no caso dos prefeitos idiotas que me marcou, justo pelo uso da beleza que encanta emburrecendo.
Eu mesmo que me considero inteligente quantas vezes fiquei burro, sem discernimento nem clareza de raciocínio diante da beleza. Lembro de uma vez aos meus 16 anos que uma vendedora linda, estilo top model, de olhos azuis muito claros, decote com peito grande e firme em destaque, sorriso fácil e cabelo encaracolado loiro de Gisele, apelou dizendo que eu estava "muito gato" com uma calça. Eu até percebi qual era a dela, mas fiquei quase que retardado com aquelas palavras vindas de uma deusa daquelas, eu sorria e acreditava, mesmo sabendo que era uma técnica de venda descarada. Levei uma calça de R$250 que mal entrava nas minhas pernas gordas assadas.
Defeito genético? Castigo de Deus? Ou um baita de uma azar desgraçado mesmo?
Tem gente que vive do mercado da feiura, mas deve ser uma merda ser feio. Ser bonito é subjetivo, graças a Deus eu sou um dos caras mais lindos do Brasil, da America Latina e quiçá do mundo hoje. Mas já fui gordo. Gordo é sempre considerado feio. Seja gordo por um dia e você vai entender.
Um bichinho que eu comia muito enquanto balofo era lagosta, e se tem uma coisa que é certa é que a lagosta também não é reconhecida por ser um bicho bonito. Lagosta é um bicho feio. É uma barata do mar, vermelha, cheia de pelinhos grotescos, antenas e com um exoesqueleto duro e cheio de calombos. É caríssima, é uma iguaria, tem que ser morta ao ser jogada viva dentro de água escaldante, mas é uma delícia mesmo assim.
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| Mesmo pagando de gatona as lagostas são feias pra caralho. Merecem morrer. |
Se tem uma coisa que também é certa é que coelho é reconhecido por ser um bicho muito bonitinho. Coelho é um bicho fofo né? Aqui em São Paulo tem um lugar incrível: o Le Lapin Tué. Restaurante francês especializado em coelho. Tem coelho frito, assado, rechado, estrogonofe de coelho, pizza de coelho, pastel de coelho, espetinho de coração de coelho e o famoso petit gateu de coelho. A coisa em comum de todas as receitas é que eles tem uma técnica para garantir a carne desmanchando na boca. Eles usam o mesmo processo da lagosta: pegam o coelho e jogam ele vivo na água escaldante, mas é uma delícia do mesmo jeito.

Essa lagosta vc tb jogaria viva num panelão de água fervendo?
Esse restaurante não existe e a imagem do coelho vivo na água fervendo choca muito mais não só por fatores culturais, meus caros, mas por um fato elementar: o coelho é bonito. Lagosta é morta cruelmente, sem pena, e com rara reflexão sobre seu sofrimento, sabe por que? Porque ela é feia.
Mesmo que seja uma forma rudimentar e tosca de demonstrar sofrimento a lagosta sofre. Encoste o rabinho dela na água a 90 graus celcius e você vai ver que se ela fosse burra e com sistema nervoso primitivo, uma idiota que não sente nada, como argumenta-se convenientemente, ela não iría desesperadamente tentar fugir e se agarrar nas bordas como faz. Um coelho gritaría e veríamos nos seus olhos seu sofrimento. Ainda assim: de onde vem a idéia de que uma forma primitiva e pouco articulada de sofrimento é menos digna de consideração do que uma forma "evouluida" de sofrimento? Existem algumas razões, mas vou me ater a meu ponto aqui: o sofrimento da lagosta é menos considerado porque a lagosta é feia.
O ponto aqui não é o sofrimento animal. Esse não é um texto ecochato, vegan ortodoxo que quer defender não comer proteína e sofrimento animal. Penso que a gente tem sim que considerar a lagosta. Só que pra ser bem franco (sem trocadilho), saber do sofrimento dos animais, não diminuiu meu prazer em comer um filé com queijo do Alfa Bar ou do Polis Sucos por anos. Na nossa alienação proposital e conveniente do processo de abatimento do boi até ele virar bife e no prazer em comer do espírito do gordo que ainda vive em mim, eu não estava pensando no processo e nos maltratos que aconteceram enquanto eu me lambuzava comendo aquele filé macio com queijo derretido. Eu raramente como carne em geral hoje, mas pela "simples" razão "egoísta", e não menos positiva, de que me sinto leve e bem, e de tabela imagino que estou fazendo bem pro mundo e pros animais, sejam eles bonitos como o coelho ou feios como a lagosta, o ponto aqui é a beleza, ou melhor, a falta dela.
Muita gente tem pena de comer coelho, mas rói até o ossinho da galinha, come espetos de coração desse ser que é feio pra cacete. Lógico que existem muitos fatores culturais, na culinária em especial, mas vou além da culinária e cultura. Tão certo quanto o fato que galinha não tem 3 corações, (como minha mãe uma vez me ludibriou quando bem pequeno concluí que cada coração vinha de uma galinha) os seres belos inspiram mais compaixão.
Com que frequência você vê alguém matando e estraçalhando uma joaninha? Já um besouro cascudo e feio... Borboletas coloridas, lindas, "ah não mata tadinha!" Já uma mariposa acinzentada e peluda não é tão difícil de ser estraçalhada. Baratas são nojentas por várias razões, mas as vezes elas estão quietas, na delas. Mata, pisa nela! Mosquito? Mosca? Frita com raquetinha de choque. Feiura não inspira compaixão. Filho feio não tem pai.(https://www.youtube.com/watch?v=lHnNlneEf3Q) Nem mãe.
E o irônico é que diz-se hoje que nossos critérios de beleza dentre outros fatores, são baseados na simetria que por sua vez teria alguma conexão com genes mais interessantes para procriação e todo esse blablabla que já se falou. Mas o fato é que os padrões de beleza já foram outros como no renascimento e, na real, são bem relativos. Não precisamos ir até a China, só até Secretário já basta.
Eu era gordo até meus 16 anos e gordo não é frequentemente visto como exemplo de beleza nos padrões de hoje, em Secretário é. Minha família tinha um sítio em Secretário, que deve ficar só a umas 2 horas de distância do Rio, lá no sítio em especial eu não curtia ser gordo. Não só porque era difícil pacas sair da piscina por onde não tinha escada, não só porque uma coxa roçava na outra quando eu jogava futebol e eu ficava assado, mas em especial por ser um gordo adolescente, e por causa da caseira do sítio. A caseira, a Beatriz, toda vez que me via enchia a boca achando que estava sendo lisonjeira: "Nossa olha que menino bonito! Olha esses "braço" roliço! Essas "bochecha" gorda, esse barrigão gordo!". Como ela tinha 16 filhos, a comida era muito racionada e os filhos delas eram bem magros, logo, ela via a gordura como beleza. Eu ficava muito puto com a Beatriz, mas desde esses anos comecei a refletir sobre isso do que é considerado belo, feio e as suas consequências.
Essa beleza que é uma benção, é como uma moeda de troca, é ostentada, valorizada e vangloriada, quando não há mérito nenhum nela, seja presente de Deus ou dos genes, beleza é uma característica inata e pré-determinada tanto quanto a feiura. Por mais que os porquês sejam bem contestáveis, dá pra argumentar que uma beleza de se enquadrar nos padrões estéticos de hoje tem algum "mérito" porque é necessário fazer exercício, dieta, cirurgia, enfim, usar qualquer tipo de artifício, loucura ou esforço e perseverança pra atingi-la. E qual é o mérito de quem já nasce lindo? E então porque se valoriza tanto o ser belo?
Essa loucura de valorizar a beleza como qualidade e vantagem chega a pontos estratosféricos. Um estudo da Universidade do Estado de Michigan, Why Beauty Matters, concluiu que os profissionais vistos como feios são tratados de forma muito pior pelos colegas, quando comparados com aqueles considerados bonitos, mesmo após serem levados em consideração outros fatores como gênero, idade e tempo de trabalho na empresa. Em outro teste a produtividade dos humanos considerados bonitos foi a mesma que dos "comuns", mas os bonitões mostraram muito mais confiança, pela constante validação e aprovação das suas belezas. E ainda em um outro parte do estudo, quando os empregadores avaliaram apenas o currículo dos candidatos, a aparência física não influenciou a estimativa. Mas, quando fizeram entrevistas cara-a-cara e conversas telefônicas, resultados positivos para os mais belos, obviamente.
A beleza exerce um poder de empatia, de coerção e de encantamento que fica acima do nosso raciocínio lógico. Dificilmente alguém olharia para um bonitão de terno e pensaria: "Vou atravessar pra outra calçada que esse cara vai me assaltar."
A beleza também não tem relação alguma com ser burro nem inteligente, mas ela emburrece a gente através do encantamento que pode exercer. Como no caso dos prefeitos idiotas que me marcou, justo pelo uso da beleza que encanta emburrecendo.
Eu mesmo que me considero inteligente quantas vezes fiquei burro, sem discernimento nem clareza de raciocínio diante da beleza. Lembro de uma vez aos meus 16 anos que uma vendedora linda, estilo top model, de olhos azuis muito claros, decote com peito grande e firme em destaque, sorriso fácil e cabelo encaracolado loiro de Gisele, apelou dizendo que eu estava "muito gato" com uma calça. Eu até percebi qual era a dela, mas fiquei quase que retardado com aquelas palavras vindas de uma deusa daquelas, eu sorria e acreditava, mesmo sabendo que era uma técnica de venda descarada. Levei uma calça de R$250 que mal entrava nas minhas pernas gordas assadas.
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| Essa lagosta vc tb jogaria viva num panelão de água fervendo? |
Mesmo que seja uma forma rudimentar e tosca de demonstrar sofrimento a lagosta sofre. Encoste o rabinho dela na água a 90 graus celcius e você vai ver que se ela fosse burra e com sistema nervoso primitivo, uma idiota que não sente nada, como argumenta-se convenientemente, ela não iría desesperadamente tentar fugir e se agarrar nas bordas como faz. Um coelho gritaría e veríamos nos seus olhos seu sofrimento. Ainda assim: de onde vem a idéia de que uma forma primitiva e pouco articulada de sofrimento é menos digna de consideração do que uma forma "evouluida" de sofrimento? Existem algumas razões, mas vou me ater a meu ponto aqui: o sofrimento da lagosta é menos considerado porque a lagosta é feia.
O ponto aqui não é o sofrimento animal. Esse não é um texto ecochato, vegan ortodoxo que quer defender não comer proteína e sofrimento animal. Penso que a gente tem sim que considerar a lagosta. Só que pra ser bem franco (sem trocadilho), saber do sofrimento dos animais, não diminuiu meu prazer em comer um filé com queijo do Alfa Bar ou do Polis Sucos por anos. Na nossa alienação proposital e conveniente do processo de abatimento do boi até ele virar bife e no prazer em comer do espírito do gordo que ainda vive em mim, eu não estava pensando no processo e nos maltratos que aconteceram enquanto eu me lambuzava comendo aquele filé macio com queijo derretido. Eu raramente como carne em geral hoje, mas pela "simples" razão "egoísta", e não menos positiva, de que me sinto leve e bem, e de tabela imagino que estou fazendo bem pro mundo e pros animais, sejam eles bonitos como o coelho ou feios como a lagosta, o ponto aqui é a beleza, ou melhor, a falta dela.
Muita gente tem pena de comer coelho, mas rói até o ossinho da galinha, come espetos de coração desse ser que é feio pra cacete. Lógico que existem muitos fatores culturais, na culinária em especial, mas vou além da culinária e cultura. Tão certo quanto o fato que galinha não tem 3 corações, (como minha mãe uma vez me ludibriou quando bem pequeno concluí que cada coração vinha de uma galinha) os seres belos inspiram mais compaixão.
Com que frequência você vê alguém matando e estraçalhando uma joaninha? Já um besouro cascudo e feio... Borboletas coloridas, lindas, "ah não mata tadinha!" Já uma mariposa acinzentada e peluda não é tão difícil de ser estraçalhada. Baratas são nojentas por várias razões, mas as vezes elas estão quietas, na delas. Mata, pisa nela! Mosquito? Mosca? Frita com raquetinha de choque. Feiura não inspira compaixão. Filho feio não tem pai.(https://www.youtube.com/watch?v=lHnNlneEf3Q) Nem mãe.
E o irônico é que diz-se hoje que nossos critérios de beleza dentre outros fatores, são baseados na simetria que por sua vez teria alguma conexão com genes mais interessantes para procriação e todo esse blablabla que já se falou. Mas o fato é que os padrões de beleza já foram outros como no renascimento e, na real, são bem relativos. Não precisamos ir até a China, só até Secretário já basta.
Eu era gordo até meus 16 anos e gordo não é frequentemente visto como exemplo de beleza nos padrões de hoje, em Secretário é. Minha família tinha um sítio em Secretário, que deve ficar só a umas 2 horas de distância do Rio, lá no sítio em especial eu não curtia ser gordo. Não só porque era difícil pacas sair da piscina por onde não tinha escada, não só porque uma coxa roçava na outra quando eu jogava futebol e eu ficava assado, mas em especial por ser um gordo adolescente, e por causa da caseira do sítio. A caseira, a Beatriz, toda vez que me via enchia a boca achando que estava sendo lisonjeira: "Nossa olha que menino bonito! Olha esses "braço" roliço! Essas "bochecha" gorda, esse barrigão gordo!". Como ela tinha 16 filhos, a comida era muito racionada e os filhos delas eram bem magros, logo, ela via a gordura como beleza. Eu ficava muito puto com a Beatriz, mas desde esses anos comecei a refletir sobre isso do que é considerado belo, feio e as suas consequências.
Essa beleza que é uma benção, é como uma moeda de troca, é ostentada, valorizada e vangloriada, quando não há mérito nenhum nela, seja presente de Deus ou dos genes, beleza é uma característica inata e pré-determinada tanto quanto a feiura. Por mais que os porquês sejam bem contestáveis, dá pra argumentar que uma beleza de se enquadrar nos padrões estéticos de hoje tem algum "mérito" porque é necessário fazer exercício, dieta, cirurgia, enfim, usar qualquer tipo de artifício, loucura ou esforço e perseverança pra atingi-la. E qual é o mérito de quem já nasce lindo? E então porque se valoriza tanto o ser belo?
Essa loucura de valorizar a beleza como qualidade e vantagem chega a pontos estratosféricos. Um estudo da Universidade do Estado de Michigan, Why Beauty Matters, concluiu que os profissionais vistos como feios são tratados de forma muito pior pelos colegas, quando comparados com aqueles considerados bonitos, mesmo após serem levados em consideração outros fatores como gênero, idade e tempo de trabalho na empresa. Em outro teste a produtividade dos humanos considerados bonitos foi a mesma que dos "comuns", mas os bonitões mostraram muito mais confiança, pela constante validação e aprovação das suas belezas. E ainda em um outro parte do estudo, quando os empregadores avaliaram apenas o currículo dos candidatos, a aparência física não influenciou a estimativa. Mas, quando fizeram entrevistas cara-a-cara e conversas telefônicas, resultados positivos para os mais belos, obviamente.
A beleza exerce um poder de empatia, de coerção e de encantamento que fica acima do nosso raciocínio lógico. Dificilmente alguém olharia para um bonitão de terno e pensaria: "Vou atravessar pra outra calçada que esse cara vai me assaltar."
A beleza também não tem relação alguma com ser burro nem inteligente, mas ela emburrece a gente através do encantamento que pode exercer. Como no caso dos prefeitos idiotas que me marcou, justo pelo uso da beleza que encanta emburrecendo.
Eu mesmo que me considero inteligente quantas vezes fiquei burro, sem discernimento nem clareza de raciocínio diante da beleza. Lembro de uma vez aos meus 16 anos que uma vendedora linda, estilo top model, de olhos azuis muito claros, decote com peito grande e firme em destaque, sorriso fácil e cabelo encaracolado loiro de Gisele, apelou dizendo que eu estava "muito gato" com uma calça. Eu até percebi qual era a dela, mas fiquei quase que retardado com aquelas palavras vindas de uma deusa daquelas, eu sorria e acreditava, mesmo sabendo que era uma técnica de venda descarada. Levei uma calça de R$250 que mal entrava nas minhas pernas gordas assadas.
Eu mesmo que me considero inteligente quantas vezes fiquei burro, sem discernimento nem clareza de raciocínio diante da beleza. Lembro de uma vez aos meus 16 anos que uma vendedora linda, estilo top model, de olhos azuis muito claros, decote com peito grande e firme em destaque, sorriso fácil e cabelo encaracolado loiro de Gisele, apelou dizendo que eu estava "muito gato" com uma calça. Eu até percebi qual era a dela, mas fiquei quase que retardado com aquelas palavras vindas de uma deusa daquelas, eu sorria e acreditava, mesmo sabendo que era uma técnica de venda descarada. Levei uma calça de R$250 que mal entrava nas minhas pernas gordas assadas.
Saí da loja, ainda gordo e feio, MAS feliz. Veja que até na comunicação e na linguagem fica evidente nossa super valorização da beleza. Eu escrevi esse texto. Suponhamos que você leu e achou que eu escrevo bem. Você olha minha foto, me acha bonito: Nossa ele é bonito E até que escreve bem. Você olha minha foto, me acha feio: Nossa ele é feio, MAS até que escreve bem.
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